A imoralidade das quarentenas ilimitadas

À medida que governos nacionais e locais fizeram, na tentativa de combate à pandemia causada pela peste chinesa, uma transição entre o pragmático distanciamento social para a destruição de suas economias, muitas vozes em contrário se levantaram, mas foram quase sempre desprezadas pela “grande” mídia e pela classe média. Assim, vamos dar espaço para uma dessas reflexões fora da curva, publicada originalmente no Rorate Caeli e de autoria do Pe. John F. Naugle, M.A., S.T.B.:

Os fins não justificam os meios: a imoralidade das quarentenas ilimitadas

Qualquer pessoa que teve aula de ética elementar se deparou com perguntas semelhantes a seguinte:

Se milhões de pessoas estão com uma doença mortal e uma possível cura é muito difícil, sendo a única solução colher as células de um bebê, resultando na sua morte, o que nós devemos fazer?

Cenários como esse são úteis para se aprofundar as suposições subjacentes a uma dada estrutura moral, especialmente para mostrar a diferença entre o consequencialismo e outras formas de pensamento moral. Normalmente os debates se passam nas salas de aula, com os graduandos tentando mostrar um nível de profundidade que está muito além do seu conhecimento.

Mas graças a Deus somos católicos. A resposta é clara.

Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação dum inocente como meio legítimo para salvar o povo. (CIC, 1753)

Deus nos proíbe de prejudicar aquele bebê, ainda que isso custe milhões de vidas. Até pensar diferentemente disso é uma grave violação à Lei Divina. Fim da discussão. Continuar lendo

“O homem precede o Estado” (Papa Leão XIII): Um Estado que destrói o trabalho está destruindo o primeiro instinto do homem: a auto-preservação.

O post original foi publicado no Rorate Coeli

Em tempos nos quais os governos estão destruindo violentamente os empregos de um modo nunca visto na história da humanidade (com as melhores das intenções, como sempre…) é urgente relembrar as lições do Papa Leão XIII sobre a absoluta necessidade do trabalho para a preservação da vida humana – e o dever do Estado de não impedir que o homem persiga “o direito de prover a subsistência do próprio corpo”.

De fato, como é fácil compreender, a razão intrínseca do trabalho empreendido por quem exerce uma arte lucrativa, o fim imediato visado pelo trabalhador, é conquistar um bem que possuirá como próprio e como pertencendo-lhe; porque, se põe à disposição de outrem as suas forças e a sua indústria, não é, evidentemente, por outro motivo senão para conseguir com que possa prover à sua sustentação e às necessidades da vida, e espera do seu trabalho, não só o direito ao salário, mas ainda um direito estrito e rigoroso para usar dele como entender. Portanto, se, reduzindo as suas despesas, chegou a fazer algumas economias, e se, para assegurar a sua conservação, as emprega, por exemplo, num campo, torna-se evidente que esse campo não é outra coisa senão o salário transformado: o terreno assim adquirido será propriedade do artista com o mesmo título que a remuneração do seu trabalho. Mas, quem não vê que é precisamente nisso que consiste o direito da propriedade mobiliária e imobiliária? Assim, esta conversão da propriedade particular em propriedade coletiva, tão preconizada pelo socialismo, não teria outro efeito senão tornar a situação dos operários mais precária, retirando-lhes a livre disposição do seu salário e roubando-lhes, por isso mesmo, toda a esperança e toda a possibilidade de engrandecerem o seu patrimônio e melhorarem a sua situação.
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A tempestade perfeita

Eu nunca vi uma crise como essa e acho que poucas pessoas viram. Tenho uma longa experiência de crises no Brasil desde 1967, mas nada parecido. Eu vi inflação de 84% (ao mês) e agora de 10%, mas essa crise é uma tempestade perfeita, com todos os seus componentes. Temos inflação, desemprego e três trimestres de queda do PIB. E no campo político estamos totalmente desesperados. A falta de liderança e a corrupção estão dificultando a condução do país. Não é justo que a população brasileira pague um preço tão alto. Temos uma crise de competência, de entusiasmos exagerados e pessoas ocupando postos importantes sem a devida preparação. Não sei se vamos conseguir aguentar essa crise por mais dois anos. As pessoas perdem o emprego e têm dificuldade de se recolocar, porque há uma expectativa de continuidade da crise no próximo ano.

– João Carlos Paes Mendonça (Jornal do Commercio, Recife, 2 de dezembro de 2015)

Mentiras requentadas

No meio dessa crise toda causada pela má gestão de Dilma, ainda existem os que forçam a cegueira para acreditar no “sonho” e, nessa ilusão auto-induzida, repetem as mentiras propagas pelo PT na última campanha eleitoral, como pude ouvir ontem num debate com um colega. Antes de tudo, cabe ressaltar que mesmo que as acusações da petralhada sobre as administrações passadas fossem verdadeiras, isso jamais implicaria em se ter de aceitar os erros que se cometem agora. Uma coisa não implica necessariamente na outra, especialmente quando se tem uma elevação de grau. Mas, enfim, o que foi que me incomodou tanto no debate que tive: a repetição do mantra “FHC quebrou o país três vezes”. Como já era bem grandinho durante os governos de Fernando Henrique, sei que isso não é verdade. E ninguém tire daqui a impressão de que fui fã do nosso ex-xogum, simplesmente estou sendo fiel aos fatos.

Seguindo a lição de Maílson da Nóbrega (Veja, 29 de outrubro de 2014), sabemos que um país quebra quando se torna incapaz de pagar a dívida externa. Os credores sofrem um calote ou aceitam perder parte dos empréstimos. Foi assim na Grécia em 2012 e em mais de trinta países em 1982, no bojo da suspensão do crédito que ocorreu após a moratória do México.

No tempo de FHC, contudo, o que vivemos foram três crises cambiais, que poderiam ter provocado a insolvência do país não fossem as medidas corajosas do governo e o recurso ao FMI. Essas ações preservaram o Plano Real e a conquista da estabilidade. Precisamente o contrário da mentira do PT e de outras seitas de esquerda.

Como toda reação a ameaças na economia, há um preço a pagar: a redução da atividade econômica e do emprego. Perde-se um pouco para manter o todo, particularmente os programas sociais. Numa doença mais séria, somos obrigados a tomar remédios e a diminuir atividades, mas os esquerdopatas dão a entender que o tratamento de saúde visa a inflingir sofrimento ao paciente, e não à sua cura.

Na campanha disseram e ainda dizem hoje que FHC pôs o Brasil de joelhos perante o FMI. Falso. O FMI, do qual somos fundadores, tem função, entre outras, de prestar assistência financeira a países em dificuldades momentâneas, que precisam do apoio enquanto adotam medidas corretivas. Recorrer ao FMI é um direito de que se valeram até nações ricas, como o Reino Unido. Sem o FMI, Lula poderia  ter herdado um país quebrado em 2002 e não poderia ampliar (sim, eles já existiam) os programas sociais.