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O primeiro brasileiro a receber o hábito de Cavaleiro da Ordem de Santiago

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O primeiro brasileiro a receber o hábito de Cavaleiro da Ordem de Santiago foi o capitão Manuel Gonçalves Dória em 1647. Nascido em Salvador, recebeu a título de Cavaleiro pelo Rei Filipe IV da Espanha (Filipe III de Portugal) por sua participação na expulsão dos holandeses da Bahia em 1625.

No cerco holandês a capital da Bahia entre 1624 a 1625, o capitão Gonçalves Dias foi mencionado pelos principais cronistas da época como o líder das guerrilhas e emboscadas aos invasores: “Os holandeses foram acometidos pelo capitão Manoel Gonçalves Dória, com sessenta e seis soldados, fazendo-lhes considerável estrago, o que deu motivo a ordenar o governador holandês que ninguém geralmente saísse do recinto da cidade”, menciona Frei Vicente de Salvador.

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Como obedecer à Igreja

Tradução e adaptação de artigo de Joseph Shaw:

Entre as frases familiares do debate sobre a liturgia estão as que envolvem a obediência à Igreja. “A Igreja nos pede…”, “devemos obedecer à Igreja…” e afins, geralmente empregadas pelos partidários da reforma litúrgica. Não está imediatamente claro o que elas significam. O que essas pessoas estão dizendo quando se referem à “Igreja”?

Quando os teólogos querem discernir o “ensinamento da Igreja”, eles podem escolher algum ato “extraordinário” do magistério, como uma definição ex cathedra do Papa, mas muitas vezes não há nenhuma disponível. Sendo assim, eles vão para a Escritura e a Tradição, já que nelas está o Depósito da Fé: elas nos dirão o que a Igreja ensina. Os Padres e os Doutores são testemunhas da Tradição e também extraem suas implicações. Este é o magistério “ordinário” da Igreja e o modo ordinário pelo qual a Igreja transmite o ensinamento que lhe foi confiado por nosso Senhor.

É assim que, normalmente, Deus escolheu se revelar a nós; é assim que, ordinariamente, o Espírito Santo fala à Igreja: através do que foi transmitido. Quando as pessoas são levadas a derrubar a Tradição estabelecida em favor de uma nova leitura radical das Escrituras, talvez inspirada por uma revelação privada, podemos esperar ouvir alguma heresia.

Espero que isso não seja controverso, mas quando se trata da liturgia, uma atitude muito diferente costuma prevalecer. Os progressistas litúrgicos nos dizem que o Espírito os chamou, ou está chamando toda a Igreja, a adotar alguma inovação litúrgica: para dar apenas um exemplo, considere a assistência de mulheres no altar (coroinhas). Isso derruba a tradição de apenas homens e meninos servindo na Missa até onde os registros, que é o final do século 4 (veja o cânon 44 da Coleção de Laodicéia).

A unanimidade da tradição litúrgica aqui é impressionante, mas é posta de lado por duas razões. Uma é que não é uma questão dogmática, mas disciplinar; a outra é que em certo ponto o aparato legal da Igreja nos permitiu não seguir a tradição (pelo menos, na versão “reformada” da liturgia da Igreja Ocidental).

Esses dois argumentos são irrelevantes, entretanto, se aceitarmos que o Espírito Santo nos fala habitualmente através da Tradição da Igreja. Se o Espírito nos fala sobre a doutrina que Deus revelou através da Tradição com “T” maiúsculo, parece muito estranho dizer que devemos ignorar uma tradição litúrgica, quando ela nos fala sobre como Deus deseja que o adoremos. Claro que a liturgia não é doutrina; no entanto, há um paralelo óbvio com o magistério ordinário. Deus revelou um pouco sobre como devemos adorar nas Escrituras, e seria estranho se isso não fosse complementado pelos escritos litúrgicos dos Padres e Doutores e pela prática da Igreja.

