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Frei Damião em Taperoá (PB)


Frei Damião em 1969 na cidade Taparoá (PB). Esse vídeo é uma verdadeira relíquia!

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Eclesiologia

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Lá só estudam Wittgenstein

chatDiálogo que ouvi esperando o elevador numa universidade:

Aqui não tem linha de pesquisa na obra de Tomás de Aquino.

Tem não. Infelizmente.

Mas na Católica deve ter.

Tem nada.

Como não? E os padres?

Fui num seminário e eles só estudam Wittgenstein, Hegel…

Por que será mesmo que a doutrina da Igreja se tornou um tesouro fechado até mesmo para o clero?

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Eclesiologia

Meu professor é Papa

Depois da Jornada Mundial da Juventude, muitas pessoas ficaram com vontade de saber um pouco mais sobre quem é e sobre o que pensa o Papa Francisco e acho que uma pequena entrevista publicada na revista Veja de 3 de abril de 2013 pode ser esclarecedora:

O padre da Igreja de Santa Cecília, no Rio de Janeiro, fala sobre o período em que foi aluno do Papa Francisco na faculdade de teologia de Buenos Aires.

Como o senhor conheceu o Papa?

Em  1985, estudei na Faculdade de São Miguel, em Buenos Aires. O Papa ainda era padre e, entre 1987 e 1988, foi meu professor em duas disciplinas: teologia pastoral e doutrina social da Igreja.

Como ele era professor?

Firme, cobrava bastante dos alunos. Mas o seu jeito simples já era claro naquele tempo. Muito sábio, mas humilde e amigo de todos. E ele tinha muito senso de humor. Reunia-se com os alunos depois das aulas e contava piadas, falava do San Lorenzo, o time de futebol dele. Lembro-me também de que ele nos mandava ler dois textos do Concílio Vaticano II de que gostava muito: Gaudium et Spes, que significa Alegria e Esperança; e Lumen Gentium, que quer dizer Luz dos Povos. Dizem muito sobre ele.

Ficou supreso quando ele foi escolhido Papa?

Muito. Nenhum jornal falava dele. Estava assistindo à transmissão do conclave e, quando anunciaram seu nome, gritei “Meu professor!”. Foi emocionante.

Quando o encontrou pela última vez?

Depois de me ordenar sacerdote, estive com ele algumas vezes. A última foi em 2012, quando almoçamos juntos na Argentina. Estava muito alegre. Vou tentar revê-lo quando vier ao Rio para a Jornada da Juventude. Agora que ele é Papa, o assédio deve ser muito grande. Mas acho que consigo falar com ele, né?

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Eclesiologia Liturgia

História da retomada do Rito Gregoriano em Recife até 2012

Desde a reforma litúrgica do final da década de 1960 muitos estudiosos da liturgia e inúmeros fiéis ao redor do mundo lamentaram a perda de elementos que caracterizaram durante séculos o culto prestado ao Criador pela Igreja ocidental e que estão especialmente consolidados na chamada Missa Tridentina, ou melhor, no Rito Gregoriano segundo a sua forma normatizada em Trento.

No nosso país não foi diferente, pois, além do motivo citado, o rito gregoriano é parte integrante da identidade nacional, já que perfez o modo como o Santo Sacrifício foi celebrado pela primeira vez em nossas terras e a maneira como os missionários que penetraram nos sertões levaram os dons do Senhor às almas famintas.

Em nossa arquidiocese, apesar da posição oficial que dizia que tudo estava bem e que a reforma de 1969 tinha sido uma unanimidade, o sentimento de abandono derivado da maneira dirigista e muitas vezes atrapalhada com que ela foi aplicada também se fazia presente. Assim, durante anos, padres de passagem por nossa igreja particular celebraram esporadicamente a Missa segundo a forma tradicional do rito romano para grupos diversos em garagens ou outros edifícios particulares, e sacerdotes locais, como o saudoso Monsenhor José Ayrton Guedes, buscaram maneiras alternativas de atender aos anseios do povo.

