A tempestade perfeita

Eu nunca vi uma crise como essa e acho que poucas pessoas viram. Tenho uma longa experiência de crises no Brasil desde 1967, mas nada parecido. Eu vi inflação de 84% (ao mês) e agora de 10%, mas essa crise é uma tempestade perfeita, com todos os seus componentes. Temos inflação, desemprego e três trimestres de queda do PIB. E no campo político estamos totalmente desesperados. A falta de liderança e a corrupção estão dificultando a condução do país. Não é justo que a população brasileira pague um preço tão alto. Temos uma crise de competência, de entusiasmos exagerados e pessoas ocupando postos importantes sem a devida preparação. Não sei se vamos conseguir aguentar essa crise por mais dois anos. As pessoas perdem o emprego e têm dificuldade de se recolocar, porque há uma expectativa de continuidade da crise no próximo ano.

– João Carlos Paes Mendonça (Jornal do Commercio, Recife, 2 de dezembro de 2015)

Mentiras requentadas

No meio dessa crise toda causada pela má gestão de Dilma, ainda existem os que forçam a cegueira para acreditar no “sonho” e, nessa ilusão auto-induzida, repetem as mentiras propagas pelo PT na última campanha eleitoral, como pude ouvir ontem num debate com um colega. Antes de tudo, cabe ressaltar que mesmo que as acusações da petralhada sobre as administrações passadas fossem verdadeiras, isso jamais implicaria em se ter de aceitar os erros que se cometem agora. Uma coisa não implica necessariamente na outra, especialmente quando se tem uma elevação de grau. Mas, enfim, o que foi que me incomodou tanto no debate que tive: a repetição do mantra “FHC quebrou o país três vezes”. Como já era bem grandinho durante os governos de Fernando Henrique, sei que isso não é verdade. E ninguém tire daqui a impressão de que fui fã do nosso ex-xogum, simplesmente estou sendo fiel aos fatos.

Seguindo a lição de Maílson da Nóbrega (Veja, 29 de outrubro de 2014), sabemos que um país quebra quando se torna incapaz de pagar a dívida externa. Os credores sofrem um calote ou aceitam perder parte dos empréstimos. Foi assim na Grécia em 2012 e em mais de trinta países em 1982, no bojo da suspensão do crédito que ocorreu após a moratória do México.

No tempo de FHC, contudo, o que vivemos foram três crises cambiais, que poderiam ter provocado a insolvência do país não fossem as medidas corajosas do governo e o recurso ao FMI. Essas ações preservaram o Plano Real e a conquista da estabilidade. Precisamente o contrário da mentira do PT e de outras seitas de esquerda.

Como toda reação a ameaças na economia, há um preço a pagar: a redução da atividade econômica e do emprego. Perde-se um pouco para manter o todo, particularmente os programas sociais. Numa doença mais séria, somos obrigados a tomar remédios e a diminuir atividades, mas os esquerdopatas dão a entender que o tratamento de saúde visa a inflingir sofrimento ao paciente, e não à sua cura.

Na campanha disseram e ainda dizem hoje que FHC pôs o Brasil de joelhos perante o FMI. Falso. O FMI, do qual somos fundadores, tem função, entre outras, de prestar assistência financeira a países em dificuldades momentâneas, que precisam do apoio enquanto adotam medidas corretivas. Recorrer ao FMI é um direito de que se valeram até nações ricas, como o Reino Unido. Sem o FMI, Lula poderia  ter herdado um país quebrado em 2002 e não poderia ampliar (sim, eles já existiam) os programas sociais.