O papel das tradições litúrgicas em nos comunicar a vontade de Deus sobre como devemos adorar é sustentado pela ideia de que a liturgia é uma “fonte teológica”, e também diretamente pelo magistério. Lemos na encíclica Mediator Dei (n. 56) de Pio XII, de 1947, que o desenvolvimento da liturgia ao longo dos séculos foi guiado pela Providência:

Como, em verdade, nenhum católico fiel pode rejeitar as fórmulas da doutrina cristã compostas e decretadas com grande vantagem em época mais recente da Igreja, inspirada e dirigida pelo Espírito Santo, para voltar às antigas fórmulas dos primeiros concílios, ou repudiar as leis vigentes para voltar às prescrições das antigas fontes do direito canônico; assim, quando se trata da sagrada liturgia, não estaria animado de zelo reto e inteligente aquele que quisesse voltar aos antigos ritos e usos, recusando as recentes normas introduzidas por disposição da divina Providência e por mudança de circunstâncias.

Essa ideia é repetida pelo Memoriale Domini, a instrução de 1969 que proíbe (com as inevitáveis exceções) a recepção da Sagrada Comunhão na mão. Esses dois documentos defendiam o desenvolvimento da liturgia contra aqueles que queriam fazer uso do que afirmavam ser um costume mais antigo. Quando se trata de uma questão em que não houve desenvolvimento que possamos ver, quando a prática da Igreja foi contínua e imutável desde os primeiros registros que existem até a década de 1990, mas, em oposição a isso, os padres foram autorizados a usar servidores do sexo feminino para “razões locais específicas” (Notitiae 30 (1994) 333-335), o caso é muito mais grave. Deus certamente está nos dizendo, por meio dessa tradição, que o serviço do altar por homens e meninos é algo que Ele deseja. Como essa mensagem poderia ser deixada de lado?

Uma abordagem alternativa seria dizer isso: a liturgia é criatura da Igreja, continuamente sujeita a mudanças por decreto legislativo, mas também é uma fonte teológica, e nos transmite a vontade de Deus, ou seja, o que a liturgia nos diz não é mais nem menos do que o que nossos superiores, aqueles que têm autoridade sobre a liturgia, querem nos dizer, e Deus está falando através deles (deve-se notar que não estamos falando necessariamente do Papa: até Trento os bispos e as ordens religiosas tinham ampla autoridade sobre sua liturgia; as Igrejas Orientais têm um alto grau de autonomia; e assim por diante).

Esta é uma concepção positivista da tradição litúrgica: a tradição litúrgica é apenas o que um legislador com a autoridade legal apropriada nos diz que é. No entanto, uma coisa é aceitar que várias pessoas tiveram ou têm autoridade legal sobre a liturgia; outra é sugerir que isso equivale a um novo órgão do Magistério. O sentido de dizer que a liturgia é uma fonte teológica, um testemunho da Tradição ao lado, embora subordinado, da Escritura e dos Padres, é que ela é o produto de um desenvolvimento orgânico, sob a Providência Divina, e tem em certo sentido a aprovação de séculos de uso na Igreja. Se, em vez disso, for o produto dos caprichos arbitrários de determinados titulares de cargos, então a ideia de que é uma fonte teológica torna-se impossível de manter. Esses titulares de cargos podem ter autoridade magisterial e, se assim for, podem exercê-la da maneira normal; contudo, ao se atribuir um significado especial à liturgia, estamos considerando-a uma fonte diferente de autoridade, não simplesmente outra versão da autoridade mantida por bispos e papas.

Quando falamos do que nos diz a tradição litúrgica como fonte teológica, as liturgias reformadas dos anos 60 têm menos peso do que as tradições litúrgicas milenares, não porque estas tenham sido instituídas por legisladores com maior autoridade, mas porque foram usadas e aprovadas pela Igreja durante vastos períodos de tempo. O que “a Igreja” está nos dizendo para fazer, liturgicamente, não é uma questão de olhar para a legislação mais recente, mas para o que a Providência imprimiu em inúmeras gerações de católicos.

A Igreja nos conta as coisas de várias maneiras, e essas coisas podem até estar em tensão umas com as outras. A tradição litúrgica, no entanto, tem autoridade especial para nos dizer como adorar: essa, certamente, é sua competência central. Se aceitarmos que “a Igreja” tem algo mais do que meros regulamentos humanos para guiar o culto católico, então devemos olhar para a tradição ampla e profunda, mesmo quando isso causa desconforto.