Evidentemente, tudo isso era insatisfatório, e, por tal motivo, começou-se, a partir de 1996, a pedir a aplicação local das disposições exaradas pelo Beato João Paulo II (Carta Apostólica Quattuor Abhinc Annos e o Motu Proprio Ecclesia Dei Adflicta) para o cuidado dos católicos ligados ao rito gregoriano. Mas o tempo do Senhor era outro, e só depois de mais de 10 anos, com a ajuda de um amplo abaixo-assinado (que contou com as assinaturas de muitas pessoas satisfeitas com o rito romano moderno, mas que não entendiam o motivo do tesouro litúrgico que santificou as almas durante mais de 1.600 anos ficar relegado às catacumbas) e com o apoio do Cardeal Dario Castrillón Royos (então presidente da Comissão Ecclesia Dei), o Arcebispo D. José Cardoso Sobrinho permitiu as celebrações de um modo estável.

De início, em respeito às condições pastorais de nossa arquidiocese, as missas eram celebradas de um modo “privado”, nas segundas-feiras a noite ou nos sábados pela manhã, pelo Pe. Nildo Leal de Sá, na igreja matriz da paróquia da Imbiribeira ou na de Apipucos. Lá pelo meio de 2006, D. José autorizou as missas aos domingos, mas ainda com um caráter discreto.

Foi promovido em junho 2007 um curso ministrado pelo Pe. Claudiomar, liturgista da Administração Apostólica São João Maria Vianney (encerrado, no dia de São Luiz Gonzaga, com a primeira Missa cantada desde os anos 60), e começou a distribuição de um Ordinário e de um Próprio para povo.

Passaram mais alguns dias, quando, finalmente, o Papa Bento XVI, em 7 de julho de 2007, resolveu olhar com mais cuidado para os direitos dos fiéis que preferem a liturgia tradicional e lançou a Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Summorum Pontificum (mais tarde complementada pela Instrução Universae Ecclesiae), dando ampla liberdade às celebrações. Desse modo, iniciou-se o preparo para “missas públicas”.

A primeira delas ocorreu no dia 14 de setembro de 2007, Festa da Exaltação da Santa Cruz, na capela do Seminário de Olinda:

No dia 16 de setembro do mesmo ano, um domingo, foi celebrada outra Missa na Igreja de São Cristovão e São Sebastião, com grande cobertura da mídia (Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco, TV Jornal, TV Tribuna e blogs diversos).

Desse ponto em diante as celebrações se tornaram normais, sempre nos domingos às 11h da manhã, e a preocupação do grupo de fiéis se voltou para a formação teológica das lideranças e um melhor acolhimento do povo.

No ano de 2009, D. Fernando Âreas Rifan, bispo da Administração Apostólica de Campos, celebrou a primeira Missa pontifical cantada desse processo de retomada das celebrações no rito gregoriano, num evento em que inaugurou a gruta de Nossa Senhora de Lourdes na paróquia da Imbiribeira e benzeu o novo sino da igreja. Vale salientar que ele usou o báculo de D. Vital, emprestado por D. José Cardoso.

Com o passar do tempo, tivemos casamentos e batizados na forma tradicional do rito romano, mostrando que os frutos da liberdade concedida pelo Papa Bento XVI também se refletiam na formação de novas famílias.

É digno de nota que além de Missas cantadas periódicas, presenciamos mais uma Missa pontifical, rezada por D. Rifan, no dia 16 de junho de 2010. Esse mesmo bispo, poucos dias depois (19 de junho), celebrou outra Missa na catedral de Garanhuns, como encerramento do primeiro Congresso Summorum Pontificum, no qual contou (a pedido de D. Fernando Guimarães) com a ajuda dos fiéis de Recife, que mesmo debaixo de fortes chuvas (as que inundaram Palmares) se dispuseram a ir até o Agreste.

Durante essa época, além do Pe. Nildo, também celebraram aqui em Recife o Mons. Edvaldo Bezerra, o Pe. Moisés Ferreira de Lima e o Frei José de Arimáteia OFMconv., e inúmeros outros membros do clero (padres e diáconos) e de religiosos leigos participaram das missas, sempre bem acolhidos e com as dúvidas sanadas ao máximo possível.

