Categorias
Arte

Existe certo ou errado na arquitetura eclesiástica?

Em geral, quando falamos sobre a arquitetura das igrejas, encontramos mil e uma opiniões. Alguns preferem a arquitetura moderna, outros a gótica; uns gostam de muito rebuscamento, outros preferem um estilo mais clean, enfim, sempre caímos no campo do gosto subjetivo, que não é um caminho para o consenso. O cerne da questão estar em saber se esse tipo de arquitetura é um sacramento (no sentido lato, é óbvio), isto é, se é um sinal material que pode levar à transcendência e, em sendo, o que a Revelação tem a dizer sobre ele.

Sobre tal tema, apresento este vídeo (de uma série de dez) feito pelo famoso professor Denis McNamara do Instituto Litúrgico de Mundelein, e divulgado pelo New Liturgical Movement (com comentários que vou adaptar e traduzir), em que se discute a possibilidade de uma “teologia da arquitetura”:

Categorias
Arte Eventos

Congresso sobre arte

Meio em cima da hora, mas aí vai a divulgação:

Categorias
Arte Sociedade

Eu não sabia quem era ele

Semanas atrás quando o cantor sertanejo Cristiano Araújo morreu num trágico acidente de trânsito, eu passei meio ao largo da comoção popular e das polêmicas envolvendo uma frase dita pelo pai dele e uma crítica do apresentador global Zeca Camargo. Simplesmente não conhecia esse rapaz e nem me importo com o estilo das músicas dele. Fui, por isso, questionado um sem número de vezes, tanto por pessoas próximas quando por conhecidos virtuais, como se eu tivesse de ter opinião sobre tudo e como se fosse um ET por não me ligar nesse fato. Por isso, ao ler agora de manhã uma crítica do ótimo colunista de música do Jornal do Commercio, José Teles, sobre o livro Cowboy do Asfalto (Gustavo Alonso, Civilização Brasileira) que trata da história cultural da assim chamada música sertaneja, um trecho chamou minha atenção:

(…) Cristiano Araújo, um dos sertanejos universitários mais bem sucedidos causou surpresa quando morreu em acidente em 24 de junho passado. Aventou-se a ideia de que o fato de ele ser ainda um desconhecido para boa parte dos brasileiros, embora com milhões de fãs, seria a prova do abismo entre dois Brasis. O que não deixa de ser verdade. Porém, não tão simplista.

Cristiano era contratado da Som Livre, tinha trânsito livre pelos principais programas da TV Globo, incluindo as trilhas sonoras de novelas. Existe, porém, dentro da própria classe média uma divisão. A dos “cabeças”, ligada em TV por assinatura, seriados americanos, e que não acompanha a programação popular da TV. É incapaz de distinguir Gustavo Lima do citado Cristiano Araújo. Mas sertanejos são ídolos do interior do Sudeste e Centro Oeste e das grandes capitais há muito tempo. Sertanejos cantam para a classe média das Hilux, dos energéticos e dos festivais em que a música é o que menos importa. Nas favelas é o MC que fala para a juventude sobre novinhas, drogas e tretas. No Brasil está contido muitos Brasis.

Não, eu não sou do que ele chama de “classe média cabeça”, meus referenciais são anteriores aos desse grupo social e minha família tem outra origem, mas concordo com a base dessa análise, que, levando para o que importa neste blog, tem relação direta com o sucesso comunicativo das seitas pentecostais nas nossas grandes cidades e com o fracasso dos conservadores/tradicionalistas católicos em aumentarem seu protagonismo social. Compreender a linguagem e os anseios de uma sociedade materialista e plural é essencial na apresentação da Boa Nova de um modo frutuoso.

Categorias
Arte

Jesu Decus Angelicum

Eric Ramos, um organista que vale por um coral, canta essa tradicional música católica.

Categorias
Arte Filosofia Política Sociedade

Música e moralidade

Artigo do filósofo inglês Roger Scruton, publicado originalmente na revista American Spectator, e traduzido para o português por Hugo Medeiros (fiz pequenas modificações estilísticas):

músicaPlatão continua sendo o nosso melhor crítico de rock.

