Categoria: Política
Desarmamento: Bolsonaro x GLOBO
Rodrigo Constantino comenta a insistência dos principais veículos de comunicação em defender o desarmamento da população ordeira, apresentando os argumentos do dep. Flávio Bolsonaro como contraponto:
Novamente a aplicação do ENEM gerou polêmica, mas dessa vez não foi por causa de fraudes e sim pelo conteúdo ideológico da prova (e só se surpreendeu com isso quem é muito inocente), que pode ser vislumbrado no seguinte comentário do Sr. Sérgio Nunes no Facebook (que tomei conhecimento por meio do confrade Eduardo Gomes):
Sobre o ENEM, julguem por si mesmos:
Dei uma breve analisada nas 45 questões de ciências humanas, e separei alguns autores citados e temas mencionados. Será que os jovens estão sendo treinados para analisarem as diversas visões de mundo? Ou apenas uma?
A questão aqui não é contradizer ou discutir a opinião de algum autor específico, ou ainda algum tema, mas mostrar que apenas um lado é discutido. Seguem alguns citados e alguns temas:
– Nada como começar com o filósofo Slavoj Zizek, uma das estrelas do marxismo atual, que nesta prova, emergiu com um texto propondo um ato de alteridade, comparando a ação do exército americano com o terrorismo do Talibã.
– David Harvey, geógrafo marxista que propõe a ocorrência de um cataclisma no sistema de produção capitalista (não especificamente na questão desta prova).
– Karl Mannheim, muito influenciado pelo marxismo, apesar de posteriormente se afastar da hipótese de violência revolucionária. Estudou em um Grupo de estudos de Lukács. Na questão, obviamente propõe que a visão individual é condicionada pela sociedade.
– Simone de Beauvoir, com suas ideias feministas, arguida por ter sido ao mínimo colaboracionista com o regime nazista, com algumas ideias que podem associar-se com pedofilia, e misandria.
– Robert Reich, democrata americano, que contra todas as evidências empíricas, propõe uma hipótese de relação inversamente proporcional entre capitalismo e democracia. Para ele: “tax are the price we pay for a civilized society”. Se posiciona criticamente à teias globais.
– Milton Santos, geógrafo com posições anti-globalização, anti-capitalismo, anti-burguesia, pró-socialismo.
– Agostinho Neto, antigo governante de Angola de partido de esquerda, inicialmente marxista, posteriormente centro-esquerda.
– Maria da Glória Gohm, professora de educação da Unicamp, defensora dos Conselhos Populares e do MST.
– Paulo Freire, que dispensa apresentações, um dos pilares da falha educacional no país, com sua educação libertadora, que não educa e nem liberta.
– Sidney Chaloub, historiador da Unicamp, que afirma: ” O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral”.
– Ali Masrui, apesar de crítico do comunismo na África, porém tb é crítico do capitalismo e neoliberalismo no continente, com posições contra Israel.
– Jacques Le Goff que considerava-se “um homem de esquerda”.
– Muniz Sodré que integra(ou) o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, votou em Lula, apesar de tecer algumas críticas recentes.
– Porto Gonçalves, membro do Grupo Hegemonia e Emancipações do Conselho Latino-americanos de Ciências Sociais (Clacso). Colunista (ou ex) da Revista Carta Maior.
– Nicolau Sevchenko, que afirmou sobre a elite: “esse processo como uma espécie de estratégia dos grupos dominantes para manter o sistema de privilégios nos quais estão encastelados desde a colônia”. Fala a favor de grupos civis que são críticos a biotecnologia.
– Wlamyra Albuquerque, pesquisadora que dentre seus artigos, escreveu para revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores (PT).
– Lilia Morics Schwarz, professora da fflch, também empática ao conceito de conflito de classes e preconceitos, favorável a cotas.
– Ziraldo, que aparece com uma charge, não sendo demais afirmar que integrou comitiva com a Dilma, e diz que a ama.
