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Catequese

É permitido estudar nos domingos?

Tradução e adaptação de um texto do Pe. Peter R. Scott (da FSSPX):

Uma distinção importante no que se refere à guarda do domingo é entre trabalhos servis, opera servilia, e trabalhos liberais, opera liberalia. Observe-se que o interdito da Igreja não depende do propósito ou razão pela qual esses trabalhos são feitos, mas da sua natureza. Trabalhos servis fora do marco da caridade são proibidos nos domingos, como fazer uma mudança de residência ou pintar uma garagem, e os liberais são permitidos, mesmo se efetuados para se ganhar dinheiro, como pintar quadros para venda.

Então, cabe entender a diferença entre eles e aprofundar o motivo pelo qual os trabalhos servis fogem da norma do III Mandamento. Santo Tomás explica na Suma Teológica (II-II, Q. 122, Art. 4, ad 3):

…obra servil – vem de servidão, da qual há três espécies. Uma pela qual o homem serve o pecado, conforme aquilo do Evangelho: Todo o que comete pecado é escravo do pecado. E neste sentido, toda obra pecaminosa se chama servil, – Uma segunda servidão é a pela qual um homem serve a outro. Ora, um é escravo de outro não pela alma, mas pelo corpo, como se estabeleceu, Por onde, neste sentido chamam–se obras servis as obras corpóreas, pelas quais um homem serve a outro. – A terceira é a servidão pela qual servimos a Deus. E, neste sentido, poderíamos chamar servil ao culto de latria, que concerne ao serviço de Deus.

Claramente o domingo é reservado ao culto de Deus, e os trabalhos servis nesse terceiro sentido são não só permitidos como obrigatórios. Também, os trabalhos servis no primeiro sentido são sempre proibidos, especialmente no domingo, dia para darmos glória ao Senhor. Se o trabalho servil no segundo sentido, de atividades físicas outrora feitas por servos, é expressamente proibido no domingo, isto o é pelo fato dele perfazer uma parte da punição dada ao gênero humano depois da Queda (Gênesis III, 19: “Comerás o teu pão com o suor de teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pós te hás de tornar”) e esconder da alma a elevação que a contemplação do culto a Deus traz e a preocupação com a salvação eterna. Não é assim com as artes liberais, que expressam a elevação da alma e a consideração da beleza, verdade e bondade de várias formas. O domingo, portanto, pode ser usado para alma expressar sua liberdade de querer saber, amar e servir ao Senhor não apenas na Santa Missa e outros ofícios eclesiais, mas também pelo exercício ou apreciação das artes liberais. Heribert Jone resume deste modo esta problemática (Moral Theology):

Artes liberais e trabalhos artísticos também são permitidos: estudar, ensinar, desenhar, fazer um design arquitetônico, tocar música, escrever, pintar, esculpir, bordar, tirar fotografias. Essas atividades são permitidas mesmo se feitas para remuneração.

Todavia, pode acontecer de mesmo as artes liberais tirarem da alma a atenção devida a Deus, como quando são imorais ou uma ocasião de pecado, ou quando se tornam uma preocupação tão grande que fazem a pessoa negligenciar seus deveres religiosos. Nesse caso, estudar também se torna um ato pecaminoso nos domingos.

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Espiritualidade

Orações ao entrar na igreja

Publico agora uma coletânea de orações e práticas piedosas compiladas pelo confrade Silas. Antes, a apresentação desse pequeno trabalho feita pelo seu autor:

Compartilho com vocês uma coletânea de orações e pequenos ritos, que arranjei numa certa sequência, que tento praticar antes, durante e após a Missa. É mais fácil fazê-los numa Missa Tridentina, por causa dos tempos que o Padre passa rezando em voz submissa.

Isso tem me ajudado bastante, pois me impulsiona a aproveitar melhor o tempo que tenho ao chegar cedo na paróquia, venerando o crucifixo, as imagens, passando pelas estações da Cruz; me põe em contato com trechos de ritos latinos extintos e de ritos romanos em desuso que considero valiosos, bem como alguns ótimos trechos da Escritura, pois todos eles me fazem tirar mais proveito de cada parte da Missa e, se for o caso, da Confissão também.

Alguns desses pequenos ritos não são facilmente realizados nas paróquias a que vou, pelo menos. É o caso do acender velas e lamparinas. Outros, como o tirar os sapatos, podem distrair os outros, então prefiro não fazê-los durante a Missa.

Em cada trecho da Escritura e alguns pequenos ritos, pus a passagem correspondente.

Pode ser que seja útil a vocês. Para mim tem sido bastante.

Orações ao entrar na Igreja

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Espiritualidade Santos

A vida extraordinária de São Charbel Makhluf

No dia 24 de julho, no rito paulino, celebra-se a memória de São Charbel Makhluf (1828-1898).

Talvez desconhecido para alguns, São Charbel foi um dos santos mais extraordinários da história mais recente da Igreja. Após a sua morte, o seu corpo incorrupto deixou atônitos os cientistas: totalmente flexível e sem nenhum sinal de decomposição, parecia vivo. Além disto, de seu corpo jorrava um líquido inexplicável que, utilizado pelos fieis, realizava milagres extraordinários.

Conheça a vida deste monge e sacerdote que, como grande taumaturgo, intercede por nós e nos espera no céu. Ainda hoje ele nos ensina a viver com o coração voltado para a eternidade.

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Contrarrevolução Monarquia

Monarquia e restauração das leis

reiA restauração da Monarquia, – ponderava já De La Barre de Nanteuil –, não é simplesmente a restituição do poder ao rei, mas a restauração de todas as leis fundamentais do povo. Pois, exactamente, nas «leis fundamentais» do povo, é que a nossa Monarquia tradicional assentava a sua razão histórica de existir. Não pensemos, de modo nenhum, em que seriam preceitos escritos, formando o que em boa mitologia política se convencionou chamar uma «constituição». Saídas de vários condicionalismos, tanto sociais como físicos, duma nacionalidade, formariam, quando muito, pelo consenso seguido das gerações, a observância dos princípios vitais da colectividade, Família, Comuna e Corporação, ou seja Sangue, Terra e Trabalho, cujo conjunto admirável Le Play designaria de «constituição-essencial».

De «Monarquia limitada pelas ordens», classificaram os tratadistas portugueses a nossa antiga Realeza. Correspondendo às forças naturais da sociedade, organizadas e hierarquizadas em vista ao entendimento e bases do comum, as «ordens» do Estado eram, a dentro dos seus foros e privilégios, as depositárias natas dessas «leis fundamentais». Cada associação, cada classe, cada município, cada confraria rural, cada behetria, possuía na Idade Média o seu estatuto próprio, a sua carta de foral. Legislação positiva destinada a normalizar e a coordenar as exigências da vida quotidiana, tomava o «costume» por base e consagrava a experiência como sua regra inspiradora.

– António Sardinha (A Teoria das Cortes Gerais)

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Política

Golpes e golpes

Os últimos acontecimentos na Turquia, que infelizmente não resultaram na derrubada do populista islâmico Erdogan, mostram, de modo claro, como a tese de golpe, isto é, de um movimento sem lastro popular, defendida pelos aloprados da esquerda no que se refere ao impechment de Dilma, é uma lorota. Lá, goste eu ou não, Erdogan contou com a massa que foi à rua para defendê-lo, e defendê-lo a ponto de perder a vida; aqui ninguém se mexeu, num claro sinal da legitimidade de todo o processo de retirada da Apedeuta do poder.

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Espiritualidade

O que é o escapulário? Como usá-lo?

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Bíblia

O sal pode perder o sabor?

Recebi o seguinte questionamento de Cristina:

Em Mateus V, 13 lemos:

Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.

Como isso é possível? O sal pode perder o sabor? Esse ensino se baseia numa possibilidade fictícia? Recebi essa pergunta de um ateu.

Não, Ele não se enganou!

Mas, em primeiro lugar, vale lembrar que o valor espiritual do que está dito é que importa, seja usando um exemplo real, seja um fictício. O sal é um conservante, assim, a ilustração de Nosso Senhor significa que seus discípulos deviam proteger outros da degradação espiritual e moral.

Agora, falando sobre a possibilidade do sal perder seu gosto peculiar, a The International Standard Bible Encyclopedia diz: “O sal da região do Mar Morto geralmente estava misturado com outros minerais e podia acabar se dissolvendo, sobrando apenas uma substância sem gosto”. Portanto, podemos entender por que o Divino Mestre descreveu essa substância como algo que “para mais nada serve senão para ser lançado fora”. A enciclopédia acrescenta: “Embora o sal do Mar Morto fosse inferior à maioria dos outros sais marinhos por causa de sua impureza, ele era a principal fonte de sal da Palestina em vista de seu fácil acesso (podia ser simplesmente recolhido à beira mar).” Para mim isso ainda acrescenta outra lição espiritual: todos os que são “impuros”, caso venham a ser “recolhidos pela graça”, podem se tornar “conservantes espirituais”!

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Bebendo catolicamente

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