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Arte

Arte católica antiga: a grandeza bizantina

Em 313, o Imperador Constantino proclamou o cristianismo como uma das religiões permitidas do Estado. Isso provocou uma revolução nas artes da Igreja. Até então, o artista fora um autodidata, aprendendo a trabalhar somente para o momento, sugerindo, insinuando, jamais se entregando totalmente, trabalhando na escuridão, em superfícies pequenas e inadequadas, despreocupado com qualquer coisa que não fosse o presente, cônscio da morte que espreitava em todos os cantos. Agora, subitamente, o brilho da publicidade o envolvia. Ele tinha de decorar basílicas em vez de túneis; glória alguma era demasiada para o Rei dos Reis; antes que seus olhos estivessem acostumados com a luz, exigiram dele grandeza e permanência.

Quase que imediatamente surgiu o difícil problema das imagens. A fé judaica, de onde nascera o cristianismo, interpretara o primeiro mandamento como uma proibição do uso de “imagens esculpidas” para que elas não se transformassem em ídolos. Essa tradição prosseguiu na Igreja primitiva. Assim, a Casa de Deus não teria estátuas. Outras representações também poderiam muito bem ter sido proibidas naqueles primeiros tempos de confuso entusiasmo, se não fosse a lucidez do Papa Gregório Magno, que observou que “a pintura pode fazer pelo analfabeto o que a escrita faz pelos que podem ler”.

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Arte Política

Eles eram a consciência do proletariado

Ao lado de Abelardo, Gilvan Samico e Welligton Virgolino, José Cláudio funda, em 1952, o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR). O centro de experimentos de gravuras e desenho empenhado numa arte de contundência tão social quanto estética funcionaria até 1957. “Abelardo botava esse direcionamento, sem ser explícito. Cada um fazia o que quisesse, mas ele era do partido, era comunista, e o partido adotava uma lei criada por Zdanov”, diz ele, sobre o teórico e braço direito de Stalin que, em 1934, elaborou, em parceria com o escritor Gorki, as diretrizes estéticas do chamado Realismo Socialista. Ideologia estética do partidão, o corolário preconizava que as artes deveriam ter compromisso cívico e pedagógico com as massas.

(…)

Um dia, numa vila, um delegado lhe exigiu que lhe pintasse um quadro. Ao perguntar ao delegado se era verdadeira sua fama de matar pelo menos um por ano, teve a confirmação da boca do homem: “Eu, infelizmente, nunca me livrei desse vício”. Atendendo, com a urgência do momento, ao pedido, José Cláudio executou um índio “de saiote, idealizado como na escola”, flechando uma arara. “Ele ficou na maior felicidade”.

Do episódio, nem tão prosaico, o pintor construiu uma espécie de dogma pessoal. “Abelardo dizia que a gente deveria pintar para o povo, mas eu nunca vi ninguém perguntar ao povo o que ele quer que a gente pinte”. Desde então, ele praticamente só pinta quando lhe definem a demanda.

– Bruno Albertim numa reportagem sobre o pintor modernista pernambucano Zé Cláudio (Jornal do Commercio, Recife, 29 de março de 2017)

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Humor Política

O problema é o referencial… ou “how to make a fake news”

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Apologética

Fim do Acies Ordinata?

Parece que o blog Acies Ordinata, que era o mais prolífico site sedevacantista brasileiro – embora de um sedevacantismo bem específico – acabou. Uma pena, pois, apesar das claras discordâncias com seu autor, tenho de reconhecer que existiam muitos textos bons, quiçá essenciais, nele.

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Família

Qual é a missão de um pai?

A São José coube a nobre e exigente tarefa de ser o pai adotivo do Filho de Deus.

Olhando para a sua identidade espiritual e missão diante de Deus, Padre Paulo Ricardo mostra, nesta aula, como os homens podem viver plenamente a sua paternidade no mundo de hoje.

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Catequese Espiritualidade

Por que o Filho de Deus quis ter um pai humano?

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Cultura Sociedade

Cultura e salvação

Texto do professor Flávio Brayner (Jornal do Commercio, Recife, 15 de fevereiro de 2017):

Há 75 anos, fevereiro de 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig e sua 2ª esposa, Lotte, davam fim às suas vidas em Petrópolis, quando souberam dos horrores que os nazistas estavam praticando na Europa. A última novela de Zweig foi escrita no Brasil – O Jogador de Xadrez. O personagem principal, um campeão mundial de xadrez, Czentovic, dá seu lugar de protagonista a um outro, um obscuro passageiro que se encontra no navio (onde se passa a história) que faz a viagem de Nova Iorque para Buenos Aires. Czentovic, um arrogante enxadrista aceita, para passar o tempo, jogar uma partida contra vários adversários e, no meio deles, encontra-se alguém que – embora não jogue há mais de 20 anos – sopra jogadas que forçarão o campeão a declarar um desmoralizante “empate”.

O narrador descobre, numa longa conversa de convés com esse estranho, tratar-se de um advogado austríaco que conseguira esconder dos nazistas os bens de instituições religiosas e que, denunciado, é preso pela Gestapo em condições aterradoras: um quarto sem janelas, apenas com uma cama e a proibição de que qualquer pessoa lhe dirija a palavra. Meses de silêncio e isolamento, a perda das noções de tempo e espaço, morto em vida, um homem diante do nada, até que… é chamado para o primeiro interrogatório. Na espera, que dura várias horas antes de ser interrogado, descobre no casaco de um oficial, posto a secar, um livro! Rouba-o e descobre mais tarde, já em sua cela, tratar-se de um manual de xadrez repertoriando as mais importantes partidas dos dez maiores enxadristas mundiais. Em seu absoluto isolamento, refaz na imaginação cada partida, coloca-se no lugar dos adversários, joga contra si mesmo, imagina “simultâneas”, compreende as estratégias, as armadilhas, prevê lances futuros, tudo isso sem uma peça sequer de um tabuleiro real! Próximo à loucura é libertado e… encontra-se, agora, a caminho da Argentina.

Zweig, autor de O Mundo de Ontem – uma elegia sobre a derrocada dos valores morais e intelectuais que forjaram a Europa até a 1ª Guerra – retoma nesta novela a crença que lhe foi cara (e para tantos intelectuais daquela Europa): a de que poderíamos ser salvos pelos livros e pelos padrões elevados de cultura. Há, hoje, algum “livro” que poderia nos salvar da barbárie já a caminho? Pessoas religiosas diriam que sim, mas, numa sociedade tão secularizada como a nossa, que destruiu o Inferno e não crê nas vantagens do Céu, penso que perdemos a noção da importância dos valores transcendentes que a cultura proporciona.

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Espiritualidade

O que é um “ato de fé”?

Um dos erros mais recorrentes em nossa vida de oração é tomar como parâmetros do amor de Deus os sentimentos que experimentamos ao rezar ou ao ouvir, por exemplo, uma pregação bem feita.

O essencial de uma vida interior fecunda e verdadeira, no entanto, reside não nas consolações que às vezes sentimos, mas naquilo que denominamos “ato de fé”: uma iluminação interior que, à margem de qualquer sensação física, nos impulsiona a responder efetivamente ao amor que Deus manifestou por nós em seu Filho bem-amado.

E como se produz em nossa alma esta luz interior que nos leva a, crendo, amar mais a Deus e, amando-O, crer nEle com mais firmeza e fidelidade: