
Relógio da Paixão



Um demônio apareceu a três monges e disse-lhes: se eu desse a vocês poder para mudar algo do passado, o que vocês mudariam?
O primeiro deles, com grande fervor apostólico, respondeu: “Eu evitaria que você fizesse cair Adão e Eva no pecado para que a humanidade não se afastasse de Deus”.
O segundo, um homem cheio de misericórdia, disse-lhe: “Eu anteciparia sua condenação eterna”.
O terceiro deles foi o mais simples e, em vez de responder ao tentador, ajoelhou-se, fez o sinal da cruz e rezou dizendo: “Senhor, livra-me da tentação do que poderia ser e não foi”.
O demônio, dando um grito estridente e estremecendo de dor, desapareceu.
Os outros dois, surpresos, disseram-lhe: “Irmão, por que você respondeu assim?”
Ele respondeu: “Primeiro: nunca devemos dialogar com o Diabo. Segundo: ninguém no mundo tem o poder de mudar o passado. Terceiro: o interesse de Satanás não era provar a nossa virtude, mas prender-nos no passado, para que pudéssemos negligenciar o presente, o único momento em que Deus nos dá a sua graça e podemos cooperar com Ele para cumprir a sua vontade”.
De todos os demônios, aquele que mais pega os homens e os impede de serem felizes é o “O que poderia ter sido e não foi”.
O passado é deixado à Misericórdia de Deus e o futuro à sua Providência. Somente o presente está em nossas mãos. Viva o momento.
Um ótimo resumo sobre o escapulário de Nossa Senhora do Carmo:
Sempre tive uma certa antipatia pelos “católicos aparicionistas”, isto é, por aqueles que levam mais em conta as revelações privadas, ou supostas revelações, que a Revelação Pública Universal, como explicada pelo Magistério. Isso é claramente um desvio. A postura de quem deixa de meditar nas Escrituras e estudar o catecismo pelas mensagens privadas, na minha experiência de vida, não constrói nada de duradouro, é uma casa com fundações na areia.
Não obstante essa visão, tenho um apreço pelas revelações recebidas por Santa Catarina de Sena e expressas no livro O Diálogo: não sou um cético, ok?!?
Assim, neste momento de obscurecimento das orientações dos pastores da Igreja, cabe a nós, como seres racionais que somos, usar os critérios já estabelecidos pelos séculos de experiência para discernir em cima de possíveis novas revelações e para colocar as antigas “no seu quadrado”. Nesse sentido, vi recentemente um vídeo que já tem mais de um ano do Diogo Rafael Moreira sobre o tema e que me parece ser bem didático e abrangente; por isso, vou postá-lo aqui (a indicação do vídeo não implica, como sempre, no assentimento sobre outros aspectos da visão eclesiológica do autor):

Tradução e adaptação de um texto do Dr. Peter Kwasniewski:
Os que suportam sofrimentos e têm fé em Jesus Cristo querem ser curados por Ele de alguma forma, em algum nível. Nos Evangelhos a maneira óbvia de fazer isso era tocar o Divino Mestre ou ser tocado por Ele. Todos tinham visto que Jesus era poderoso para curar, que a cura “saía Dele” e, portanto, acotovelavam-se e empurravam-se para ver se podiam atrair Sua atenção, entrar em contato com Sua mão ou vestimenta, ou mesmo Sua sombra.
Atenção: todo santo é um místico.
Embora nem todo místico seja um contemplativo “professo”, por assim dizer.
Isto significa que o santo “prático” ou “de ação” – do apostolado, da caridade social ou até da atividade política – tem, dentro desses marcos, uma Caridade singular que o distingue claramente dos meros “homens de ação”, e que expressa inequivocamente, em sua atividade, o Fim transcendente, a ele conduzindo.
Ninguém jamais será santo por ser (apenas) um eficiente homem de ação, ou mesmo alguém muito preocupado com os problemas humanos temporais ou a justiça social, o que se pode ser com os recursos meramente naturais, e com o qual se pode ir tranquilamente ao inferno.
– Joathas Bello