Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉
Páginas revisadas

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A legitimidade das bebidas alcoólicas
Tempos atrás vi uns amigos, ligados a uma organização tradirromântica, criticando Olavo de Carvalho e seus alunos por supostamente buscarem a “salvação por meio da literatura”. Até acredito que muitos dos alunos de Olavo não entenderam direito o que ele queria com seu incentivo à leitura dos clássicos e caem no eruditismo, mas para mim sempre foi clara a intenção dele de aperfeiçoar a linguagem e, com ela, o modo como as pessoas expressam seus desejos, objetivos e dúvidas. Faria muito bem aos tradborings conseguirem ler algo além do esquema de um catecismo de perguntas e respostas… Enfim, hoje me deparei com um texto do citado autor, intitulado “O sofrimento do homem inculto”, no qual ele explica exatamente o que sempre pensei que eram suas intenções em torno dessa questão:
Imagine a troca de experiências entre pessoas com uma bagagem literária muito grande. Elas possuem um monte de referências literárias em comum, de modo que ao trocar experiências elas parecem que estão tocando piano. E sempre que não conseguem expressar diretamente o que estão sentindo, elas recorrem a uma analogia literária. Escritores quando conversam entre si fazem isso o tempo todo. Eles têm muito mais bagagem de leituras feitas do que capacidade de expressão, assim como todo ser humano.
Todos nós, como pertencemos à mesma espécie, temos potencialmente a capacidade para termos as mesmas experiências interiores. Mas você dificilmente terá a capacidade de expressá-las com palavras próprias. Então você deve usar os recursos que estão na cultura.
A conversa entre dois homens que estão culturalmente afinados está para a conversa entre duas pessoas incultas assim como uma ligação telefônica está para outra que foi feita para um número errado. Isso é o mesmo que dizer que pessoas incultas simplesmente não conversam. Os seus mundos interiores são incomunicáveis às vezes até para elas mesmas.
Como elas não sabem dizer o que estão vivenciando, essa vivência não se registra na memória, porque a memória não pode registrar estados interiores sem um símbolo que os compacte. Isso é uma angústia terrível.
Noventa e nove por cento das neuroses surgem porque a pessoa não sabe falar. Assim, a primeira função da educação é uma função libertadora; de você conseguir dizer, e dizendo você se exorciza. Para um homem inculto, qualquer conflito interno é único, singular, solitário e incomunicável. Já um homem que tem ao menos a cultura da literatura de ficção sabe que é o trilionésimo a ter os mesmos conflitos.
Num meio inculto as pessoas estão muito isoladas. Elas só podem se comunicar numa faixa estreita de assuntos banais e pragmáticos. Nesse meio, a experiência interior se perde porque não há registro simbólico para gravá-las na memória ou se acumula numa massa de sentimentos confusos que isola as pessoas umas das outras.
Basta isso para você entender que essa história de que o homem inculto é mais feliz é uma monstruosidade. O sofrimento indizível é um bilhão de vezes pior que o dizível.
Catecismo do eleitor católico
Brasil, terra da Santa Cruz

Não tenho nenhuma dificuldade em acreditar em milagres, até mesmo porque a existência da matéria já é, por si só, um grande milagre. Leibniz praticamente provou isto, quando formulou a pergunta: “Por que é que existe 𝑎𝑙𝑔𝑜 em vez de existir tão somente o 𝑛𝑎𝑑𝑎?” Leibniz estava coberto de razão, pois é muito mais plausível acreditar que a matéria começou a existir a partir de determinado momento do que crer que a matéria 𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑖𝑢. Ademais, a existência das moléculas pressupõe a existência do nos (νοῦς) universal, que, segundo Anaxágoras de Clazômenas, é uma espécie de pricípio cósmico inteligente, eterno e ilimitado, capaz de ordenar os elementos materiais que compõem o universo. Eis por que, como intuiu Manuel Bandeira, a vida é um milagre.
O problema é que as pessoas têm dificuldade em acreditar nisto porque creem, ingenuamente, que os milagres só ocorriam há bilhões de anos, na madrugada dos Tempos. Como se o fato miraculoso dependesse da linha temporal para acontecer…
Certa vez, perguntaram a C. S. Lewis como era possível uma virgem dar à luz uma criança, ao que Lewis respondeu, sem pestanejar: “Do mesmo modo de Deus arrancou do nada todas as estrelas”. Entendedores entenderão.
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Imagem: Representação gráfica da Teoria do 𝑩𝒊𝒈 𝑩𝒂𝒏𝒈, a mais aceita até hoje pela comunidade científica. O primeiro a formular essa teoria cosmológica foi o 𝗣𝗮𝗱𝗿𝗲 belga Georges Lemaître.
– Bernardo Souto