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Arte Política

Ideologia e literatura

Comentário da consócia Janete Campos:

Vou dar um exemplo recente que aconteceu comigo na USP: Meu professor solicitou um trabalho que apresentasse o modo como o professor e a educação são apresentados na literatura. Deveríamos escolher uma entre as obras que ele selecionou para trabalharmos com o tema, e eu escolhi O Ateneu, de Raul Pompeia. O objetivo, segundo o professor, seria analisarmos a obra, sem carregarmos nosso texto com questões ideológicas. Fiquei feliz com a ideia, já que boa parte de nossos críticos, ao avaliar uma obra, não partem dela para depois estabelecer uma teoria e sim o contrário: são “especialistas” em uma teoria e fazem de tudo para encaixar aquela obra na ideologia da qual são seguidores.

Bem, claro que para fazer um bom trabalho, fui atrás de pessoas que já haviam escrito sobre O Ateneu, e encontrei um texto desse meu professor. Eis um dos trechos da análise, quando fala sobre o escritor e aluno Raul Pompeia e as críticas que ele recebeu após publicar uma charge que ridicularizava o jornal conservador Diário de Campinas:

“A charge é uma paródia da via crucis, em que a figura de Cristo é substituída pela de um asno, que simbolizava a estupidez do jornal campineiro. A atitude e o entusiasmo do aluno provocaram desconforto entre os docentes, em geral escravocratas, retrógrados e católicos provincianos. Um deles, o professor Leite Moraes, era inclusive muito ligado ao Diário.”

Durante todo o texto o professor exalta a figura de Pompeia desqualificando seus opositores ideológicos. Não apenas neste, mas em análises de outros professores, o catolicismo sempre vem como um qualificativo negativo. Também o termo “medieval” com frequência é utilizado com sentido negativo ou mesmo pejorativo, quando, por exemplo, alguém reclama de uma atitude de alguém que age sem pensar, com violência insana e diz que a atitude é “medieval”.

Nesta mesma análise ainda é possível entre tantas outras coisas, verificar a crítica do professor à disciplina enquanto norma de comportamento, quando avalia como é descrito o colégio Ateneu dentro da obra: disciplina “militar” que é um “adestramento”. Durante todo o texto percebe-se uma exaltação de Raul Pompeia e de sua obra, uma exaltação do personagem Sérgio, que para esse professor é um incompreendido e injustiçado (se cabe aqui minha opinião, Sérgio é um menino mimado, cujo primeiro trauma foi cortar seus cachinhos para poder ingressar no colégio…).

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Apologética Bíblia

Geologia criacionista

Desde o século XIX, com as descobertas da geologia e da biologia, o relato da Criação presente no Gênesis tem sido posto em cheque, virando, para uns, uma fábula, e, para outros, um critério indicador da fé verdadeira. Toda essa celeuma, para mim, é completamente sem sentido, já que a mera leitura do Livro Sagrado indica de maneira clara que ali não se pretende relatar uma história com rigor cronológico. De qualquer forma, a Igreja permite a adesão a uma exegese literalista, mas essa, sem dúvida, tem de enfrentar problemas como o exposto nesta ilustração:

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Eclesiologia

A pauta modernista

Texto do Prof. José Luiz Delgado publicado no Jornal do Commercio (Recife, 19 de março de 2013):

pautaCuriosa a atração entre a mídia e certos trânsfugas que já há bom tempo abandonaram a Igreja. Aquela se nutre de escândalos, do extraordinário, do diferente, de frases dissonantes que chamam a atenção, muito mais do que do ordinário, do comum, do sensato, do simplesmente bom. E aqueles se põem a dar declarações tornitruantes sobre uma entidade de que já se afastaram, que repudiaram, e que, portanto, em nada mais os deveria interessar. Por que ainda a discutem e ainda opinam sobre ela?

Nesse afã de ouvir personagens que já refugaram a Igreja (e que, em boa lógica, nem deveriam mais pensar nela), a mídia anda divulgando o rol dos “grandes” projetos que esses trânsfugas, curiosamente preocupados com a “decadência” da Igreja, gostariam de ver o novo pontificado assumir, para se modernizar e deixar de ser “medieval”, para ser “aberto ao diálogo com o mundo moderno”: derrubar tabus como o casamento entre homossexuais, o aborto, a condenação da pílula anticoncepcional, a aceitação do divórcio, o celibato dos sacerdotes.