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Sociedade

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Crise Liturgia

Imagens podem falar mais que palavras

Uma proposta de Shawn Tribe:

Uma das impropriedades  divulgadas pelos neoconservadores na atualidade é a de que, de algum modo, o Concílio de Trento e o Papa São Pio V, criaram um novo Missal/rito litúrgico.  Isso é frequentemente usado para justificar o que aconteceu após o encerramento do Concílio Vaticano II. A realidade é outra, mas se alguém realmente deseja fazer com que ela atinja seu alvo, um bom exercício seria executar uma “Missa seca” de acordo com uma edição anterior do Missale Romanum (como esta) e gravá-la, e depois mostrá-la lado a lado com a Missa do mesmo dia tirada de uma edição do século XX.

Mostre as orações de cada uma, mostre as cerimônias de cada uma e deixe-as serem observadas lado a lado.

Se você realmente quiser ser ambicioso, adicione uma terceira janela mostrando a Missa para o mesmo dia de acordo com o rito paulino utilizando as opções mais próximas (e mesmo feitas ad orientem para que ninguém tente usar essas coisas como uma desculpa para cancelar o exercício ).

Outra variante desse tipo de projeto seria simplesmente colocar o usus antiquiior por um dia ao lado da liturgia paulina para o mesmo dia com o mesmo propósito – destacando as diferenças.

É um projeto ambicioso, mas é o tipo de coisa que poderia causar mais impressão popular do que uma centena de ensaios sobre o tema (ensaios que também são necessários, mas destinados a outro público).

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Defesa da vida Política

Políticos católicos e as excessões à proibição do aborto

Um político ou eleitor católico pode apoiar a proibição do aborto se houver uma exceção para gravidezes causadas por estupro, incesto ou risco de vida para a mãe?

Políticos e eleitores católicos não podem apoiar leis que mantenham ou aumentem o acesso ao aborto, mas podem apoiar leis que limitem o aborto, mesmo que essas leis ainda permitam que alguns abortos sejam legais.

Por exemplo, em um país onde o aborto é legal por qualquer motivo, um político católico poderia votar pela proibição do aborto, com exceção de gravidezes causadas por estupro, se ele soubesse que não é politicamente possível aprovar uma proibição total do aborto. O Papa João Paulo II ensinou o seguinte sobre o tema (Evangelium Vitae 73):

Portanto, no caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, « nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o próprio voto ».

Um particular problema de consciência poder-se-ia pôr nos casos em que o voto parlamentar fosse determinante para favorecer uma lei mais restritiva, isto é, tendente a restringir o número dos abortos autorizados, como alternativa a uma lei mais permissiva já em vigor ou posta a votação. Não são raros tais casos. Sucede, com efeito, que, enquanto, nalgumas partes do mundo, continuam as campanhas para a introdução de leis favoráveis ao aborto, tantas vezes apoiadas por organismos internacionais poderosos, noutras nações, pelo contrário — particularmente naquelas que já fizeram a amarga experiência de tais legislações permissivas —, vão-se manifestando sinais de reconsideração. No caso hipotizado, quando não fosse possível esconjurar ou abrogar completamente uma lei abortista, um deputado, cuja absoluta oposição pessoal ao aborto fosse clara e conhecida de todos, poderia licitamente oferecer o próprio apoio a propostas que visassem limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no âmbito da cultura e da moralidade pública. Ao proceder assim, de facto, não se realiza a colaboração ilícita numa lei injusta; mas cumpre-se, antes, uma tentativa legítima e necessária para limitar os seus aspectos iníquos.

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Apologética Bíblia

O nome dos Evangelistas

Seriam os nomes dos Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, inventados? Não teriam sido escolhidos para dar autoridade a escritos de outras pessoas? 

Muitos escritores antigos atribuíam suas obras a autores mortos há muito tempo para aumentar o prestígio delas, mas isso não se aplica aos Evangelhos. No primeiro século os autores ainda viviam e eles não eram as pessoas que você escolheria para adicionar prestígio a um documento. Seus nomes podem ser prestigiados hoje, mas na época as coisas eram diferentes.

Marcos e Lucas nem eram apóstolos, mas associados juniores. Marcos foi inicialmente companheiro de Paulo e Barnabé e mais tarde serviu como intérprete de Pedro, e Lucas foi um dos companheiros de viagem de Paulo.

