
Tradução e adaptação de um texto de Shawn Tribe:
Nas últimas décadas, ouviu-se muito na Igreja que o uso do preto como cor litúrgica seria algo contrário à esperança cristã na ressurreição dos mortos. Por isso, vários agitadores fizeram o possível para extirpar essa cor das missas de finados ou de outros ofícios litúrgicos relacionados aos mortos. Como resposta, eu poderia dizer que esse não é o caso de valorizar “um ou outro”, mas de “ambos”. Vou explicar melhor: mesmo os cristãos sendo de fato um povo cheio da esperança gestada na ressurreição, isso não invalida a resposta emocional natural representada pela tristeza do luto, nem o fato de que estamos igualmente conscientes da realidade do pecado, morte e julgamento. Tal consciência e reserva é simplesmente isso, uma consciência e reserva que brota do reconhecimento de uma genuína realidade espiritual, e não pode ser equiparada à falta de esperança ou a uma esperança insuficiente na ressurreição dos mortos. Não dar reconhecimento adequado a essas realidades é um problema.

Se você quiser falar sobre os pobres, neste lugar só eu posso falar, porque passei vinte e cinco anos na miséria de uma prisão comunista. Você também quer tirar dos pobres, que têm pouco para comer, toda expressão de arte, de música ou de beleza? Isso também? Você realmente não sabe que eles precisam mais do que aqueles que estão bem? – Yosyf Cardeal Slipyi (1892-1984), Arcebispo Maior de Lviv e chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, falando ao Sínodo dos Bispos em 1971.