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Brasil profundo Nossa Senhora

A incrível história de Nossa Senhora Aparecida

Entenda como o encontro de uma pequena escultura de barro em 1717 transformou a fé de uma nação, influenciando desde escravos a imperadores:

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Liturgia

Terça-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Leitura da epístola do beato apóstolo Tiago (1)

Tiago, servo de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas, saúde! Tende como motivo de grande gáudio, meus irmãos, quando caem sobre vós várias tentações, persuadidos de que a provação de vossa fé resulta em paciência, mas a paciência ficará consumada somente se fordes perfeitos e íntegros, sem fraquejardes em nada.

E se alguém entre vós precisar de sabedoria, peça-a a Deus – que dá a todos com abundância, sem ralhar – e ser-lhe-á dada. Mas peça com confiança, sem vacilação alguma; pois quem hesita é semelhante à onda do mar, que é agitada e levada para várias direções. Portanto, não pretendia esse homem receber algo do Senhor. O homem de coração repartido é inconstante em todos seus empreendimentos.

E o irmão de classe humilde glorie-se por ter sido exalçado; o rico, porém, em sua humilhação; pois, como a flor da erva, há de passar; com efeito, o sol levantou-se ardente e a erva secou e caiu-lhe a flor (2) e pereceu a beleza de sua aparência; assim há de emurchecer também o rico em suas atividades.

Feliz do homem que suporta a tentação, porque, após haver sido provado, há de receber a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém diga, ao ser tentado, que é tentado por Deus, pois Deus não é tentador de coisas ruins e, aliás, não tenta a ninguém. Em verdade, cada qual é tentado, arrastado e atraído pela própria concupiscência; a seguir, a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; por sua vez, o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Portanto, meus irmãos diletíssimos, não vos enganeis.

Qualquer dádiva ótima e qualquer dom perfeito vem do alto e desce do Pai das luzes em quem não há nem mudança nem sombra de va- riação. Pois espontaneamente é que nos gerou com palavra de verdade, para sermos como que primícias de suas criaturas. Vós o sabeis, irmãos meus diletíssimos.

E todo homem seja rápido para escutar, porém lento para falar e moroso para encolerizar-se. De fato, a ira dos homens não executa a justiça de Deus. Por isso, lançando fora toda impureza e excesso de maldade, recebei mansamente a palavra semeada em vós, a qual tem poder para salvar vossa alma.

Portanto, sede executores da palavra e não só ouvintes, enganando a vós mesmos. Pois se alguém for ouvinte e não cumpridor da palavra, será comparado ao homem que considerou no espelho seu rosto natural: olhou e foi-se embora e, daí a pouco, já se esqueceu de como estava. Mas quem examina a lei perfeita da liberdade, e nela permanece. não como ouvinte que olvida, senão como cumpridor da obra, este há de ficar satisfeito com sua ação.

E se alguém julgar ser religioso não refreando a língua, mas pervertendo o próprio coração, é vã a religião dele. Religião pura e sem jaça perante Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua penúria e manter-se puro das mazelas deste mundo.

(1) Cap. 1

(2) Is. 40, 7

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Liturgia

Segunda-Feira do 3º Domingo após a Páscoa

Este post faz parte de uma série que apresenta lições alternativas para as Matinas do Ofício Parvo.

Sermão de Santo Agostinho (1)

O beato apóstolo Tiago dirige-se a ouvintes assíduos da palavra de Deus, dizendo: Sede executores da palavra e não ouvintes apenas, iludindo a vós próprios (2). Com efeito, estais enganando não àquele de quem é a palavra ou àquele por quem é transmitida, senão a vós mesmos.

Todos nós devemos praticar a palavra exterior e interiormente, em presença de Deus. Como praticá-la interiormente? Quem olhar para uma mulher com cobiça já pecou com ela em seu coração (3). E pode ser adúltero sem que nenhum homem o veja, e Deus o castiga. Quem, pois, executa interiormente a palavra? Quem vê sem cobiça. Quem a pratica exteriormente? Rompe teu pão com quem tem fome (4). Realmente, quando fazemos isto, nosso próximo também o vê: mas com que intenção o fazemos, só Deus o vê.