Quando é que a Igreja reverá sua oposição aos “modernismos” do divórcio, casamento entre homossexuais ou o aborto? Nunca, jamais, em tempo algum. É viver no mundo da Lua imaginar que coisas desse tipo possam algum dia ocorrer. Quem imaginar que pode ser católico alimentando tais fantasias, e portanto somente na esperança de que essas mudanças aconteçam, declare-se logo não-católico. A Igreja não é dona da doutrina, cuja formulação não depende do voto da maioria nem dos clérigos nem do “povo de Deus”: é apenas depositária, guarda e transmissora do tesouro, e a esse respeito tão somente repete o que aprendeu do Senhor: que a vida humana é sagrada, ninguém pode dispor sobre ela, e que Deus fez o homem e a mulher e viu que isso (o homem e a mulher) era bom. A Igreja tem um Credo e é fiel a ele, e quem (no exercício da primordial liberdade, que deve sempre ser respeitada) não concordar com esse Credo, simplesmente não pertence à Igreja. Tem todo direito de pensar o que quiser, mas não pode prtender que seu livre pensamento seja católico.

O celibato dos padres é questão totalmente diversa. Sendo norma apenas positiva da Igreja, apenas disciplinar, pode, sim, ser modificado sem qualquer agressão ao dogma. Que a Igreja, porém, vá rever essa posição, nalgum futuro mais ou menos próximo, é altamente discutível. Não parece provável. Muitos séculos podem passar sem aquela opção ser modificada. Talvez até o mundo acabe primeiro…

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Defesa da vida

A mulher que calou as abortistas

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Brasil profundo Eclesiologia Sociedade

Frei Damião em Taperoá (PB)


Frei Damião em 1969 na cidade Taparoá (PB). Esse vídeo é uma verdadeira relíquia!

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Defesa da vida

O delírio abortista num esquema

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Uma comparação

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Brasil profundo

Um sermão de Vieira

Texto do Prof. Ângelo Monteiro publicado no Jornal do Commercio (Recife, 29 de agosto der 2013) que, além da crítica cultural mais ampla, traz à tona um problema real que todo catequista enfrenta no nosso país, a saber, o da falta de consolidação dos princípios doutrinários na mente dos alunos, e que, incrivelmente, o Pe. Antônio Vieira já notava no início de nossa história:

vieiraNão se pode nunca saber, depois de mais de trezentos anos, se o Sermão do Espírito Santo, proferido pelo Padre Antônio Vieira, em São Luís do Maranhão, se resume à constatação de uma época ou vem a ser, muito antes, a confirmação de uma realidade: a de um país condenado, por fatalidade, a repetir o tempo todo a receita do mesmo. Vieira começa pela nomeação de São Tomé, dada a sua proverbial incredulidade, a pregador do Brasil mostrando, curiosamente, que suas pegadas ficaram na memória das pedras e não na dos homens. Eis como se pronuncia, a esse respeito, o genial jesuíta: “Não se podia melhor provar e encarecer a barbárie da gente. Nas pedras acharam-se rastos do Pregador, na gente não se achou memória da pregação; as pedras conservam a memória do Apóstolo, os corações não conservam a memória da doutrina.”

Não se esqueceu, também, de assinalar a facilidade com que os brasileiros, que então não passavam de índios, tornaram-se rapidamente abertos à aceitação da Fé e, em igual disposição, dispostos a esquecê-la: “e não porque os Brasis não creiam, mas porque essa mesma facilidade com que creem, faz com que o seu crer em certo modo seja como não crer. Certos Gentios são incrédulos até crer; os Brasis ainda depois de crer são incrédulos. Em outros Gentios a incredulidade é incredulidade, e a Fé é Fé; nos Brasis a mesma Fé, ou é ou parece incredulidade.” Dessa maneira a disseminação das ideias, sobretudo se novas, acompanha no Brasil a mesma trajetória das profissões de fé: conhece um reinado tão curto no coração dos homens, como dantes conheceu a rápida conversão. As ideias entre nós, assim como os homens que as divulgam, veem chegar em muito pouco tempo o clima próprio dos fins de festa, preparatório dos ostracismo e do esquecimento.

O Padre Vieira não deixa, por isso, de nos chamar a atenção, com suma perspicácia, para uma certa constante da nossa formação histórica, que é a completa indiferença cultural, por meio do seguinte depoimento: “Esta é uma das maiores dificuldades que tem aqui a conversão. Há-se de estar sempre ensinando o que já está aprendido, e há-se de estar sempre plantando o que já está nascido.” Talvez constitua nosso verdadeiro legado negar a mínima confiança, no desprezo pela memória do que fomos e somos, em qualquer forma de presente, e entregar-se, impenitente, às mãos do futuro, esperando que as coisas criem um dia raízes mais firmes e fundas – mas como se fora nas nuvens – nessa terra onde, segundo o testemunho veraz de Pero Vaz de Caminha, em se plantando tudo dá…

Outro dado interessante desse texto é que ele nos mostra também a motivação histórica do que foi percebido por Olavo de Carvalho no seu já clássico Orgulho do Fracasso.