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Prólogo do Evangelho de São João

Título da aula: Prólogo do Evangelho de São João
Exposição: Ivone Fedeli
Bibliografia básica:
  1. BOISMARD, M. E. Le prologue de Saint Jean. Paris: Les éditions du Cerf, 1953
  2. THIEDE, C. P. A testemunha ocular de Jesus. São Paulo: Imago, 1996
  3. TRESMONTANT, C. Gospel of Matthew: Translation & Note. West Chester: Christendon Press, 2004
  4. PRAT, F. Jésus Christ. Paris: Beauchesne, 1953
  5. BENTO XVI. São Jerônimo e a paixão pelas escrituras. Audiência Geral de 14 de novembro de 2007. La Documentation Catolique, no. 2393, 06.01.2008, p. 9
  6. PAGELS, E. The Johannine Gospel in Gnostic Exegesis. Atlanta: Scholars Press, 1989
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Catequese Eclesiologia Teologia

Panorama das ciências teológicas

A teologia cristã é o estudo científico do cristianismo. O cristianismo é vida de união com Deus por meio de Jesus Cristo. Que significa religião, senão união do homem com Deus? E a característica da religião cristã não está toda no fato de realizar-se esta união por meio de Jesus Cristo? Ele é o “mediador”, o vínculo, a ponte entre a humanidade e Deus; e o é por sua íntima constituição, enquanto nele o homem e Deus estão unidos numa só pessoa. Por isso podemos dizer que o cristianismo está reunido e concentrado em Cristo.

Ora, o cristianismo pode ser considerado como história, como doutrina, como praxe. Se a teologia deve-o estudar cientificamente, de modo profundo, deverá caminhar em três direções: deverá estuda-lo primeiro historicamente, depois, doutrinamente, por fim, praticamente. Isto é, deverá desenvolvê-lo na sua ordem genética, na sua ordem constitutiva, na sua ordem prática.

O estudo genético ou histórico do cristianismo, começando de Abraão e chegando até nossos dias, com Cristo no centro, dá origem a duas seções do estudo teológico: a Sagrada Escritura e a História da Igreja; o estudo da doutrina, com que se procura expor e aprofundar os elementos doutrinais do cristianismo, dá origem à Dogmática e à Moral; o estudo prático, ao qual compete ensinar aos homens qual a ordem que devem seguir para viverem em união com Deus, dá origem à Pastoral, ao Direito Canônico, à Missionologia.

Nasce assim a árvore das ciências teológicas. Note-se que uma árvore é um organismo que vive de uma vida única, mesmo tendo partes bem definidas, como as raízes, o tronco, os ramos e os frutos. Na árvore da teologia, as raízes seriam a Sagrada Escritura e a História da Igreja; o tronco, a Dogmática e a Moral; os ramos com os frutos, a Pastoral, o Direito, a Missionologia.

Vamos, porém, a uma breve explicação, tendo sempre fixa nossa atenção na definição do cristianismo; Ele visa a união do homem a Deus por meio de Cristo.

Temos, antes do mais, a teologia histórica. Ela deve expor e explicar o cristianismo no seu aspecto histórico, na sua atuação: como era atuada a união do homem com Deus antes de Jesus Cristo, naquele pacto que hoje chamamos de Antigo [Testamento]; como foi atuada por Jesus Cristo que pregou, ofereceu sua vida e ressuscitou para estabelecer um pacto mais íntimo, mas profundo e definitivo, a que chamamos de Novo [Testamento]; como é atuada depois que Jesus Cristo mandou o Espírito Santo para que a humanidade, renovada, tivesse a possibilidade de viver unida a Deus, como Jesus viveu, na expectativa da união plena que será instaurada quando Ele voltar para concluir o drama da história.

