A realidade sempre tem o poder de nos surpreender, muitas vezes para pior. Pois bem, no ano passado tive aula numa disciplina eletiva num curso diferente do meu, o de filosofia (era a disciplina de filosofia da arte), e certo dia, conversando com alguns colegas, fui surpreendido pela pergunta de um deles que, ao saber que eu e mais um outro estudávamos geografia, me questionou sobre a esfericidade da Terra. De início achei que tinha entendido errado, até porque a pergunta vinha de alguém que reputo bem inteligente, mas ele explicou que sua pergunta tinha relação com alguns vídeos que estavam rolando na internet onde se questionava a “Terra redonda”, relacionando isso com teorias conspiratórias (“se a Terra é redonda, por que a figura que aparece no símbolo da ONU não é assim?”). Vi logo que se tratava de mais uma onda de maluquices, expliquei a ele sobre a projeção azimutal e sobre o “desaparecimento” dos navios em alto mar por causa da curvatura do planeta. Não procurei saber mais nada sobre essa onda, até por falta de tempo.
Nas últimas semanas, contudo, tenho sido surpreendido pela indicação no YouTube de vários vídeos com a defesa da “Terra plana”, ou seja, o delírio cresceu… ele tomou corpo no meio neopentecostal, no qual cegos que guiam cegos acreditam que estão mais “conservadores” ao serem obscurantistas (qualquer semelhança com certos católicos tradicionalistas e neconservadores não é mera coincidência). Sem tempo e saco de ver essas porcarias, fui salvo por um vídeo do Conde, que compartilho abaixo:
Ao lado de Abelardo, Gilvan Samico e Welligton Virgolino, José Cláudio funda, em 1952, o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR). O centro de experimentos de gravuras e desenho empenhado numa arte de contundência tão social quanto estética funcionaria até 1957. “Abelardo botava esse direcionamento, sem ser explícito. Cada um fazia o que quisesse, mas ele era do partido, era comunista, e o partido adotava uma lei criada por Zdanov”, diz ele, sobre o teórico e braço direito de Stalin que, em 1934, elaborou, em parceria com o escritor Gorki, as diretrizes estéticas do chamado Realismo Socialista. Ideologia estética do partidão, o corolário preconizava que as artes deveriam ter compromisso cívico e pedagógico com as massas.