Ao pensarmos em Deus, por mais que isso facilite falar d’Ele, é necessário afastar a linguagem antropomórfica. Deus não é homem: não pensa, nem age como homem. A visão tomista de Deus pode, assim, lembrar a algumas pessoas um ser impessoal, posto que Deus é imutável, impassível, um Deus que não interage com o mundo, nem escuta nossas orações (embora conheça maximamente nossas orações, e lhes determine a causa e o efeito, contudo quando dizemos que Deus escuta nossas orações, estamos usando uma linguagem “antropomórfica”). Podemos, no entanto, provar que Deus é pessoal, ou melhor, que ele não é menos do que um ser pessoal, ou que transcende o pessoal. Se Deus fosse menos do que um ser pessoal, não poderia ser a Causa da existência de seres pessoais, pois seus efeitos seriam, em ação e dignidade, superiores a Ele. Isso não significa, contudo, que Deus seja pessoa e racional na mesma medida em que o homem é pessoa e ser racional. Significa que Ele não é menos do que isso. A inteligência e a vontade de Deus são infinitas, e, comparados com Ele, nada somos. Dessa maneira, dizer que Deus é um Ser pessoal significa que tal noção a Ele se aplica por analogia, não univocamente. A perfeição que consiste num ser pessoal Ele a possui de modo eminente.
– Rui Ribeiro Machado
True and False Conspiracies in History. In memory of Father Augustin Barruel (1741-1820)