Infelizmente, na segunda metade de 2010, uma série de transtornos no relacionamento do grupo dos católicos que buscam manter o patrimônio litúrgico da Igreja com o Pe. Nildo desencadeou um processo (destacado em sites de audiência mundial) que levou à transferência da Missa para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares (precisamente no dia 24 de abril de 2011), agora sob a responsabilidade do referido Mons. Edvaldo. Na resolução dos problemas a condução pastoral de nosso atual arcebispo, D. Fernando Saburino, foi decisiva, mostrando que na Arquidiocese de Olinda e Recife todos os católicos ortodoxos são acolhidos sem distinção.

No restante do ano de 2011 os fiéis ligados à liturgia romana tradicional procuram se organizar melhor, promovendo dois cursos sobre o simbolismo das cerimônias da liturgia (apoiados pelo Círculo Católico de Pernambuco), a publicação de novos Próprios e a tentativa de formação de um coral. Para encerrar o ano, uma Missa cantada foi celebrada no Natal com a ajuda de integrantes do coral da UFPE.

O começo do ano de 2012, por sua vez, trouxe muitas novidades. Uma das que se deve destacar foi a da conversão de alguns jovens à fé católica, do meio dos quais saiu o primeiro batismo de adulto no rito gregoriano desde 1969; outra foi a integração de novos casais jovens ao grupo de fiéis; e, por fim, a vinda de mais um sacerdote, o Pe. Expedito Nascimento S.J., para celebrar o Santo Sacrifício.

Eventualmente a Missa também foi celebrada na igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na da Soledade e na da Ordem Terceira do Carmo.

No entanto, algumas das iniciativas que propostas para alimentar a espiritualidade dos frequentadores não foram efetivadas, como a preparação de um almoço para os moradores de rua durante a Quaresma e uma peregrinação até o Santuário do Sagrado Coração. É bom frisar que nenhuma delas saiu de nosso horizonte, pois sabendo que a Missa é o centro da vida católica, é necessária uma “periferia” composta de atividades individuais (como a oração pessoal) e atividades comunitárias.

Em 2012 tivemos nossa primeira Procissão de Ramos e um aumento das celebrações fora do domingo (como a de Cinzas, a de Finados e a de Nossa Senhora da Conceição).

No final desse ano o Pe. André de Vasconcelos Martins, dada a necessidade do Pe. Expedito ir para o interior do estado, passou a ajudar o Mons. Edvaldo na condução das missas, e, em dezembro, celebrou aquela que foi a primeira Missa cantada de Réquiem em mais de 40 anos na nossa arquidiocese, contando com a contribuição de músicos ligados à UFPE e aos conservatórios da Paraíba e Pernambuco.

Por fim, ainda no término do ano passado, tivemos a grata notícia de que um vocacionado saído do grupo de fiéis recifense recebeu a batina numa cerimônia na Alemanha presidida pelo arcebispo de Vaduz.

Até agora essa foi a caminhada do Coetus Fidelium Olindensis et Recifensis e, para o futuro, além de crescer em número, pretendemos nos integrar melhor e colaborar com outros grupos de nossa igreja particular.

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Eclesiologia

Tradicionalistas, conservadores, carismáticos, progressistas – quem são?

divisão na igrejaDe maneira periódica sou interpelado, seja na internet (em especial na comunidade do Orkut), seja na vida real, sobre as divisões internas da Igreja. Algumas pessoas querem saber como se portar diante delas, outras pretendem simplesmente negar que pertencem a uma (pois aderem à idéia de que “um católico é apenas um católico”), e, de modo mais constante, me perguntam sobre como conceituar os diferentes grupos e como enquadrar as pessoas neles.

Há uma explicação famosa do conhecido Pe. Paulo Ricardo sobre o tema, mas para mim ela está enviesada, isto é, pende para o lado que mais o agrada. Nela o Pe. Paulo, que é um neoconservador (calma, já já explico o que isso quer dizer), considera como “conservador” aquilo que historicamente os tradicionalistas defendem, e como “tradicionalista” apenas os integrantes caricatos desse último grupo. Não aceito isso e vou explicar o motivo, de modo que futuros leitores deste texto não venham tentar contrapor a ele o pensamento do Pe. Paulo como que usando um argumento de autoridade.