Ambos são mencionados apenas algumas vezes no Novo Testamento, e as menções não são todas boas. Marcos (cujo nome completo era “João Marcos”) abandonou sua primeira viagem missionária (Atos XIII, 13), e Paulo se recusou a levá-lo em uma segunda missão. Isso levou a uma discussão tão acirrada entre Paulo e Barnabé que os dois terminaram sua parceria (Atos XV, 37–40). Marcos finalmente se redimiu (II Timóteo IV, 11), mas seu fracasso inicial permaneceu como uma marca negra.

Embora a reputação de Lucas fosse imaculada, ele é mencionado apenas três vezes (Col. IV, 14; II Tim. IV, 11; Filem. XXIV), tornando-o muito menos proeminente do que outros companheiros paulinos, como Timóteo (vinte e cinco menções), Tito (treze menções) e Silas (doze menções).

O Evangelho de Mateus é o mais judaico, o que faz de Mateus a última pessoa cujo nome lhe daria prestígio. Mateus não era apenas um apóstolo de nível médio (observe sua colocação quando os nomes dos Doze são dados; Mateus X, 2–4, Marcos III, 16–19, Lucas VI, 14–16, Atos I, 13) , ele também era um cobrador de impostos (Mateus IX, 9), e os cobradores de impostos eram odiados pelos judeus, que os viam como colaboradores dos romanos e pecadores (Mateus IX, 11; XVIII, 17).

O único nome importante associado a um Evangelho é João, pois, enquanto filho de Zebedeu, era proeminente (observe sua colocação na lista dos Doze).

Assim, com a possível exceção de João, os nomes dos Evangelistas não são os que se escolheriam para dar autoridade aos Evangelhos.

Traduzido e adaptado de Names of the Evangelists, de Jimmy Akin.

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Apologética Bíblia

Trento aceitou “livros apócrifos”?

PERGUNTA: Li recentemente em um livro protestante que o Concílio de Trento foi contraditório porque aceitou como canônicos alguns livros “apócrifos” – como I e II Macabeus -, porém não aceitou outros – como I e II Esdras. Como vocês respondem a isso?

RESPOSTA: Trento simplesmente reafirmou o cânon histórico da Bíblia depois deste ter sido contestado pelos protestantes. Os mesmos livros que Trento reafirmou foram confirmados por Concílios e Papas anteriores a Trento.

O primeiro Concílio registrado que lidou com o cânon foi o Concílio de Roma, o qual se reuniu em 382 d.C. sob o papa Dâmaso. Concílios [regionais] posteriores, como Hipona (ano 393) e Cartago [III] (ano 397), assim como o Concílio Ecumênico de Florença (ano 1438), reafirmaram o cânon emitido pelo Concílio de Roma.

Em todos esses Concílios, o cânon proclamado incluiu os sete livros deuterocanônicos – I e II Macabeus, Tobias, Judite, Baruque, Sabedoria e Sirácida [Eclesiástico] – e rejeitou I e II Esdras.

Assim, longe de ser contraditório, Trento reafirmou o que a Igreja havia ensinado desde os primeiros séculos.

Fonte: Catholic Answers, This Rock Magazine, 2003; tradução livre: Carlos Martins Nabeto.

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Crise Liturgia

Desvio na Tradição?

citação2Os teólogos contemporâneos e muitos católicos fazem uma confusão tremenda entre o grau de pureza das eras antigas da Igreja e o grau de perfeição da Tradição.

A época apostólica e dos mártires tinha instituições mais sumárias porque possuíam, de modo geral, uma santidade mais perfeita, e porque não havia tempo. A Cruz estava marcada em seu coração e o Espírito iluminava e fortalecia frequentemente sua mente e vontade; o rito eucarístico e as fórmulas doutrinais podiam ser bem mais simples.

Os Padres possuíam uma inteligência mais mística dos mistérios, por isso sua teologia poderia apoiar-se em filosofias mais religiosas sem o rigor aristotélico (de índole platônica ou helenística); era uma época em que os sucessores dos Apóstolos (bispos) e dos mártires (eremitas e monges) viviam mais próximos dos paradigmas ideais.