Portanto, meus irmãos, sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos, não a Deus nem ao pregador. Com efeito, eu ou qualquer que vos pregue a palavra, não vemos vosso coração; não podemos julgar o que pensais. O que o homem não pode ver, vê-o Deus de quem não pode esconder-se o coração humano. Vê com que interesse escutas, o que pensas, a que estás apegado, teu aproveitamento com seus auxílios, teu empenho na oração, como imploras a Deus o que te falta, como dás graças do que tens: sabe-o ele, que há de pedir contas. Podemos distribuir o dinheiro do Senhor, e há de vir o que toma contas, que disse : “Servo mau devias dar meu dinheiro aos banqueiros e, ao voltar, recebê-lo-ia com juros.” (5)

Portanto, meus irmãos, não vos enganeis a vós mesmos, porque viestes assiduamente escutar a palavra, se, por negligência, não a praticais. Refleti: se merece elogio o escutar, quanto mais o cumprir! Se não escutas, desprezas a pregação, nada constróis. Se escutas e não pões em prática, constróis ruínas. A este respeito, é mui pertinente a comparação de Cristo Nosso Senhor: Quem ouve minhas palavras e as pratica, compará-lo-ei ao homem prudente que constrói sua casa sobre pedra. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos, e atiraram-se contra aquela casa, e não caiu. Por que não caiu? Porque estava assentada sobre pedra. (6)

Portanto, escutar e pôr em prática, e edificar sobre pedra.

(1) Sermão CLXXIX, 1 e 7-8

(2) Tg. 1, 22

(3) Mt. 5, 28

(4) Is. 58, 7

(5 ) Mt. 25, 27

( 6 ) Mt. 7, 24-25

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Liturgia

Lições alternativas para as Matinas

Como expliquei na história do Ofício Parvo, existiam institutos religiosos nos quais a oração em comum era exatamente essa forma de Ofício Divino e, desse modo, com o passar do tempo uma maior variação se tornou um pedido comum, na perspectiva de se viver de modo mais aprofundado o ano litúrgico. Levando isso em conta, em 1955, a Congregação para os Religiosos solicitou aos monges beneditinos da Abadia de Em Calcat em Dourgne, França, a preparação de uma versão que satisfizesse quem pedia mais variação; assim, os monges lançaram em 1958 sua edição em latim/francês do Ofício de Nossa Senhora.

Entre outras coisas, essa versão substituía as lições fixas das Matinas por uma lição própria para cada dia do ano! Embora eu julgue a versão legada pela tradição como ideal para o dia-a-dia do leigo, essa variação nas lições, muito bem escolhidas por sinal, me parece um acréscimo bem vindo e que possui todas as aprovações eclesiásticas de um tempo em que isso significava ortodoxia.

Tenho um exemplar dessa forma de Ofício que foi publicada no Brasil em dois volumes (um deles é só com as lições) em 1965, com o nome de Ofício Marial, e, procurando incentivar a reza do Ofício Parvo, vou, vez ou outra, trazer uma dessas leituras para compartilhar.

Primeiro, as aprovações eclesiásticas:

Com o passar do tempo, acrescentarei os posts publicados neste índice.

OBS: O calendário utilizado é o do rito romano tradicional.

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Filosofia

Nietzsche e a embriaguez do nada

Nesta aula excepcional ministrada pelo Professor Sidney Silveira assistimos a um espetáculo de sólida confrontação ao filósofo de barro — ou melhor, vaca sagrada — da modernidade e pós-modernidade, Friedrich Nietzsche.

Mais tarde, nos comentários, o Prof. Sidney respondeu a uma pergunta que toca num erro comum sobre Nietzche em certos círculos:

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Apologética

Há um revigoramento da Igreja?

Adaptação de um post originalmente publicado no Rorate Caeli:

A reportagem abaixo do programa 60 Minutes (do canal americano de televisão CBS) foca nos Estados Unidos, mas o mesmo sentimento parece ser visível em outros países. Eu mesmo presenciei, no último mês de janeiro, com grande surpresa, a conversão de uma ex-aluna de família assembleiana a gerações e o crescente interesse de outros jovens de origem semelhante pelo catolicismo. O que está acontecendo?