Em primeiro lugar, cabe um vôo panorâmico sobre o que ocorreu nas últimas décadas.

No Vaticano II tínhamos três tendências disputando a influência na formulação dos textos: os tomistas, que aderiam à teologia tradicional da Igreja e ao ethos construído em torno disso ao longo dos séculos; os adeptos da patrologia, que defendiam o que consideravam ser uma volta às fontes da Fé; e, finalmente, os que se ligavam à teologia moderna, uma espécie de neomodernistas. Durante o Concílio, os adeptos da patrologia se juntaram aos neomodernistas, numa estratégia política para fazer valer suas opiniões, e isso pode ser percebido nos textos conciliares, onde parágrafos se contradizem, remetendo à necessidade de uma exegese sistemática, holística. Ou seja, é como se o centro tivesse se juntado com a esquerda. Mas, para a surpresa do segundo grupo, logo na segunda metade dos anos 60 passamos a ver, devido ao poder monetário e midiático, além do “agrado” que certas propostas davam ao homem contemporâneo, uma divulgação crescente de uma interpretação neomodernista do Vaticano II; e as coisas foram ficando tão radicais que o grupo tomista passou a ser visto como uma categoria inexistente de tão non sense, e o grupo da patrologia foi alçado para a direita. Portanto, os conservadores no sentido dado a essa expressão por Burke ou Russel Kirk (conservador é aquele que adere às lições e formas do passado para um desenvolvimento orgânico da vida social), são os herdeiros do grupo tomista, os atuais tradicionalistas, e os ligados à patrologia só podem ser chamados de neoconservadores, já que representam historicamente uma quebra com a tradição e só foram alçados à condição de direita pelo fato da Igreja ter caminhado excessivamente para a esquerda.

No meio disso tudo, apareceu um quarto grupo, o dos carismáticos, que tem, ao mesmo tempo, alguns aspectos híbridos dos outros grupos e alguns que são inéditos. Certas parcelas do carismatismo estão muito próximas do neconservadorismo, em especial no que se refere à obediência à autoridade; outras dos tradicionalistas, como no que se refere à disciplina eclesiástica (uso de roupas clericais); e, em vários aspectos, eles inovaram, como na maneira de se organizarem em comunidades de vida e aliança.

Chegando neste ponto, alguém pode perguntar: mas isso tudo não seriam apenas categorias políticas? Não é um reducionismo com a Igreja? Eu não me enquadro em em nenhuma delas e algumas pessoas parecem se enquadrar em mais de uma, como você explica tal fato? Todo progressista é um neomodernista?

Respostas: De fato, isso são categorias políticas, ou melhor, sociológicas, mas que se refletem na política eclesial (e ninguém venha me dizer bovinamente que não há política na Igreja, pois há, é natural que exista, já que Cristo fundou uma sociedade de fiéis e em toda sociedade a política é necessária); não estou tratando de categorias teológicas, pois a suposição aqui é que todas elas sejam católicas (se alguém defende que alguma não é, então que leve às últimas conseqüências sua conclusão). Isso é assumidamente reducionismo, pois tudo não passa de um instrumental didático para se tentar organizar um pouco a complexidade do real. Algumas pessoas, de fato, podem estar fora de todas elas (embora eu particularmente não conheça ninguém), mas a maioria vai se inserir preponderantemente, mas não exclusivamente, num dos grupos citados. Nem todo progressista é um neomodernista, mas o progressismo atual tem seus antecedentes no trabalho de pessoas que ignoravam os conselhos e mandamentos de São Pio X (assim como nem todo tradicionalista é lefebvrista, mas todos tem seus antecedentes na luta desse santo bispo).

Agora, feita toda essa introdução, posso esquematizar minhas respostas a certas colocações/perguntas que já li:

1) O que cada grupo (tradicionalistas, neoconservadores, carismáticos e progressistas) defende?

Tradicionalistas: as formas litúrgicas e disciplinares anteriores ao Vaticano II, a teologia neotomista.

