Há uma questão crescente nos nossos dias: qual exatamente é o status das ordens menores (porteiro, leitor exorcista e acólito) no rito romano? Podemos acrescentar a essa lista a ordem maior do subdiaconato. A despeito de sua imensa antiguidade, o que deveria ter lhes dado amplo suporte na “reforma litúrgica” (elas são mais antigas que o tempo do Advento), as ordens menores foram abolidas na forma pela qual existiam antes (ou, pelo menos, assim pareceu a quase todos que viviam na época) por Paulo VI na sua Carta Apostólica Ministeria Quaedam de 1973. Mesmo assim, tanto as ordens menores quanto o subdiaconato nunca deixaram de ser conferidos num lugar ou noutro do orbe católico; e a frequência aumentou ainda mais graças à Ecclesia Dei de João Paulo II e ao Summorum Pontificum de Bento XV, no intuito de atender ás jovens vocações que fluem dos institutos religiosos tradicionalistas. Certamente temos uma situação estranha aqui.
Até onde entendo, há uma visão neoconservadora sobre o tema e uma “radtrad”.
Como o circo de horrores em torno da ditadura chinesa parece não ter fim, hoje tomei conhecimento das “vans da morte” existentes nesse país: veículos onde são efetivadas sentenças de execução por meio de injeções letais, sob a justificativa de que assim o ato é mais barato, humano e limpo. Vejam uma animação sobre o tema:
De início, pensei algo do tipo “coisa de comunistas”, “o partido comunista chinês (PCC) é um dos principais problemas deste século”, mas, em pouco tempo, notei como isso não difere do modo como as sociedades no que outrora foi o Ocidente lidam com a morte. A assepsia e distanciamento na maneira como esse momento é tratado tornam as vans do PCC como apenas outra faceta de um decaimento civilizacional que é mundial.
Veja-se, por exemplo, o “turismo de suicídio” que encontramos na Suíça, ou este caso no Canadá, no qual uma senhora de 90 anos, por não querer enfrentar um novo “tranca rua” no asilo em que vivia, pediu à família o suicídio assistido (ela morreu com seus parentes e amigos cantando músicas ao seu redor enquanto um “médico” aplicava uma injeção letal). Nada mais configurado para não atrapalhar a vidinha burguesa que somos levados a valorizar; nada mais configurado para logo esquecermos desse momento e voltarmos à rotina de ganhar e comprar, servindo a Mamon. O sofrimento não cabe na moldura com que se tenta enquadrar a realidade.
Assim, “nosso mundo” não difere muito daquilo que os comunistas chineses criaram e, portanto, não é de admirar que as mazelas permitidas pela Providência nos atinjam por igual.
“Os defeitos da democracia política como sistema de governo são tão óbvios, e têm sido tantas vezes catalogados, que não preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia política foi criticada porque conduz à ineficiência e fraqueza de direção, porque permite aos homens menos desejáveis obter o poder, porque fomenta a corrupção. A ineficiência e fraqueza da democracia política tornam-se mais evidentes nos momentos de crise, quando é preciso tomar e cumprir decisões rapidamente. Averiguar e registrar os desejos de muitos milhões de eleitores em poucas horas é uma impossibilidade física. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decisão aos eleitores – em cujo caso todo o princípio da democracia política terá sido tratado com o desprezo, que em circunstâncias críticas ela merece; ou então o povo é consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequências fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adotaram o primeiro caminho. A democracia política foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.”
— Aldous Huxleyin “Sobre a Democracia e outros estudos”, 1927
Texto que foca em mais uma abertura ao erro dada pelo Papa Francisco, pois sua nova encíclica (Fratelli Tutti) deu argumento aos que dizem que ele sacramentou nela a mudança no ensino magisterial no que concerne à pena de morte. Mas, assim como um matemático, ao identificar uma verdade matemática não pode mudá-la, a Igreja, após identificar uma verdade revelada (a pena de morte não é imoral em si mesma) não transformá-la em erro. Infelizmente o autor parecer ser condescendente demais com o Papa.
Finalmente, depois de longo tempo, um bom texto publicado no site da “associação” Montfort, no caso uma bela explicação sobre as primeiras palavras do Salmo XLII, com o qual se inicia a Missa no rito romano tradicional.
Os mosaicos mais antigos de Milão foram restaurados; neles encontramos pistas interessantíssimas de elementos pertinentes não só à liturgia ambrosiana ou romana, mas também a doutrina cristã.
O conflito que estourou entre o Azerbaijão e Nagorno-Karabakh é mais uma etapa no jogo geopolítico da Turquia que tem, como teve no passado, a perseguição aos cristãos como uma de suas características. Nesse contexto, as igrejas terem se tornado um refúgio é um forte símbolo preparado pela Providência:
Entrevista com Peter Kwasniewski, no qual ele conta como conheceu o rito romano tradicional; fala das grandes diferenças entre esse rito, no que tange à Missa e ao Ofício, e o rito paulino; e as consequências eclesiais do abandono de uma tradição quase bimilenar.
Fortíssima declaração do Arcebispo Viganò, a primeira diante das câmeras em dois anos:
A Igreja de Cristo não tem relação com aqueles que executaram um plano, nos últimos 60 anos, para ocupá-la!
Esse pronunciamento histórico, que, da parte de um alto prelado, desvela tudo que a postura cínica dos modernistas e a cegueira dos neoconservadores velou por tanto tempo, pode ser lido aqui.