O estudo da Sagrada Escritura, seguido pela História da Igreja, tem como único objetivo as vicissitudes da união do homem com Deus, isto é, da religião cristã. É evidente que o primeiro momento, o preparatório, está todo orientado para Cristo e sua obra de redenção, que formam o segundo momento, o central; é também evidente que o terceiro momento é uma continuação, um desenvolvimento do segundo. Poder-se-ia outrossim, falar de três épocas: a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo.

Jesus Cristo, o “religioso” no sentido definitivo – ponto ao qual tende a religião antes dele, e de onde parte depois dele – torna-se o único grande tema da Escritura e da História da Igreja. Estudar o aspecto histórico do cristianismo significa, portanto, construir uma vasta cristologia histórica. O estudo da Sagrada Escritura terá vários momentos (Introdução crítica, Exegese, Teologia bíblica), será ajudado pela filologia, pela geografia, pela arqueologia, mas seu tema central, que tudo ilumina e vivifica, é a realização da Redenção, é a história da salvação em Cristo e da união da humanidade com Deus por meio de Jesus Cristo. “Quando os padres – escreve De Lubac – inclinavam-se sobre aquelas página inspiradas, onde seguiam, nas sua fases sucessivas, a aliança de Deus com o gênero humano, tinham muito menos impressão de comentar um texto ou decifrar enigmas verbais, do que interpretar uma história. Ora, o que encontravam por toda parte nessa história era… o mistério de Cristo”.

O mesmo se deve dizer da história eclesiástica: poderá ser dividida em várias partes, como a história dos dogmas e da teologia, história dos padres (Patrologia), história dos Santos (hagiografia), história da antiguidade cristã (arqueologia), história dos concílios, história da espiritualidade, etc., mas a idéia diretiva e unificadora e sempre a mesma: é a história da humanidade remida que vive a nova vida em Cristo.

Temos depois a Teologia Doutrinal que prescinde a história como tal, e estuda a ordem constitutiva, isto é, a constituição íntima do cristianismo. Se o cristianismo é a união do home com Deus por meio de Cristo, indagamos: Quem é Deus? Qual sua vida íntima? Para que a Criação? Se ele vem ao nosso encontro, por meio de Jesus Cristo, perguntamos: “Cur Deus Homo?”. Se Cristo nos chama a nos unirmos a Ele, para ele nos tornamos filhos de Deus, interrogamos: Qual a realidade misteriosa que nos muda de criatura e filhos de Deus, dando-nos possibilidade de vivermos enquanto tal? Não somente eu, mas todos os homens são chamados a se unirem com Cristo em Deus: os que atendem o chamado, formam um grupo, uma Igreja, que não só vive em torno dele, mas vive nele, e que O espera na completa transfiguração do universo, a fim de que tudo e todos sejamos unidos a Deus e Deus esteja sempre unido ao homem por meio de Cristo.

Deus vivo em três pessoas, a criação, a Encarnação redentora, a graça e a vida cristã de fé, de esperança e de caridade, a Igreja, a vida eterna, eis os pontos básicos que a teologia doutrinal propõe-se expor, aprofundar e sistematizar. Por simples necessidade pedagógica, agrupa-os em duas séries: verdades dogmáticas, chamadas “dogmata diei”, e verdades morais, chamadas “dogmata morum”. A primeira parte da teologia doutrinal estuda os dogmas cristãos; a segunda, os costumes cristãos, isto é, o modo segundo qual os cristãos devem comportar-se, quer com Deus, quer com o próximo, em todas as circunstâncias da vida terrena: familiar, social, econômica etc. A teologia espiritual, ascética e mística, é apenas um particular da Moral, pois estuda o comportamento do cristão que se esforça por viver sempre mais intimamente unido a Deus.

Sem descer a outros pormenores é importante observarmos que a teologia doutrinal estuda somente as várias verdades, as quais condicionam os diversos momentos que constituem a nossa união com Deus. É, pois, estudo religioso no sentido mais estrito da palavra. E sendo que Jesus Cristo é causa e exemplar da união do homem com Deus, é também o ponto de conjunção – se não a raiz – de todo o sistema das verdades cristãs. Portanto, também a teologia doutrinal pode ser considerada como uma vasta cristologia.