Mas a teologia escolástica, apoiada numa filosofia mais científica (aristotélica), e as ordens mendicantes, adaptadas à vida citadina, representam a condição de uma vida cristã “normalizada” e voltada para as boas inteligência e virtude “médias”; por isso, constituem uma condição de certo modo “definitiva”, útil na paz e nas perseguições (nestas obviamente poderia faltar o Espírito das origens, mas isso nada obsta à excelência dos instrumentos teóricos e práticos legados pela Igreja medieval).

Nem é estranho que nessa condição “normal” tenham brotado as duas expressões máximas da sabedoria e do heroísmo cristãos depois da era apostólica: S. Tomás e S. Francisco, que tiveram ocasião de manifestar extensivamente a inteligência e a encarnação do mistério (de fazer o que Cristo e os Apóstolos fariam se não vivessem sob o peso da urgência e o risco de morte).

Para um santo bastam as palavras da consagração; para o cristão médio, os ritos tradicionais são uma necessidade. Mas o santo ainda assim preferirá a Missa tradicional como o bem comum e a expressão ritual perfeita de sua [da de Cristo a quem ele está conformado] vivência intensa da Cruz.

Para um místico, basta um versículo da Escritura ou a oração de Jesus; para o cristão médio, o entendimento da Vida de Cristo lhe será facultado pela Suma Teológica. Mas o místico não a desprezará, antes encontrará nela, de modo raciocinado, o que ele inteligiu compactamente, e isto será necessário a sua pregação.

A ideia de que se possa despojar a Igreja das riquezas acumuladas, como se fossem “peso morto”, e “voltar às fontes”, não é razoável e, a rigor, é orgulho: é pressupor a própria sabedoria e santidade (que só precisaria contar com meios mais simples), e é ainda pressupor a própria situação (imaginada) como regra para todos.

Só o santo volta à Fonte, mas ele ama o grande rio da Tradição, não pretende assoreá-lo.

Esse despojamento não é verdadeiro enriquecimento, não é obra da santidade. O protestantismo, intento de “cristianismo despojado”, tornou-se um cristianismo adequado ao mundo, mostrou a inviabilidade desse caminho. A nova teologia deveria ter aprendido.

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As tradições apostólicas não escritas (cujo vetor principal são os Ritos Litúrgicos) se desenvolvem de modo análogo às doutrinas.

Insinuar, como fez o cardeal Cantalamessa, que as celebrações descritas por S. Justino ou S. Hipólito são mais “tradicionais” que o estágio “Tridentino” da Missa Romana equivale a dizer que as ideias patrísticas imprecisas sobre conversão eucarística são mais “tradicionais” que a noção de “transubstanciação”.

Se pudesse ocorrer um tal “desvio” na Tradição da Igreja (desde 1570? século XIII? Gregório Magno?), no núcleo mesmo de sua existência, que é a Missa, então a indefectibilidade da Igreja teria ido pro inferno há séculos.

Da mesma forma, se tal rito pudesse deixar de ser “lex orandi” por decreto, então haveria uma ruptura entre essa (pseudo)legislação e a Tradição.

Eu gostaria de saber que irmão católico, com a mão na consciência, com temor e tremor no coração, acredita realmente nisso de que o “diálogo interreligioso”, a “cooperação com a fraternidade universal”, Assis e Pachamama, comunhão de recasados, etc. têm direito à cidadania católica e a Missa Romana dos tempos canonizada em Trento, não?!

Como crer nesse tipo de coisa?! Quem realmente não percebe que é um pensamento néscio e uma adesão imoral?

Não temeis pela salvação de vossas almas, vivendo em tal obscuridade?

Não tendes o direito de seguir crendo assim.

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– Engraçado que a liturgia paulina mal nasceu e já teve um desenvolvimento orgânico muito mais rápido que o núcleo litúrgico apostólico – inculturações com “missas afro” e Cia., músicas dissonantes, palmas, dancinhas, ministros da eucaristia de jaleco branco de dentista, meninas coroinhas….

–  O rito paulino não se desenvolve, ele se corrompe como um cadáver, é um rito natimorto, pela informidade.

 Joathas Bello (postagens e resposta a comentário feito no FB)