As estatísticas não parecem indicar isso, mas temos uma explicação: à medida que a geração mais velha, convicta de sua fé, desapareceu, aqueles que ainda frequentam a Igreja apenas por hábito ou cultura estão abandonando-a (ou morrendo) em massa – enquanto, entre os jovens, um forte sentimento de busca por pertencimento está levando milhares à Esposa de Cristo.

Milhares são insignificantes quando comparados a milhões. Portanto, as estatísticas ainda mostrarão, por algum tempo, um forte declínio no número de católicos praticantes. Mas se um convertido motivado, ou um que retorna à Igreja, tem a energia religiosa de dez católicos mornos, qual será seu impacto futuro? Uma coisa que todos eles parecem ter em comum é o amor pelas tradições, e ocasionalmente pela Tradição, e até mesmo pela Missa Tradicional. Rezemos para que esta nova “minoria criativa” (nas palavras do então Cardeal Ratzinger) inaugure uma Igreja mais forte e mais fiel.

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Arte

Do medo ao entusiasmo

Regra geral, os comentários do semanário litúrgico-catequético O Domingo são um exemplo de perda de oportunidade na evangelização, mas como nada pode ser ruim o tempo todo, na semana passada, quando foi lido um trecho do Evangelho de São João (XX, 19-31), foi publicada uma poesia que considero bem adequada a essa perícope (é de autoria do Pe. Antônio Iraildo Alves de Brito, SSP):

Era um domingo triste.
Ao anoitecer daquele dia,
As portas todas fechadas,
Os discípulos em agonia,
O medo ronadava as mentes,
Toda a comunidade temia.

Temia as autoridades,
Os que mataram Jesus;
A crueldade dos homens
Que o pregaram na cruz.
O medo ali imperava,
Impedindo qualquer luz.

Mas de repente o Mestre,
O Cristo ressuscitado,
Aparecendo no meio deles,
Trazendo-lhes belo recado:
"A paz esteja convosco!"
Mostrava-lhes as mãos e os lados.

Os sinais daqueles pregos,
No peito, o furo da espada:
As marcaram de morte,
Mas agora ela é nada.
Com o sopro do Espírito,
A morte foi derrotada.

A comunidade, antes triste,
Agora se vê contente.
Até Tomé, o incrédulo,
Do mistério está ciente.
"Meus Senhor e meu Deus!"
Não há expressão mais potente.

Estamos, pois, no tereno
Do mistério mais profundo.
Nosso Senhor ressuscitado
É a esperança para o mundo.
Nele temos a paz,
Saímos do poço fundo.

Saímos do poço fundo,
Da morte e da sujeição.
O sopro dos seus lábios
Plenifica a criação.
Nele tudo se transforma
Tudo é renovação.

Nele tudo se renova:
É mistério que estremece.
Nele temos vida nova,
Chama que nos aquece.
Nosso rosto tem sorriso;
E, no coração, uma prece.

Viva a comunidade cristã
Que se entende no amor.
Os conflitos são superados,
Ninguém guarda rancor.
Homens e mulheres livres,
Seguindo o que Cristo ensinou.
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Sociedade

Privacidade e consciência moral

Hannah Arendt, em A Promessa da Política:

Nós, por outro lado, que vivemos a nossa experiência de organizações de massa totalitárias cuja primeira preocupação é a de eliminarem qualquer possibilidade de solidão – exceto sob as formas inumanas do isolamento prisional -, não sentimos dificuldade em comprovar que, sem a garantia de um mínimo dessa solidão do si-próprio consigo próprio, são abolidas não só as formas seculares da consciência moral, mas também todas as suas formas religiosas. É a este nível que se torna explicável que, como foi muitas vezes notado, a própria consciência moral deixasse de funcionar sob as condições de uma organização política totalitária, e que isso se verificasse em boa medida sem que interviesse o medo do castigo. Nenhum homem que não possa tornar efetivo o diálogo consigo próprio, que dizer nenhum homem privado da solidão que todas as formas de pensamento requerem, poderá conservar a integridade da sua consciência moral.