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Arte

A dalmática de Carlos Magno

Essa suposta dalmática, do século XI, foi um presente do Patriarca Latino de Constantinopla Isidoro de Kiev (1385 – 1463) ao Papa Eugênio IV (1383-1447).

Ela é a única vestimenta medieval mantida no Tesouro de São Pedro e representa um trabalho de mestre da arte do bordado praticada em Constantinopla no citado século. Não se sabe como surgiu a lenda de que teria sido usada na coroação do Imperador Carlos Magno no ano 800. É feita inteiramente em bordados com ouro, prata e fio colorido em seda azul com cenas da iconografia bizantina dos séculos IX e X.

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Teologia

De Trinitate

Resenha feita pela consócia Janete de Cássia na comunidade Apologética Católica:

trinitateA obra De Trinitate deste grande santo doutor da Igreja, aborda uma questão central da fé cristã: a crença que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus. É importante ter em mente que o objetivo de Agostinho é combater as heresias de seu tempo, sendo que as principais eram o Arianismo e o Sabelianismo (ou Modalismo).

Como “bons hereges”, Ario e Sabélio eram muito instruídos nas Sagradas Escrituras; suas heresias eram bem embasadas em passagens dos Evangelhos. Por que este fato é importante? Porque Agostinho irá estruturar sua obra de modo a quebrar esquematicamente essas teorias. Vale lembrar também que essas heresias eram realidades muito presentes entre os primeiros cristãos, sendo um grande desafio afirmar que Deus é Uno e Trino. Superadas as perseguições, são os problemas de ordem interna, de doutrina, que começam a preocupar os cristãos.

A obra De Trinitate é composta de quinze livros que podem ser divididos em dois grandes blocos:

1) do livro I ao VII, onde Santo Agostinho irá fazer uma defesa exegética e hermenêutica da doutrina da Trindade. Como bom retórico, irá apontar os trechos das Sagradas Escrituras que são usados pelos hereges e, com as próprias escrituras, irá apontar as falhas destes e as evidências da Trindade. Do livro I ao IV há um movimento lógico no texto, uma busca por “vestígios” de Deus nas escrituras. O santo cita as Teofanias do Antigo e Novo Testamentos. Do livro V ao VII, temos a análise agostiniana do “homem interior”. É o segundo grande momento lógico da obra, onde temos a investigação das dimensões do homem interior. Entra também no debate sobre o que é substância e natureza e garante que não há relação de subordinação na Trindade.

Considero importante nesta primeira parte o destaque que Agostinho dá para o conhecimento da Palavra como um todo. Ele aceita que um mesmo trecho possa apresentar mais de uma hermenêutica válida, porém elas devem ser somadas umas às outras, e nunca contraditórias.

O livro VIII é um divisor de águas, onde Agostinho procura encontrar os vestígios de Deus no interior do homem. Destaca a importância da caritas, pois é ela quem move o homem em sua busca por Deus. A aproximação de Deus se dá por meio da semelhança que temos com ele.

2) do livro IX ao XIV encontramos um exercício de purificação. Agostinho começa a buscar vestígios da imagem Trinitária no ser humano, sendo a principal tríade a memória, a inteligência e a vontade.

O livro XV é uma retomada dos assuntos abordados, uma espécie de resumo e conclusão. É uma obra densa, que exige esforço para compreensão e também um pouco de conhecimento do pensamento agostiniano, mas um esforço que vale a pena ser empreendido, dada a riqueza de conhecimentos que nos traz.

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Liturgia

Cartão de Asperges

aspergesTendo em vista o aumento da maturidade dos coeti fidelium do Brasil, e por consequência o aumento de celebrações de Missa na suas modalidades mais solenes, sobretudo a cantada, os membros da Comunidade Apologética Católica procuraram criar um subsídio para ajudar os sacerdotes: um cartão com as partituras do celebrante para o rito do Asperges. Os leitores podem baixá-lo aqui:

Cartão de Asperges

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Humor

Ofensividade!?!

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Apologética Arte

Why catholics had built such beautiful cathedrals?

It became obvious why catholics had built such beautiful cathedrals and churches throughout the world. Not as gathering or meeting places for Christians. But as a home for Jesus Himself in the Blessed Sacrament. Cathedrals house Jesus. Christians merely come and visit Him. The cathedrals and churches architecturally prepare our souls for the beauty of the Eucharist.

— Allen R. Hunt (Confessions of a Mega Church Pastor: How I Discovered the Hidden Treasures of the Catholic Church).

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Liturgia

Ostensório ambrosiano

ostensório ambrosiano

O Beato Idelfonso Schuster com um ostensório típico do rito ambrosiano.

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Arte

Tradição e arquitetura

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Ética e moral

O sofrimento

Texto do Professor José Luiz Delgado publicado no Jornal do Commercio (Recife, 11 de março de 2014 – foram feitas pequenas modificações estilísticas):

quoteA vida pode ser uma sucessão de alegrias, de realizações, de vitórias. Mas será também uma sucessão de sofrimentos e agonias, umas maiores e outras menores, nuns mais e noutros menos. Por que alguns homens sofrem tanto? Por que sobre determinados membros da da família humana, e não sobre outros, e não sobre todos, se abatem certas moléstias ou certas privações que lhes prejudicam terrivelmente a qualidade de vida? Não há regra nessas fatalidades: não são sempre os piores que sofrem, nem os melhores. Nem aqueles, com tais sofrimentos, são castigados; nem estes são purificados e exaltados como que para dar exemplo. A vida é desigual também nisso: no fato de recair sobre uns uma carga excessiva de sofrimentos, enquanto outros são olimpicamente poupados.

O sofrimento é um mal, evidentemente. Desde os primeiros albores da consciência até o último estertor, o homem é perturbado, impressionado, obcecado, com a presença do mal. Não só o mal moral, a escolha voluntária do mal, a opção pelo crime e pelo pecado. Mas, antes de tudo, o mal físico, a dor, o sofrimento, o mal que atinge os inocentes (ao menos, inocentes do mal que os toca).

O mistério do mal seria ainda mais incompreensível se bens muito maiores não pudessem ser tirados dele. Nem sempre se tira, é fato. Mas, quando alguém, a quem foi dada carga muito pesada de sofrimentos, em vez de se revoltar contra o destino, aceita, resignado, a humilhação de sua carne e consegue tirar das dores que o acometem, um bem ainda maior, não somente fica pessoalmente pacificado, sobretudo dá admiráveis lições diárias, edificantes exemplos, reanimadoras motivações, e será exaltado entre as melhores referências da fortaleza humana. Se, ao invés, do próprio sofrimento não conseguir extrair as consolações e as grandezas que poderia tirar, contará com uma compreensão que não terão aqueles que foram poupados de sofrimentos semelhantes.

Não sei se pode imaginar algum consolo para esses sofredores, que dizem ser os preferidos de Deus, e que, tendo já padecido demais aqui, hão de chegar mais rápido à felicidade da outra vida. Sei é que são exemplares e são queridos exatamente pela imensidão de sua dor. E ainda nos mostram como somos todos humanos, tão frágeis, tão vulneráveis, tão dependentes de um milhão de coincidências para continuarmos nesta existência.