Por fim, a teologia prática. A ela incumbe o estudo da ordem prática do cristianismo, ou seja, da “rectaratio”, do reto uso dos meios para unirmos o homem a Deus, por meio de Jesus Cristo. Quiséssemos seguir a lógica, deveríamos dizer que esses meios são três: pregar; o magisterium, celebrar a ação sagrada; o ministerium; guiar os homens remidos, o regimem. Teríamos assim o estudo da catequese em todos os seus aspectos, o da Liturgia no sentido mais amplo da palavra, os das leis segundo as quais dirigir a comunidade cristã, o Direito canônico com suas derivações.

Se seguirmos, porém, a ordem menos lógica, mas histórico-prática, segundo a qual este terceiro aspecto da teologia foi cientificamente organizado e cultivado, teremos o Direito canônico, cujo estudo científico começou na Idade Média; a Pastoral, que remonta ao século XVIII, a Missiologia, que pertence ao nosso século. Para maiores esclarecimentos e para as várias ramificações da teologia prática, pode-se recorrer a livros de introdução às ciências teológicas, como os de Krieg e Rabeau. Por enquanto, basta notarmos que a teologia prática não se propõe senão a edificar o Corpo Místico de Cristo, fazer Cristo viver no mundo e o mundo em Cristo. Aqui também estamos de algum modo na cristologia.

Resumindo, a teologia é o estudo aprofundado do cristianismo, união do homem com Deus, em Jesus Cristo, no seu tríplice aspecto de História, Doutrina e Praxe. Temos, assim:

  • A teologia histórica, que estuda o desenvolvimento ou os acontecimentos do cristianismo com a Sagrada Escritura e a História da Igreja;
  • A teologia doutrinal, que estuda a doutrina do cristianismo: as verdades, na Dogmática, e o procedimento cristão nas várias situações da vida, na Moral;
  • A teologia prática, que estuda a praxe do cristianismo: a técnica para inserí-lo nas almas, mediante a pastoral; as leis que regem a vida da comunidade cristã, mediante o Direito Canônico; a arte de dilatar a Igreja nas terras dos infiéis, com a Missionologia.

No coração de toda a teologia cristã está Jesus Cristo, único, eterno e insubstituível vínculo da união do homem com Deus.

Por Bernardo Bartmann

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Resposta a Dom Henrique Soares

Com toda a vênia devida a um Sucessor dos Apóstolos e invocando o Cân. 212 do CDC, o qual me dá direito de manifestar as minhas necessidades aos Pastores e dar minha própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja, eu vou comentar um trecho de um texto de Dom Henrique Soares da Costa, na época, Pe. Henrique, sobre a Missa Gregoriana, ou Tridentina.

O texto se encontra aqui.

Escreve o atual Bispo de Palmares:

Há um endeusamento da Missa de São Pio V que é errado, fora de contexto e trai a grande tradição litúrgica da Igreja. A Igreja tem, teve e terá sempre o direito e o dever de modificar seus ritos, de acordo com as circunstâncias e o discernimento da legítima autoridade apostólica, desde que não fira a essência mesma da estrutura sacramental.

No livro A Reforma Litúrgica Romana, prefaciado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, o Monsenhor Klaus Gamber, ao analisar as reformas anteriores a de Paulo VI, chegou às seguintes conclusões:

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Direito

Jejum e Abstinência no Direito Canônico de 1917

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Para os fiéis sensíveis à lei antiga de vivenciar a Fé, apresentamos a forma da obrigação do jejum e da abstinência no Código de Direito Canônico de 1917:

1º Dias de jejum com abstinência de carne para o Brasil: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feiras da Quaresma.

2º Dias de jejum sem abstinência de carne para o Brasil: Quartas-feiras da Quaresma; Quinta-feira Santa e Sexta-feira das Têmporas do Advento.