Neoconservadores: a posição oficial de Roma em relação a tudo, os resultados da terceira fase do movimento litúrgico, a “teologia das fontes”.

Carismáticos: a valorização da experiência com o sagrado e da emoção na vida eclesial, a “teologia das fontes” com uma leitura toda particular, uma moral neotomista.

Progressistas: a busca da harmonização entre a doutrina católica e a filosofia moderna, a “teologia das fontes” com uma leitura toda particular e com reflexos na liturgia e nas regras disciplinares.

2) Qual o posicionamento de cada um em relação ao Vaticano II?

Tradicionalistas: variado, da simples negação (que é uma burrice e tende ao cisma) à leitura sistemática com o Depósito da Fé (nesse caso, com resultados que variam segundo o valor que se dá ao concílio: dogmático ou pastoral).

Neoconservadores: aceitam a exegese oficial e suas justificativas.

Carismáticos: em geral, aceitam a exegese oficial e suas justificativas, mas em alguns pontos aderem ao chamado “espírito do Vaticano II” e em outros possuem uma visão próxima a dos tradicionalistas moderados.

Progressistas: o Vaticano II deve ser aproveitado segundo seu “espírito”, isto é, segundo o desejo de mudança e harmonização com a realidade atual que se depreende mais da vontade dos padres conciliares que da letra dos textos.

3) Acredito que a questão política é semelhante à questão eclesial, modificando apenas alguns termos específicos no que tange o funcionamento do Estado em relação ao que ocorre na Igreja.

Não, a questão política não tem nada haver com a eclesial.

Todos os tradicionalistas, se forem tradicionalistas de verdade e não malucos, são conservadores no campo político. Já os neoconservadores eclesiológicos podem ser conservadores ou social democratas no campo político.

Eclesiologicamente:

a) Os conservadores, que querem conservar as formas que passaram no teste do tempo e, ao mesmo tempo, aceitam as mudanças orgânicas, são aqueles que fizeram resistência ao caos pós-conciliar. São os tradicionalistas.

b) Já os neoconservadores são os que não aceitam essa resistência, mas que também não levam até o fim os princípios nos quais as diretrizes do pós-concílio se apoiam, são os oficialistas acima de tudo.

4) Esquematize as posições das várias “tribos católicas” sobre os assuntos que você acha mais importantes.

Tradicionalistas:

1) Ênfase histórica: reforma tridentina;

2) Afinidades: ortodoxos bizantinos;

3) Fontes de reflexão pastoral: Magistério anterior ao Vaticano II + vida dos santos;

4) Ênfase catequética: Magistério, Tradição, Escritura;

5) Revelação (foco): Tradição;

6) Uso de ferramentas científicas: não;

7) Ética: moralista;

8) Inserção sócio política: direita;

9) Liturgia: ritualista;

10) Questões divisivas (valor do Vaticano II, maneira de obedecer ao Magistério contemporâneo, rubricas usadas no rito gregoriano, aparicionismo): tendência à separação.

Neoconservadores:

1) Ênfase histórica: Padres;

2) Afinidades: ortodoxos bizantinos;

3) Fontes de reflexão pastoral: Magistério posterior ao Vaticano II + vida dos santos;

4) Ênfase catequética: Magistério, Escritura, Tradição;

5) Revelação (foco): Escritura;

6) Uso de ferramentas científicas: sim, com reservas;

7) Ética: moralista moderada/social;

8) Inserção sócio política: direita

9) Liturgia: ritualista;

10) Questões divisivas (relação com outros grupos eclesiais, ecumenismo, interpretação do Vaticano II): obedecem à última palavra do superior.

Carismáticos:

1) Ênfase histórica: Igreja primitiva;

2) Afinidades: protestantes + ortodoxos bizantinos;

3) Fontes de reflexão pastoral: vida dos santos + Escritura;

4) Ênfase catequética: Escritura, Magistério, Tradição;

5) Revelação (foco): Escritura;

6) Uso de ferramentas científicas: não;

7) Ética: moralista;

8) Inserção sócio política: alienação/direita;

9) Liturgia: ritualista/emoções;

10) Questões divisivas (oração X ação social, uso de elementos da cultura contemporânea na evangelização, obediência ao Magistério em pontos que contrariam seu ethos, aparicionismo): alienação, preferem fingir que elas não existem.

Progressistas:

1) Ênfase histórica: igreja pré-constantina e tempos modernos;

2) Afinidades fora do catolicismo: protestantes liberais;

3) Fontes de reflexão pastoral: Bíblia + ciências modernas (experiência);

4) Ênfase catequética: Escritura, Magistério, Tradição;

5) Revelação (foco): Escrituras/razão;

6) Uso de ferramentas científicas: sim, abundantemente;

7) Ética: situacional/social;

8) Inserção sócio-política: esquerda;

9) Liturgia: despojada/moderada;

10) Questões divisivas (divórcio, ordenação feminina, uniões homossexuais, métodos anticoncepcionais): varia, tendência a uma prática pastoral complacente.

Bem, é isso, acho que com este texto os confrades e demais leitores terão um ponto inicial mais sólido para refletirem sobre as divisões internas da Igreja nos dias atuais (cada época tem as suas!).

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Eclesiologia

Meu testemunho sobre o papado

Texto da consócia Janete Campos:

Eu, desde pequena, acostumei-me com João Paulo II. Achava que ele era imortal. Cresci amando-o e respeitando-o como a um pai, o que de fato, ele era para mim espiritualmente. Quando o cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Bento XVI eu estava em um local que deveria festejar sua eleição. Isso não ocorreu… ouvi absurdos de toda espécie, coisas que me marcaram profundamente e fizeram com que eu reavaliasse meu caminho de vida e de fé. Estudei. Procurei conhecê-lo e, quanto mais o ouvia e lia o que Bento XVI escrevia, mais o amava. Foi o papa que aprendi a amar, a respeitar e a defender. E digo: era tão simpático e afetuoso quanto João Paulo II. Vi-o rindo por confundir-se entre os tantos idiomas que fala. Vi-o em seu cuidado com as pessoas e até mesmo com os animais (temos o mesmo carinho pelos felinos). Entristeci-me com sua renúncia. Sofri, de coração, mas pensei em sua saúde, seu sofrimento e pensei: agora ele terá mais tempo para escrever e nos encher de excelentes reflexões. Aguardei ansiosa pelo novo papa. Quando vi, do meu trabalho, pela internet, que a fumaça branca havia finalmente aparecido, meu coração disparou e comecei a tremer. Eu já amava aquele Papa que eu não sabia quem era e jurei, de coração, amá-lo e respeitá-lo. Quando vi Papa Francisco, pela primeira vez, e o ouvi, do rádio do meu celular, já que eu não tive acesso à TV, tive a certeza, mais uma vez, de que é o Espírito Santo quem conduz sua Igreja. Como cristã católica, apostólica e romana, tenho certeza: respeitar a Tradição Católica significa, primeiramente, amar ao Sumo Pontífice e respeitá-lo. Se isso não ocorre com você que se diz católico, reveja sua fé. Você pode ser mais um entre tantos hereges, um sedevacantista, talvez. Cristo sempre conduziu sua Barca. Jurou que estaria conosco TODOS OS DIAS, até o fim dos tempos. Estaria ele ausente justamente no dia do Conclave? Tenho certeza que não!

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Crise Eclesiologia

O que perdemos… e o caminho para a restauração

Uns 8 anos atrás, quando a internet começava a se tornar popular, vi o vídeo What we have lost and the road to restauration (O que nós perdemos e o caminho para a restauração) pela primeira vez. Já tinha ouvido falar dele num relato sobre o apostolado da Fraternidade de São Pio X na Lituânia, e, por isso, minha curiosidade era tremenda.

Num primeiro momento o documentário impressiona, mas é sempre bom ter cuidado com certos exageros e mesmo erros, como quando ele fala sobre uma suposta modificação da forma da Confirmação no rito paulino que teria invalidado o sacramento. Em geral, contudo, acho que essa produção põe os “pingos nos is” sobre muita coisa e mostra que a restauração da vida católica não é um trabalho só para especialistas, mas é uma tarefa ao alcance de todos.

Vejam o filme: