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Filosofia Teologia

Tomismo, molinismo e a filosofia

Texto do confrade Rui:

Luís de Molina

É fato que o magistério infalível não se pronunciou a favor de nenhuma escola na Controvérsia dos Auxílios, que teve lugar entre a doutrina de Santo Tomás, tal como desenvolvida por Domingo Bañez, OP, e a doutrina do jesuíta Luís de Molina. As duas doutrinas diferem, basicamente, no papel dado à causalidade divina (que tem que ser universal) e à liberdade humana (entendida como autodeterminação em relação à Causa primária, pela escola molinista). Como os católicos não são livres para tacharem de censuras as escolas, mas são livres para defenderem seu ponto de vista, como fazem e fizeram muitos teólogos, como Marin-Sola, Billot, Garrigou-Lagrange, eu coloquei aqui as principais dificuldades filosóficas do molinismo, que o tornam incompatível com a filosofia.

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Teologia

O livre arbítrio e a graça

Texto do confrade Karlos Guedes:

AdametEvedeTitienmuseduPrado_thumbExiste na teologia especulativa um longo e acirrado debate sobre como harmonizar o livre arbítrio do homem com a doutrina da graça. São, basicamente, duas linhas de pensamento: a escola tomista, que exalta a graça como o princípio da conversão do homem; e a molinista, que exalta a escolha humana no processo de justificação.

Antes de mais, o primeiro passo que devemos dar quando queremos entender um assunto é deixar bem definido e compreendido os termos da questão. Neste texto, portanto, faremos a definição de certas expressões para se entender melhor em que consiste a liberdade do homem e a graça de Deus.

Faremos então: definição dos termos, a saber: liberdade (inteligência, vontade e livre arbítrio); graça (com todas as suas divisões); situação básica das duas escolas; e por fim ousaremos propor uma harmonização.

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Catequese Família Teologia

Matrimônio à luz da eclesiologia

Aula em que Orlando Fedeli explica a relação entre homem e mulher como uma analogia da relação entre Cristo e a Igreja.

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Teologia

A criação contínua

Texto do confrade Rui Ribeiro Machado:

criação“Meu Pai segue trabalhando até agora e eu trabalho também.” (Jo 5,17)

Quando se fala em criação, a maioria das pessoas pensa imediatamente nos seis dias da criação, como está no relato de Gênesis, ou pensa no surgimento do Universo segundo a teoria do Big Bang, versão científica moderna do mito do ovo primordial. Ou seja, o problema de como o mundo se sustenta, se conserva após a criação, não é pensado imediatamente por essas pessoas, pois elas julgam ser natural que o mundo se conserve, depois de criado, assim como uma estátua se conserva depois de feita pela mão do homem.

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Crise Teologia

O papel da intenção do ministro na validade sacramental

Estudo do confrade Karlos Guedes:

sacramentos 2Existe uma querela no meio tradicionalista sobre a validade dos Sacramentos realizados segundo o rito novo. Os argumentos são de todos os níveis, abrangendo desde os signos sacramentais até a intenção do ministro.

Este texto visa discorrer um pouco sobre a influência da intenção do ministro para a validade sacramental porque julgamos ser o critério mais difícil de analisar. De fato, os signos sacramentais são por demais objetivos para razoavelmente se ter alguma dúvida sobre eles e, por isso, a certeza da validez por estes critérios é mais evidentemente percebida. Quando se trata da intenção, porém, vários obstáculos aparecem, tornando, sob este aspecto, o problema com uma solução não tão evidente.

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Bíblia Teologia

Escritura e razão

Se acontece que a autoridade das Sagradas Escrituras é posta em oposição com a razão manifesta e certa, isto quer dizer que aquele que interpreta a Escritura não a compreende de maneira conveniente; não é o sentido da Escritura que ele não pode compreender, que se opõe à verdade, mas o sentido que ele lhe quis dar.

Se antes da Criação do céu e da terra não havia tempo, para que perguntar o que fazíeis “então”? Não devia haver “então” onde não havia tempo.

Santo Agostinho

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Nossa Senhora Teologia

O Dogma da Assunção (1 de 3)

Foi em 1950 que o Papa Pio XII proclamou, para assombro de um mundo dividido pela cortina de ferro  e regozijo de uma Igreja ainda com uma musculatura invejável, o dogma da Assunção de Nossa Senhora. O tempo, contudo, parece que não contribuiu para um melhor entendimento dele; talvez isso tenha se dado por causa de toda a crise posterior ao Vaticano II, que teve entre seus pontos mais agudos um arrefecimento da mariologia (mas não da devoção mariana entre os fiéis católicos). Sendo assim, com muito custo de tempo, vou tentar dar uma contribuição ao estudo desse tema, transcrevendo (em 3 partes) um erudito artigo do então Frei Boaventura Kloppenburg, publicado na Revista Eclesiástica Brasileira de setembro de 1951.

assunção 2O Novo Dogma da Assunção

É justo que esta revista, que tomou parte ativa nos debates preparatórios do novo Dogma da Assunção – com todo um número especial e mais outros cinco artigos dispersos – ofereça algumas considerações em torno da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus “pela qual foi definido o Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu”. Não é minha intenção apresentar um comentário completo; quero apenas salientar alguns pontos que me parecem ser os mais fecundos e importantes.

1. O solene documento pontifício

Mas lançaremos primeiramente um olhar sobre o próprio documento que é, sem dúvida, o documento pontifício mais solene deste século. Suas palavras iniciais, munificentissimus Deus, lembram aquelas outras, de Pio IX, ineffabilis Deus. E creio que não andaremos mui apartados da mente de Pio XII, se teimarmos em ouvir nestas suas palavras iniciais um primeiro eco harmonioso do dogma da Imaculada Conceição. Pois exordia o Papa a sua exposição sobre o novo dogma da Assunção, recordando a “perfeitíssima harmonia” entre os privilégios mariais, salientando desde a primeira página a íntima conexão da corporal assunção com a imaculada conceição da Virgem Maria.

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Teologia

De Trinitate

Resenha feita pela consócia Janete de Cássia na comunidade Apologética Católica:

A obra De Trinitate deste grande santo doutor da Igreja, aborda uma questão central da fé cristã: a crença que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus. É importante ter em mente que o objetivo de Agostinho é combater as heresias de seu tempo, sendo que as principais eram o Arianismo e o Sabelianismo (ou Modalismo).

Como “bons hereges”, Ario e Sabélio eram muito instruídos nas Sagradas Escrituras; suas heresias eram bem embasadas em passagens dos Evangelhos. Por que este fato é importante? Porque Agostinho irá estruturar sua obra de modo a quebrar esquematicamente essas teorias. Vale lembrar também que essas heresias eram realidades muito presentes entre os primeiros cristãos, sendo um grande desafio afirmar que Deus é Uno e Trino. Superadas as perseguições, são os problemas de ordem interna, de doutrina, que começam a preocupar os cristãos.

A obra De Trinitate é composta de quinze livros que podem ser divididos em dois grandes blocos:

1) Do livro I ao VII, onde Santo Agostinho irá fazer uma defesa exegética e hermenêutica da doutrina da Trindade. Como bom retórico, irá apontar os trechos das Sagradas Escrituras que são usados pelos hereges e, com as próprias escrituras, irá apontar as falhas destes e as evidências da Trindade. Do livro I ao IV há um movimento lógico no texto, uma busca por “vestígios” de Deus nas escrituras. O santo cita as Teofanias do Antigo e Novo Testamentos. Do livro V ao VII, temos a análise agostiniana do “homem interior”. É o segundo grande momento lógico da obra, onde temos a investigação das dimensões do homem interior. Entra também no debate sobre o que é substância e natureza e garante que não há relação de subordinação na Trindade.

Considero importante nesta primeira parte o destaque que Agostinho dá para o conhecimento da Palavra como um todo. Ele aceita que um mesmo trecho possa apresentar mais de uma hermenêutica válida, porém elas devem ser somadas umas às outras, e nunca contraditórias.

O livro VIII é um divisor de águas, onde Agostinho procura encontrar os vestígios de Deus no interior do homem. Destaca a importância da caritas, pois é ela quem move o homem em sua busca por Deus. A aproximação de Deus se dá por meio da semelhança que temos com ele.

2) Do livro IX ao XIV encontramos um exercício de purificação. Agostinho começa a buscar vestígios da imagem Trinitária no ser humano, sendo a principal tríade a memória, a inteligência e a vontade.

O livro XV é uma retomada dos assuntos abordados, uma espécie de resumo e conclusão. É uma obra densa, que exige esforço para compreensão e também um pouco de conhecimento do pensamento agostiniano, mas um esforço que vale a pena ser empreendido, dada a riqueza de conhecimentos que nos traz.