“Os modos de compor poesia e música não são alterados em qualquer lugar sem que haja uma mudança nas leis mais importantes da cidade.” Assim escreveu Platão na República (4.42c). A música, para Platão, não era um divertimento neutro. Poderia expressar e estimular a virtude – nobreza, dignidade, temperança, castidade. Mas também poderia expressar e estimular o vício – sensualidade, agressividade, indisciplina.

A preocupação de Platão não era muito diferente da de um homem moderno receoso com o caráter e o efeito moral do Death Metal, digamos, ou do kitsch musical do gênero de Andrew Lloyd Webber. “Os nossos filhos deviam estar ouvindo essas coisas?” é a pergunta que surge na mente dos adultos modernos, assim como “a cidade deveria permitir isso?” era a questão na mente de Platão.  Claro, há muito desistimos da ideia de proibir certos tipos de música por meio de leis. No entanto, é ainda comum acreditar que a música tem – ou pode ter – um caráter moral, e que o caráter de uma obra ou de um tipo de música pode “se impregnar” de alguma maneira em seus devotos.

Categorias
Arte Liturgia

Música Litúrgica

O que a Igreja ensina a respeito do canto na liturgia? O que pode e o que não pode tocar e cantar na Santa Missa? Neste vídeo do Pe. Paulo Ricardo, descubra a natureza da verdadeira música sacra e as orientações objetivas da Igreja a respeito do canto litúrgico. Como ensinava o Papa Paulo VI, nem tudo o que está fora do templo é apto para atravessar as suas portas.

Categorias
Arte Nossa Senhora

Hino de Nossa Senhora da Soledade

Nossa Senhora da SoledadeHino da Paróquia de Nossa Senhora da Soledade (Recife – Arquidiocese de Olinda e Recife):

I

Senhora da Soledade

Solidão não existia

Porque seu Filho deixou

A Santa Eucaristia

bis: Porque seu Filho deixou / A Santa Eucaristia

 

II

De olhar angustiado

Foi virgem sofredora

A vós nos recorremos

Por nossa intercessora

bis: A vós nós recorremos / Por nossa intercessora

III

Derrama as vossas bençãos

Sobre nós, povo sofrido,

Protegei a vossa Igreja

Das ciladas do inimigo

bis: Protegei a vossa Igreja / Das ciladas do inimigo

Repete I

IV

Das Dores, das Graças ou Lourdes

De Fátima ou Piedade

Do Carmo ou Aparecida

És Senhora da Soledade

bis: Do Carmo ou Aparecida / És Senhora da Soledade

V

Senhora da Soledade

Sem pecado concebida

Recebe dos nossos lábios

Os louvores oh! Mãe querida

bis: Recebe dos nossos lábios / Os louvores oh! Mãe querida

Repete I

Categorias
Arte Brasil profundo Personalidade

A fé de Ariano

Auto-da-compadecidaO professor de direito e confrade vicentino José Luiz Delgado vem, desde a morte de Ariano Suassuna, escrevendo uma série de textos sobre a sua convivência com o mestre do Armorial. O último desses escritos (Jornal do Commercio, Recife 26 de agosto de 2014) apresentou algumas informações sobre a fé católica de Ariano, de sua admiração por Alceu Amoroso Lima e sua relação com Gustavo Corção, e, por isso, transcrevo-o abaixo:

Mais lembranças

Impressionou-me a quantidade de gente, de “populares”, que saiu às ruas simplesmente para ver passar o cortejo fúnebre de Ariano. O “Brasil real”, que tanto ele amava e tanto defendeu, sabia reconhecê-lo, mesmo que não tivesse muito clara ideia do seu valor. Junto-me a esses para também chorá-lo.

No Conselho Municipal de Cultura, a que surpreendentemente me levou – até porque ele convocara ou discípulos e companheiros muito próximos das ideias dele (Raimundo Carrero, romance; Antônio Madureira, música; Gilvan Samico, xilogravura. Marcus Accioly, poesia) ou grandes personalidades, a quem profundamente admiriava (Dr. Murilo Guimarães e José Césio Regueira Costa) – penso que tivemos atuações complementares. Ariano se interessou  muito pelos vivos, promovendo, com editoras sulistas, a publicação de coedições para lançar nacionalmente poderosos talentos locais. E eu cuidei dos mortos… Inventei uma “Coleção Recife” justamente para publicar textos inéditos de autores pernambucanos já falecidos.