Pois crê (opinativa ou humanamente, mas atribuindo subjetivamente fé teologal) que o Papa é infalível ou pelo menos indefectível em todas as expressões magisteriais autênticas.
Ora, o dogma é precisamente que é fisicamente impossível a heresia nas declarações infalíveis (qualquer outra interpretação inutiliza o dogma). As quais obviamente não podem ser avaliadas pelos teólogos e fiéis.
O sedevacantista – que não pode provar que Paulo VI era herege notório antes da eleição (e a rigor, depois também, pois as polêmicas tradicionalistas são questões realmente disputadas, não há evidência incontestável), mas só fazer elucubrações – acredita, por exemplo, que o papa Montini usou as formalidades da infalibilidade em DH e aprovou uma heresia!
Com isso, eles negam o dogma da infalibilidade ou o modificam: o papa seria infalível por já ser ortodoxo, e não por apelar ao carisma petrino e às devidas formalidades.
Obviamente Montini e o CVII não apelaram a ao carisma da infalibilidade (DH, bem como todas as afirmações doutrinais específicas do CVII são magistério não-infalível, que requer assentimento religioso em princípio, mas pode possuir algum defeito não herético), mas o ponto é que, segundo sua consciência errônea, o sedevacantista *é obrigado a confessar pelo menos como de fé eclesiástica a declaração de DH*, e *está proibido de avaliar se é ou não correto ou contraditório o suposto julgamento do papa*.
São bem confusos e pretensiosos o pensamento e postura sedevacantistas.
A crise da Igreja é tremenda, certamente a maior que já houve – contra o diagnóstico pueril de muitos -, mas a solução sedevacantista é emenda pior que o soneto.
– Joathas Bello no FB

Imagine a troca de experiências entre pessoas com uma bagagem literária muito grande. Elas possuem um monte de referências literárias em comum, de modo que ao trocar experiências elas parecem que estão tocando piano. E sempre que não conseguem expressar diretamente o que estão sentindo, elas recorrem a uma analogia literária. Escritores quando conversam entre si fazem isso o tempo todo. Eles têm muito mais bagagem de leituras feitas do que capacidade de expressão, assim como todo ser humano.