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Humor

O aniversário

Leonardo Boff: “Essa coisa de aniversário é só um pretexto para alimentar o sistema capitalista e o imperialismo com a indústria de presentes.”

Ivone Gebara: “A tradição do aniversário remete à dominação masculina e ao pretexto machista de que o nascimento é um direito, e dessa forma criminalizar o aborto.”

Reginaldo Veloso: “Ok, não tem problema essa história de aniversário… Mas por que os padres não podem comemorar o dos seus filhos?! Casamento sacerdotal já!”

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Apologética

Deus existe?

Thomas Woods mostra como a razão foi usada pelos escolásticos para analisar a questão da existência de Deus:

Aqui Orlando Fedeli detalha as provas citadas por Woods:

Um aprofundamento pode ser obtido na leitura deste texto.

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Arte

Angelus Ad Virginem

Angelus Ad Virginem é uma canção popular medieval (Inglaterra), que constitui uma versão poética da Anunciação (cheia de tensão dramática e profundidade teológica). Existem várias versões dessa música, sendo que a mais antiga está registrada num manuscrito do século XIII, contendo a letra em inglês, francês e latim:

Ángelus ad Vírginem subíntrans in conclave,
vírginis formídinem demúlcens, inquit, “Ave”.
“Ave, regína vírginum, caeli terraeque Dóminum
concípies et páries intácta, salútem hóminum;
tu porta caeli facta, medéla críminum”.

“Quómodo concíperem quae virum non cognóvi?
Quáliter infríngerem quod firma mente vovi?”
“Spíritus Sancti grátia perfíciet haec ómnia;
ne tímeas, sed gáudeas secura quod castimónia
manébit in te pura Dei poténtia.”

Ad haec virgo nóbilis respóndens inquit ei:
“Sérvula sum húmilis omnipoténtis Dei.
Tibi caelésti nuntio, tanti secréti cónscio
conséntiens, et cúpiens vidére factum quod audio,
paráta sum parére Dei consílio.”

Ángelus dispáruit, et statim puelláris
úterus intúmuit vi partus virginális:
quo circumdátus útero novum ménsium número;
post éxiit, et íniit conflíctum, afflígens húmero;
crucem qua dedit ictum soli mortífero.

Eia, Mater Dómini, quae pacem redidísti
ángelis et hómini, cum Christum genuísti:
tuum exóra Filium ut se nobis propítium
exhíbeat, et déleat peccata, praestans auxílium
vita frui beáta post hoc exsílium.

Veio o Anjo à presença da Virgem,
e entrando em sua morada,
com aquele “Ave”,
os temores da Virgem serenou.
“Ave! Ó Rainha das Virgens,
o Senhor dos Céus e da Terra disse
que conceberás e darás à luz intacta;
serás porta do Céu,
para salvação dos homens
e remédio dos pecadores”.

“Como se fará isso,
pois não conheço varão:
Como poderei romper
o que com fortaleza prometi?”
“A graça do Espírito Santo
realizará tudo isto;
não temas, mas alegra-te,
serena, porque a tua virgindade
será conservada intacta
pelo poder de Deus.”

A isto, a nobre Virgem
respondeu ao Anjo, dizendo:
“Humilde escrava sou
do Deus Onipotente.
A ti, mensageiro celestial,
confidente de tão grande segredo,
dou consentimento, e desejo
ver cumprirem-se tuas palavras;
preparada estou para obedecer
à vontade de Deus.”

Tendo desaparecido o Anjo,
logo concebeu a donzela.
E Aquele que durante nove meses
em seu claustro maternal
esteve contido,
nasceu depois, por um parto virginal,
e começou a luta
suportando nos ombros a Cruz.
com a qual desferiu
um único e mortífero golpe.

Eia, pois, ó Mãe do Senhor,
que gerando a Cristo
restituíste a paz
aos Anjos e homens:
Intercedei junto a vosso Filho
para que Ele se mostre propício a nós,
apague os nossos pecados
e, pelo seu poderoso auxílio,
conduza-nos depois deste exílio
ao gozo da eterna bem-aventurança

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Religião comparada

A devoção copta a São José

coptaUm artigo sobre a devoção copta a São José que traduzi e adaptei do blog Ex Fide:

Embora a devoção a São José, nos últimos séculos, tenha sido mais proeminente no Ocidente, é sempre bom lembrar que no Oriente é que encontramos os primeiros indícios de culto ao pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, em especial no Egito. O primeiro dia em comemoração a São José foi mantido pelos coptas desde o início do século IV, é a festa de São José o Carpinteiro, em 20 de julho, encontrada nos seus calendários mais antigos.

A presença do Casto Esposo de Maria na devoção dos coptas é um provável reflexo do seu papel numas das narrativas bíblicas mais queridas por esses cristãos: o exílio da Sagrada Família do Egito. Muitas lendas populares circulam esse exílio, e vários mosteiros, igrejas e santuários foram construídos nos locais onde se supõe que São José, Maria Santíssima e o menino Jesus tenham passado. Até hoje, pode-se visitar na Igreja de São Sérgio (cidade antiga do Cairo) uma gruta onde a Sagrada Família se abrigou. Também pode-se pegar a estrada através de Ain Shams, um poeirento subúrbio da capital egípcia, para sentar-se sobre a árvore onde se acredita que a Virgem descansou com Nosso Senhor Jesus Cristo. O exílio sempre foi um tema caro aos iconógrafos coptas, como se pode ver na foto acima. A Sagrada Família entrando no Egito, acolhida pela alegria dos peixes saltitantes do Nilo, e com São José à frente, guiando um burro, ou atrás de Nossa Senhora e do Menino, é uma imagem comum do exílio.

Vê-se, portanto, que a devoção copta a São José está calcada no papel dele na Sagrada Família. É o seu silêncio que chama a atenção; ele não era o centro, mas estava sempre lá, ao lado de Maria e de Jesus. Que essa lição também sirva para nós, católicos, como bem disse o Papa Bento XVI (Angelus, 18 de dezembro de 2005):

O seu silêncio é permeado de contemplação do mistério de Deus, em atitude de total disponibilidade à vontade divina. Em síntese, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas acções. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do ‘pai’ José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da ‘justiça superior’, que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).

Deixemo-nos ‘contagiar’ pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.

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Catequese Teologia

A penitência no sacramento da Confissão

Pergunta recebida:

“Como explicar o que é a penitência no âmbito do sacramento da Confissão?”

A satisfação ou penitência é uma obra boa imposta pelo confessor (assistir à Missa, comungar, rezar alguns Pai Nossos, etc.) para reparar a injúria feita a Deus pelos pecados e que é modulada conforme a gravidade das faltas acusadas. Assim, o confessor tem obrigação de impor penitência grave (rezar um rosário) pelos pecados mortais, e leve (rezar um terço) pelo veniais; e o penitente, por sua vez, tem obrigação de aceitar a penitência que se lhe impuser, a menos que por impossibilidade física ou moral não possa cumprir o que lhe manda o confessor. Neste caso deve pedir-lhe outra penitência. O penitente que omitir culpavelmente uma penitência grave, pecará gravemente. Se, porém, se esquecer da penitência, deverá voltar ao confessor, se o puder fazer sem grave incômodo, caso contrário, cessará a obrigação. A penitência pode ser cumprida antes ou depois da comunhão, a não ser que o confessor determine o tempo. Adiar o cumprimento dela sem causa justa é pecado venial.

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Liturgia

O rito celta

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A falta de evidências sobre a prática litúrgica nas localidades onde o rito celta foi usado não permite que se tenha um quadro muito claro sobre ele. Todavia, podemos afirmar que nunca houve um rito celta no sentido estrito, como é o moçarábico ou o ambrosiano (fora que, na verdade, o que havia eram ritos).

