Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉
Por que rezar o Rosário?
Uma explicação (em inglês) ao mesmo tempo concisa e profunda do bispo norte-americano Robert Barron sobre os motivos que nos levam a rezar o Rosário:
Os principais sistemas católicos sobre a predestinação, providência, graça e livre arbítrio:
1) Molinismo – Sustenta que Deus possui a “ciência média”, ciência dos futuríveis livres ou futuros livremente condicionados, os quais não estariam sob a determinação de Deus, mas das causas segundas que atuam livremente. A “ciência média” foi concebida por Pedro da Fonseca, filósofo português, e por Luís de Molina, jesuíta espanhol. Assim, Deus atuaria simultaneamente ao homem, com seu concurso, possibitando ao homem determinar a si próprio sem que a isso fosse conduzido previamente pela Causa primária. Sobre a predestinação, o molinismo entende que ela é posterior aos méritos previstos. Outros teólogos fizeram adições a esse sistema, chegando a modificá-lo em alguns pontos, o que resultou no congruísmo.
Quem dividiu a Bíblia?
Pergunta recebida de uma leitora:
Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?
Quem dividiu a Bíblia em nos capítulos que temos hoje, foi o clérigo inglês Stephen Langton, mais tarde arcebispo de Cantuária. Ele fez isso no início do século XIII, quando era professor na Universidade de Paris.
Até então, uma pessoa só conseguia encontrar uma citação se conhecesse bem a Sagrada Escritura. São Paulo, por exemplo, não tinha como ajudar os leitores de suas cartas a saber de onde tinha tirado o que estava escrevendo, e, por isso, usava expressões como “segundo está escrito” ou “como predisse Isaías” (Romanos III, 4; IX, 29).
Assim, vários eruditos criaram diferentes maneiras de dividir a Bíblia em partes menores ou capítulos, no intuito de que as pessoas encontrassem as citações que lhes interessavam. Mas tudo isso criou um problema: cada um tinha um sistema diferente. Num deles, o Evangelho de Marcos foi dividido em 50 capítulos, não em 16 como temos hoje. Em Paris, haviam estudantes de várias nações e cada um deles levava consigo uma Bíblia de seu país com diferentes formas de divisão. O diálogo, portanto, era impossível.
Então Langton desenvolveu novas divisões em capítulos, e seu sistema fez grande sucesso até o ponto de se universalizar.
A divisão em versículos, como temos hoje, é da lavra de um editor francês (um católico que apostatou para o calvinismo), chamado Robert Estienne, que viveu no século XVI. Vale notar que outros já tinham tido a ideia de dividir a Sagrada Escritura desse modo; copistas judeus, por exemplo, dividiram a Bíblia Hebraica em algo semelhante aos versículos muitos séculos antes, e o dominicano Santes Pagnino criou um sistema de versificação para o Novo Testamento em 1527. O que não se tinha era um sistema unificado.
Etienne, nesse contexto, dividiu o Novo Testamento em versículos numerados e depois juntou esse esquema ao dos copistas judeus. Em 1553, ele publicou a primeira Bíblia completa (em francês) com tal numeração e, apesar dos protestos de quem achava que desse modo o texto ficava muito fragmentado, sua sugestão se tornou virtualmente universal, com pequenas variações a depender da edição.
A Editora Realeza anunciou o pré-lançamento (façam suas encomendas o quanto antes!) da versão completa do Ordo anual que publicamos aqui no site. Essa versão, impressa, é muito superior. Vamos a uma descrição detalhada:
O nosso Ordo dispõe das instruções para quais Missas os padres devem se servir durante todos os dia do ano, com o próprio do Brasil. Esses dias vêm indicados e não negligenciamos a celebração ordinária.
Cada dia vem com a classe, as partes próprias (se houver), rubricas próprias (se houver), e a omissão do santo do dia (se houver). Além disso, está indicado a permissão para missas votivas e de réquiem.
Dentro do corpo principal, há também pequenas explicações sobre cada tempo litúrgico (Advento, Natal, Epifania, depois da Epifania, Septuagésima, Quaresma, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes e depois de Pentecostes) e suas rubricas gerais.
Antes do corpo principal, há o calendário próprio do Brasil, segundo concessão da Sagrada Congregação dos Ritos em dezembro de 1962. Soma-se a isso algumas explicações gerais de interesse do sacerdote, como a aplicação da Missa, as diferentes classes da Missa de defuntos etc.
Ao fim da obra, tem-se o Anúncio das festas móveis com o texto presente no Laudes festivæ de 1940, os prefácios galicanos e os recentemente aprovados no decreto de 2020 da Congregação para a Doutrina da Fé.
Como suplemento, a organização do Domingo de Ramos e do Tríduo Sacro segundo as rubricas de São Pio X.
Finalmente, para os padres da Arquidiocese de Olinda e Recife, há o próprio local.
Como todos podem notar, esse Ordo atende com excelência às necessidades das comunidades ligadas ao rito romano tradicional, agindo como um guia prático para o sacerdote e abrangendo todas as variações possíveis na realidade brasileira.
Te peguei…

Ao pensarmos em Deus, por mais que isso facilite falar d’Ele, é necessário afastar a linguagem antropomórfica. Deus não é homem: não pensa, nem age como homem. A visão tomista de Deus pode, assim, lembrar a algumas pessoas um ser impessoal, posto que Deus é imutável, impassível, um Deus que não interage com o mundo, nem escuta nossas orações (embora conheça maximamente nossas orações, e lhes determine a causa e o efeito, contudo quando dizemos que Deus escuta nossas orações, estamos usando uma linguagem “antropomórfica”). Podemos, no entanto, provar que Deus é pessoal, ou melhor, que ele não é menos do que um ser pessoal, ou que transcende o pessoal. Se Deus fosse menos do que um ser pessoal, não poderia ser a Causa da existência de seres pessoais, pois seus efeitos seriam, em ação e dignidade, superiores a Ele. Isso não significa, contudo, que Deus seja pessoa e racional na mesma medida em que o homem é pessoa e ser racional. Significa que Ele não é menos do que isso. A inteligência e a vontade de Deus são infinitas, e, comparados com Ele, nada somos. Dessa maneira, dizer que Deus é um Ser pessoal significa que tal noção a Ele se aplica por analogia, não univocamente. A perfeição que consiste num ser pessoal Ele a possui de modo eminente.
– Rui Ribeiro Machado