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Liturgia

A antiguidade e universalidade do tempo da Septuagésima (parte 3)

A primeira parte desta série de posts pode ser lida aqui e a segunda aqui.

A síntese do jejum dos ninivitas e da semana sem carne: a extensão do tempo preparatório para três semanas

Já vimos que por volta do século VI o costume de que a Quaresma fosse precedida de uma semana com abstinência de carne estava bem estabelecido no Oriente e no Ocidente. O cânon 24 do Concílio de Orleans (511) prescrevia sua observância, indicando que ele já estava espalhado por toda a França merovíngia. Certas igrejas do Oriente adicionavam o jejum dos ninivitas na terceira semana anterior à Quaresma. Era natural, portanto, juntar esses dois períodos, estendendo o tempo preparatório para três semanas.

armenian-churchÉ possível que no Oriente a ponte litúrgica entre a Quaresma e o jejum dos ninivitas tenha sido construída na Armênia. A Septuagésima do rito armênio é chamada Aratchavor, e compreende três semanas, a primeira das quais é chamada Berekendam, “o último dia de gordura”. Essa semana é muito rigorosa, consagrada ao jejum dos Ninivitas, instituído por São Gregório o Iluminador no século IV. A segunda e a terceira semana são menos penitenciais, e o jejum é mantido apenas nas quartas e sextas-feiras.

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Espiritualidade Pastoral

Como lidar com o sofrimento?

O mundo em que vivemos é como um Titanic a afundar-se. Os que não têm fé, agarrados aos destroços da embarcação, sofrem não só por causa do naufrágio, mas também de desespero. Quem crê, no entanto, mantém-se firme na esperança, sem perder de vista que o nosso único porto seguro está para além da terra e do mar: está no Céu.

Mas como sofrer com esperança, sem cair no desespero? De que modo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo pode iluminar as batalhas e os desafios que enfrentamos nesta vida?

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Sociedade

Algumas verdades

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Liturgia

A antiguidade e universalidade do tempo da Septuagésima (parte 2)

A primeira parte desta série pode ser lida aqui.

A semana da Quinquagésima, o jejum de Heráclito, a semana da Tyrophagia

Tanto no Ocidente quanto no Oriente, a semana imediatamente anterior à Quaresma assumiu um caráter penitencial bem cedo, começando com o corte da carne. A Igreja primitiva seguia uma dieta vegetariana durante toda a Quaresma, mas na semana citada (Quinquagésima no rito romano e Tyrophagia no bizantino), embora a carne já tivesse sido tirada, outros produtos de origem animal, como o leite e os ovos, ainda podiam ser consumidos.

le-christ-au-desert-servi-par-les-anges-philippe-de-champaignePara aprofundar nas origens desse costume, temos de considerar que a Quaresma dura sete semanas no Oriente e seis no Ocidente. No Oriente, onde não há jejum nos sábados (exceto no Sábado Santo) ou domingo, isso resulta em 36 dias de jejum. No Ocidente, onde o jejum é mantido nos sábados, mas nunca nos domingos, isso dava o mesmo número de dias no tempo anterior a São Gregório Magno. Para compensar os dias que faltam e fazer o número simbólico de 40, o número de dias do jejum de Cristo no deserto, os cristãos optaram por antecipar por uma semana o início oficial da Quaresma. Isso também foi feito em consideração à possível ocorrência de festas que deslocam o jejum, principalmente a Anunciação.

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Liturgia

A antiguidade e universalidade do tempo da Septuagésima (parte 1)

O New Liturgical Movement começou uma tradução de um artigo em francês sobre as origens e extensão do tempo da Septuagésima que vou verter, na medida das postagens do citado blog, para o português (sempre cotejando com o original). Aqui vai a primeira parte:

SeptuagésimaEm todas as liturgias cristãs, encontramos um período de preparação para o grande tempo de penitência que é a Quaresma, durante o qual os fieis são informados da chegada desse momento do ano litúrgico e da necessidade de iniciarem vagarosamente os exercícios ascéticos que devem fazer até a Páscoa. Regra geral, esse período preparatório dura três semanas. No rito romano, esses três domingos são chamados Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima, nomes que derivam de um sistema usado na antiguidade que contava espaços de dez dias nos quais esses domingos caiam [nota do tradutor: se dividirmos as nove semanas que precedem a Páscoa em séries de dez dias, poderemos constatar que o primeiro dos nove domingos cai na sétima dezena, o segundo na sexta e o terceiro na quinta]. Eles precedem o Primeiro Domingo da Quaresma, que é chamado de Quadragésima em latim.

As igrejas de tradição siríaca e copta preservaram um estado de coisas mais antigo, composto de pequenos períodos de jejum, o Jejum dos Ninivitas e o Jejum de Heráclito, que provavelmente deram origem ao tempo de preparação para a Quaresma.

A lembrança da fragilidade humana, a meditação dos novíssimos, e, consequentemente, a oração pelos mortos, são elementos recorrentes nesse período litúrgico.

Inexplicavelmente [nota do tradutor: será mesmo?], o rito de Paulo VI suprimiu a Septuagésima do seu ano litúrgico, mesmo com toda a sua antiguidade e universalidade.

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Contrarrevolução Sociedade

Resposta a um desarmamentista

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Filosofia Política

Marxismo: tautologia e fundamentalismo

teoria-marxistaCertas coisas eu achei que tinham ficado na década de 1990, quando, ainda criança, assisti à queda da “cortina de ferro” e ouvi a conversa furada de que tudo deu errado porque não se era comunista de verdade. Uma triste tentativa de justificar o injustificável e não aprender nada! E que foi devidamente demolida na época.

Mas a história é cíclica, os mesmos erros sempre retornam, como atesta o esforço sem fim da Igreja em responder às mesmas heresias, que renascem com uma roupagem diferente, a cada período histórico. Sendo assim, foi com uma surpresa comedida que em meses recentes vi na universidade voltarem a falar em falta de verdadeiro comunismo nos países do antigo bloco socialista. A capacidade das esquerdas mundiais para justificar em nome de uma utopia humanitária as piores atrocidades e, desse modo, continuar a pregar com a maior inocência os ideais socialistas perfaz um perigoso sinal de paralaxe cognitiva. Sendo assim, quando vejo um esquerdista inteligente (pós-marxista?), como o professor Flávio Brayner do Centro de Educação da UFPE ir ao fundo do problema no texto abaixo (Jornal do Commercio, Recife, 3 de fevereiro de 2017), só posso me alegrar, pois isso é um sinal da lucidez necessária para qualquer debate produtivo no campo da política.

Rússia, 1917

Ainda ouço muita gente, sobretudo jovens universitários, falando de “revolução”. A palavra foi introduzida por Montesquieu, mas veio da astronomia: uma volta completa que um astro dá em torno de seu próprio eixo, voltando ao “ponto inicial”. Seu uso político indicava também uma volta a um estado “natural” rompido pelo absolutismo. Revolução significava “restauração”. Com os jacobinos introduzem-se a de ruptura com o passado e com as formas de autoridade tradicionais, e a razão passa a ser vista como entidade transcendente que deve se incorporar no social.

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Crise Liturgia

Por que vocês estão tão chocados? Eles já mudaram a Missa!

Tradução e adaptação deste texto:

Começamos o ano, como sempre, cheios de expectativas. Junto a elas, também temos medos ao considerar as águas furiosas, cheias de confusão, nas quais estamos submergindo. São tantas confusões que fica difícil pensar em algo que ficou estável no mundo e, pior ainda, na Igreja.

Em tempos idos, a confusão do mundo se chocava contra estabilidade da Igreja de Deus. O homem precisa de um porto seguro sobre o qual construir e, dentro da Igreja, ele encontrava os elementos atemporais que lhes davam a confiança necessária para enfrentar os desafios de cada época. Os acontecimentos podem ser incertos e confusos, as almas podem ter momentos de incerteza interior na luta entre a graça e o pecado, mas a Igreja não! A Esposa de Cristo, que nos fala sobre Deus e nos dá Deus, deve ser uma Mãe que permanece firme no meio dos tumultos e desafios da vida.