3º Dias de abstinência de carne sem jejum para o Brasil: As vigílias de Natal, de Pentecostes, da Assunção de Nossa Senhora e de Todos os Santos.

Lembramos que essa é uma opção para o fiel, ou seja, ele não está canonicamente obrigado a tal.

PS: Essa é a Lei com as devidas dispensas da Sé Apostólica para o Brasil.

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E das Trevas surge a Luz

Como um padre evitou a extinção de uma das mais belas paróquias de Chicago e com isso revitalizou o centro da cidade.

Em muitas das grandes cidades há o total abandono do seu centro, o que tem como consequência a criação de pontos de venda de drogas e prostituição.

Até aí nada além do esperado para a sociedade que trocou a busca de Deus pela busca do “divino” e “espiritual” (não existe nada menos concreto que essa ideia) com o intuito de justificar sua inércia espiritual.

Mas, no centro de Chicago, uma das cidades mais populosas dos Estados Unidos, surge uma comunidade que mudou o rumo local.

Trata-se da Paróquia de Saint Jonh Cantius, de origem polonesa, desenhada em 1898 por Adolphus Druiding e terminada 5 anos depois. A Igreja é um dos melhores exemplos de beleza arquitetônica na cidade de Chicago. Seu belo interior barroco permaneceu intacto por mais de um século e é conhecido pela sua opulência e grandeza, herança da suntuosa arte e arquitetura polonesa do século XVIII. A imponente torre de quase 40 metros de altura é facilmente vista nas proximidades.

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Em 1988, o Pe. Frank Fillips foi enviado por seus superiores para uma tarefa que nenhum pároco em sã consciência deseja: fechar as portas da sua freguesia.

Os descendentes poloneses haviam sumido, os prédios locais estavam degradados, não havia moradores na região e as empresas tinham desaparecido.

O Pe. Frank Fillips pensou consigo que poderia voltar a atrair pessoas se encorajasse os paroquianos a aprender o Ofício Divino e participar dos cânticos latinos da Igreja, fazendo da Matriz um lugar onde os fiéis podem participar de uma liturgia reverente e acompanhada de uma bela música.

Com a volta da reverência litúrgica a comunidade cresceu ao ponto que pôde financiar o Pe. Frank para a restauração da Igreja Matriz em 2012. E de um aspecto sujo, a Igreja voltou à sua bela condição original.

Três coros litúrgicos foram criados: um especializado em canto gregoriano, o outro em Polifonia Vieniense e um terceiro em Polifonia Renascentista (algo impensável até então). Também foram criadas turmas regulares de latim e grego para introduzir os fiéis às línguas universais da Igreja, catequese e passou a se realizar no local eventos culturais católicos.

A empreitada recebeu forte apoio da Arquidiocese local. O Bispo Auxiliar D. Joseph Perry (um exímio defensor do latim na liturgia) deu apoio integral ao Pe. Frank.

Com total crescimento, o Pe. Frank recebeu autorização do Cardeal George, em 1998, para criar a Sociedade dos Cônegos Regulares de Saint John Cantius, uma associação de sacerdotes que trabalham para a restauração da beleza na liturgia católica. Eles celebram o Rito Romano na forma Ordinária (tanto em latim como em inglês) e na forma Extraordinária.

Assim feito, o bairro em torno da Paróquia de Saint Jonh Cantius agora é um lugar moderno de se viver. Tornou-se um lugar que pôde vivenciar a renascença urbana. A Igreja até mesmo abriu um café para atender seus vizinhos.

Esse é um exemplo que a partir da organização da comunidade, com a perseverança e liderança do pároco é possível reconquistar os fiéis e até mesmo conquistar os infiéis.

Da mesma forma que a Igreja recolheu os cacos da Antiguidade e sobre isso criou a mais bela e esplendorosa Civilização, também agora nós recolheremos os cacos da Modernidade e criaremos outra ainda maior.

Aqui temos um belo vídeo que mostra mais detalhes e imagens da história que acabei de contar: