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A restauração tridentina

citação2A restauração litúrgica (melhor que “reforma”) de Trento ou de S. Pio V tanto conhecia formas mais antigas da Liturgia Romana, quanto foi deliberadamente antiarqueologista, reconhecendo a Liturgia da Idade Média como a “forma antiga” que havia sido o ponto de chegada do legítimo desenvolvimento das formas primitivas (ao contrário do que imaginavam Bugnini e Paulo VI, que diziam que o resultado da reforma do século XVI “foi limitada pela ciência da época”):

“Pelos padrões do século XX, a quantidade de investigações sobre as origens e a história do desenvolvimento litúrgico disponível para esta comissão era minúscula. Sabemos, no entanto, que a comissão teve acesso a manuscritos antigos dos quais eles poderiam, sem dúvida, ter destilado um rito mais puro e antigo ou desde os quais poderiam ter desenhado formas antigas para substituir as de origem posterior.

Vimos, porém, que os mesmos papas responsáveis ​​pela reforma litúrgica de Trento rejeitaram o antiquarianismo litúrgico do cardeal Quignonez. Os reformadores tridentinos não se sentiram livres para seguir esse caminho. Em vez disso, as formas litúrgicas desenvolvidas organicamente de origem posterior foram respeitadas como legítimas.

O princípio fundamental dessa reforma era, de fato, o da restauração. Mas não foi uma restauração baseada em princípios protestantes, iconoclastas ou antiquarianistas, nem foi uma reforma que buscou inovar. Foi uma restauração que buscou recuperar a beleza da Liturgia Romana. O organismo foi podado para voltar a florescer. Certamente, ‘o padrão da comissão era a antiguidade’, mas por antiguidade a comissão entendia a liturgia romana desenvolvida do século XI: o missal da Cúria Romana difundido pelos franciscanos.

Assim, a frase usada pela bula Quo primum de São Pio V para descrever o princípio fundamental da reforma de Trento, “ad pristinam Missale ipsum sanctorum Patrum normam ac ritum restituerunt” (restaurou o próprio missal à norma prístina e ao rito dos santos Padres), não significa, quando lida em seu contexto, um retorno a alguma forma supostamente ‘pura’ da Liturgia encontrada na antiguidade, como as nascentes formas litúrgicas, digamos dos primeiros quatro ou seis séculos, como é assumido hoje. Em vez disso, eles se referiam a formas litúrgicas desenvolvidas com uma Tradição viva de mais de duzentos anos. A provisão de São Pio V em Quo primum para a continuação dos ritos locais que têm um costume desta extensão ilustra precisamente onde os limites da antiguidade estavam em sua mente”.

(Dom Alcuin Reid, The Organic Development Of The Liturgy)

– Joathas Bello

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Via Sacra do Adoremus

Do começo do século XX até 1970 o Adoremus foi o principal devocionário usado no Nordeste do Brasil. Conheci ao longo da vida inúmeras pessoas, entre elas uma de minhas avós, que, em meio a toda devastação que a Igreja sofreu no pós-concílio, mantiveram a Fé tradicional por causa desse livreto. Assim, folgo em saber que a Editora Domus Aurea prepara uma edição crítica dessa obra (reunindo tudo que se publicou nas edições de 1906, 1929, 1937, 1942 e 1963, e sem a ridícula inovação – Mistérios Luminosos – que a Ecclesiae fez).

Como “tira gosto” do que vem por aí, aproveitando o início da Quaresma, a Domus disponibilizou a Via Sacra do Adoremus, que agora compartilhos com os leitores:

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Há conflito entre fé e razão?

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Batismo: fundamentos

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Diferenças no Ofício Parvo segundo as rubricas de São Pio X e as de Trento

Pergunta feita pela leitora Aurora:

Lendo seu post sobre o Saltério de São Pio X fiquei pensando em como isso afetou o Ofício Parvo, nos Salmos e em outros elementos.

Ótima pergunta! 

Graças a Deus as mudanças foram mínimas. Em 62 foram um pouco mais, e na minha visão infelizes. Na verdade, se uma edição de meus sonhos fosse publicada, ela conteria o formato que temos nessa edição da Vozes de 1940 que disponibilizei, somado a alguns anexos enriquecedores (como um sobre as indulgências, um sobre a história e alguma coisa na área musical), algumas melhoras pontuais na tradução e com os elementos que foram perdidos na aplicação da reforma de São Pio X. Facilmente, com algumas notas no fim, uma obra com essa organização poderia se adaptar, a depender do gosto de quem a estive usando, ao sistema de rubricas pianas e joaninas (obviamente com o destaque de que as joaninas é que são normativas).