Os monges celtas, incansáveis missionários que levaram o Evangelho para terras distantes, nunca quiseram criar uma nova liturgia. Parece que eles escolhiam elementos de diferentes tradições e os combinavam. Desse modo, os rituais celtas acabavam sendo uma composição eclética de costumes estrangeiros, tanto romanos quanto galicanos. Na Escócia, na Irlanda, em Gales, na Cornualha e na Bretanha existiam várias especificidades. Essas especificidades ficavam patentes na forma da tonsura (tonsura magorum – eles raspavam toda a cabeça, como os antigos druidas), na data da Páscoa (uma controvérsia que eu particularmente não entendo e acho muito chata para pesquisar), e nas leituras e unções durante uma ordenação. Após um sínodo fracassado em 603, o Sínodo de Whitby conseguiu a completa submissão dos celtas. Mesmo assim, traços de uma liturgia independente continaram a existir em partes da Irlanda até o Sínodo de Cashel (1172) quando o rito anglo-romano foi introduzido. A Bretanha provavelmente perdeu seus rituais distintivos na época de Luiz I, o Pio (817), e a Escócia no século XI pelos esforços da rainha Margarida (canonizada em 1250).

Até onde vão as evidências, pode-se afirmar que o rito celta foi muito influenciado pelo rito galicano no seu nascimento e gradualmente se romanizou. Não existem registros anteriores ao século V.

O rito celta é estudado a partir de três fontes principais: o Antifonário de Bangor, o Missal de Bobbio e o Missal de Stowe – todos de origem monástica. Como se depreende de seu nome, o Antifonário de Bangor é uma coleção de antífonas, versículos, hinos, cantos, etc., e deve ter sido compilado para uso dos abades do famoso mosteiro de Bangor na Irlanda. Ele data do final do século VII (entre 680 e 690) e se encontra na Biblioteca Ambrosiana em Milão. O Missal de Bobbio, um curioso manuscrito descoberto por J. Mabilion em Bobbio, Itália, é uma das testemunhas mais antigas da história do Canon Romano; ele apresenta uma liturgia local influenciada por Roma. Por fim, o Missal de Stowe, um manuscrito dos século VIII ou IX, foi composto provavelmente para a abadia de Tallaght perto de Dublin. Ele contém, além do Evangelho de São João, o ordinário da Missa, três próprios e os ritos do Batismo, da Unção dos Enfermos e da ministração do Viático. Além dessas obras, há vários fragmentos de manuscritos irlandeses e algumas outras completas (como o Livro de Mulling).

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Na Missa, a preparação das oblatas era feita antes da entrada do celebrante, como nos ritos galicanos. As orações iniciais incluiam uma confissão dos pecados e longos pedidos de perdão, bem como uma ladainha com o nome dos santos irlandeses. A primeira parte da Missa, na sua forma mais tardia, como está no Missal de Stowe, seguia uma forma romana: Gloria, uma ou mais Coletas, Epístola, Gradual e Aleluia. Nesse ponto era dita uma ladainha, a Deprecatio Sancti Martini, como nos ritos orientais (também presente no rito ambrosiano tradicional – pelo menos na Quaresma). Após mais duas orações, um descobrimento parcial das ofertas e uma invocação tripla sobre elas, o Evangelho era cantado, seguido pelo Credo (com o Filioque). No Ofertório, após o descobrimento total das ofertas, o cálice e, às vezes, a patena, era elevado. Em seguida era feito o Memento dos defuntos e a leitura das intenções pelos falecidos do lugar. O Prefácio, com seu diálogo preliminar, vinha em seguida, acompanhado pelo Sanctus e o pós-Sanctus. Mesmo que no Missal de Stowe o Canon seja chamado de Canon dominicus papae Gilasii, o que temos de fato é o Canon Gregoriano com alguns santos irlandeses citados. Após o Memento dos vivos era lida uma lista com mais de 100 nomes de santos (de personagens vétero-testamentários a monges irlandeses). Vários cantos eram designados para a Communion, incluindo (no Antifonário de Bangor) o belo Sancti venite:

Sacte venite,
Christi corpus sumite,
sanctum bibentes,
quo redempti sanguinem.

Salvati Chrsiti,
corpore et sanguine,
a quo refecti
laudes dicamus Deo.

Hoc sacramento
corporis et sanguinis
omnes exuti
ab inferni faucibus.

Dator salutis,
Christus filius Dei,
mundum salvavit
per crucem et sanguinem.

Pro universis
immolatus Dominus
ipse sacerdos
existit et hostia.

Lege praeceptum
immolari hostias,
qua adumbrantur
divina mysteria.

Lucis indultor
et salvator omnium
praeclaram sanctis
largitus est gratiam.

Accedant omnes
pura mente creduli,
sumant aeternam
salutis custodiam.

Sanctorum custos,
rector quoque, Dominus
vitam perennem
largitur credentibus.

Caelestem panem
dat esurientibus,
de fonte vivo
praebet sitientibus.

Alpha et Omega
ipse Christus Dominus
Venit venturus
iudicare homines.

Uma grande liberdade parece ter sido deixada para os mosteiros na organização do Ofício Divino, e detalhes sobre isso podem ser encontrados em várias regras monásticas (como a de São Columbano). O rito celta teve ampla influência no desenvovimento do sacramento da Penitência, já que é devido a ele que hoje a confissão é auricular (e não pública).

Fontes:

Cabrol, Dom Fernand. The Mass of the Western Rites.

Jenner, Henry. “The Celtic Rite.” The Catholic Encyclopedia. Vol. 3. New York: Robert Appleton Company, 1908.16 May 2010.

Sancti Venite. Disponível em: http://www.preces-latinae.org/thesaurus/AnteMissam/SanctiVenite.html. Acessado em 17 de maio de 2010.

Sheppard, L. C. “Celtic rite” New Catholic Encyclopedia. Vol. 3. The Catholic University of America, 1967.

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Religião comparada

Islã

Apresento um ótimo texto do confrade Ricardo sobre o islamismo (qualquer esforço de apologética católica não pode prescindir do estudo comparado das outras religiões ou grupos cristãos – a grafia “Islam” é própria do autor):

pic_islamIslam

Tendo em vista os tópicos sobre religiões não-cristãs que foram criados na comunidade Apologética Católica do Orkut, pensei em fazer um estudo sobre o Islam.

Posso falar, a partir de pesquisas e estudos em Religiões comparadas e no Islam em particular que tenho desempenhado há anos, que estou convencido de que o conhecimento do Islam que aparece em nossos melhores livros de apologética (como o de Boulanger) é mais do que deficiente: é insignificante ao ponto de não fornecer sequer um conhecimento superficial, mas correto, sobre esta religião.

Sem mais apresentações, posso dizer que o estudo do Islam é de suma importância desde os primórdios desta religião. Pois a expansão fulminante da jihad fez com que, em mais ou menos 100 anos, a religião nascida na Arábia estendesse seus domínios da Espanha até o norte da Índia. Das quatro sedes apostólicas da Cristandade (Jerusalém, Antioquia, Alexandria e Roma), somente Roma não foi dominada pelos exércitos muçulmanos. Constantinopla, mais tarde, também foi conquistada. A mensagem religiosa do Islam é monoteísta e acentuadamente semita, portanto próxima do cristianismo. No mundo contemporâneo, o Islam ainda tem uma força impressionante. Então, o objetivo deste artigo é procurar entender este fenômeno e relacioná-lo com o cristianismo.

O estudo começa com as fontes da “revelação” islâmica. Islam significa submissão (a Deus). É dito entre os muçulmanos que todas as coisas estão “em estado de islam”, já que Deus controla tudo, mas os seres humanos entram nesse estado ativamente, e não passivamente, através da fé e da prática da religião (din) revelada aos profetas.

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Apologética

Dawkins, um delírio

O filósofo Dr William Lane Craig expõe de maneira límpida e cristalina a falha completa e irrecuperável do argumento central do livro “Deus, um Delírio”.

Depois dessa, só rindo:

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