– Sergio Buarque de Holanda, vinculado à esquerda.
– James Rachel, com tendências utilitaristas, defensor de ações afirmativas e ideias vegetarianas.
– Cita a publicação Caros Amigos, de tendência óbvia.
– De formação clássica, os únicos autores citados que detectei foi David Hume e São Tomás de Aquino.
– Em relação aos temas várias questões ambientais, a proposição de grupos criminosos como o mst como forma de atuação democrática, questiona a direção econômica da China como oposição à extinção de classes, aborda a crise de 2008 com epicentro nos EUA esquecendo da crise atual com epicentro AQUI mesmo.
Ressalto que a questão no momento (isto pode ser feito em momento oportuno) não é combater qualquer um dos aspectos acima, uma vez que os estudantes devem conhecer todos os lados e abordagens, mas sim mostrar que os estudantes tem tido acesso apenas a uma visão de mundo, sendo tolhidos de maiores incursões em uma cultura mais geral. Mostrar também mais uma ingerência ideológica governamental na educação dos jovens.
A prova falou por si e nos deixa com a indagação sobre o que fazer para conter essa programação mental tão agressiva que o sistema educacional do país fornece. Em tempo: colocar Jacques Le Goff e Ali Masrui nessa lista negativa me parece um exagero.
No meio dessa crise toda causada pela má gestão de Dilma, ainda existem os que forçam a cegueira para acreditar no “sonho” e, nessa ilusão auto-induzida, repetem as mentiras propagas pelo PT na última campanha eleitoral, como pude ouvir ontem num debate com um colega. Antes de tudo, cabe ressaltar que mesmo que as acusações da petralhada sobre as administrações passadas fossem verdadeiras, isso jamais implicaria em se ter de aceitar os erros que se cometem agora. Uma coisa não implica necessariamente na outra, especialmente quando se tem uma elevação de grau. Mas, enfim, o que foi que me incomodou tanto no debate que tive: a repetição do mantra “FHC quebrou o país três vezes”. Como já era bem grandinho durante os governos de Fernando Henrique, sei que isso não é verdade. E ninguém tire daqui a impressão de que fui fã do nosso ex-xogum, simplesmente estou sendo fiel aos fatos.
Seguindo a lição de Maílson da Nóbrega (Veja, 29 de outrubro de 2014), sabemos que um país quebra quando se torna incapaz de pagar a dívida externa. Os credores sofrem um calote ou aceitam perder parte dos empréstimos. Foi assim na Grécia em 2012 e em mais de trinta países em 1982, no bojo da suspensão do crédito que ocorreu após a moratória do México.
No tempo de FHC, contudo, o que vivemos foram três crises cambiais, que poderiam ter provocado a insolvência do país não fossem as medidas corajosas do governo e o recurso ao FMI. Essas ações preservaram o Plano Real e a conquista da estabilidade. Precisamente o contrário da mentira do PT e de outras seitas de esquerda.
Como toda reação a ameaças na economia, há um preço a pagar: a redução da atividade econômica e do emprego. Perde-se um pouco para manter o todo, particularmente os programas sociais. Numa doença mais séria, somos obrigados a tomar remédios e a diminuir atividades, mas os esquerdopatas dão a entender que o tratamento de saúde visa a inflingir sofrimento ao paciente, e não à sua cura.
Na campanha disseram e ainda dizem hoje que FHC pôs o Brasil de joelhos perante o FMI. Falso. O FMI, do qual somos fundadores, tem função, entre outras, de prestar assistência financeira a países em dificuldades momentâneas, que precisam do apoio enquanto adotam medidas corretivas. Recorrer ao FMI é um direito de que se valeram até nações ricas, como o Reino Unido. Sem o FMI, Lula poderia ter herdado um país quebrado em 2002 e não poderia ampliar (sim, eles já existiam) os programas sociais.


