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Dicas para a promoção da liturgia gregoriana nas dioceses

Texto do confrade Higo Felipe:

SL 1No Brasil existem vários grupos profundamente interessados em promover e viver a liturgia gregoriana, segundo o Motu Proprio Summorum Pontificum e a Instrução Universiae Ecclesiae. Porém, por motivos diversos, alguns desses grupos não tem sucesso nessa promoção, o que pode acabar por causar uma desunião e abrir feridas.

Por isso, estou criando um post com a história recente da Liturgia Gregoriana na Arquidiocese de São Luis, bem como algumas dicas que espero que possam ajudar os católicos do Brasil na promoção e manutenção da Forma Extraordinária. Essas dicas são basicamente baseadas na nossa experiência recente na aplicação do Summorum Pontificum em São Luís – MA. Nós temos, graças a Deus, a Missa mensalmente desde o mês de Fevereiro de 2012.

A História

O nosso grupo de fieis teve início como tal no começo de Janeiro de 2012, após alguns grupos de fieis espalhados pela cidade, que já divulgavam entre amigos, familiares, amigos da paróquia, etc, a Liturgia Gregoriana, juntarem forças pelo Bem almejado por todos, a Missa. Feita a união, no dia 18 de Janeiro de 2012, fomos eu mais 4 pessoas falar com o Arcebispo, Dom José Belisário, OFM, sobre o nosso interesse. Após uma conversa tranquila e respeitosa, o Arcebispo mostrou-se amplamente favorável, e permitiu que as Missas fossem celebradas. Após isso, iniciaram os ensaios dos acólitos (um deles, este que vos escreve) e da schola cantorum, para que no mês seguinte, no dia 26 de Fevereiro de 2012, 1° Domingo da Quaresma, tivéssemos a primeira Missa na bela igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo, à qual houve considerável concorrência de fieis:

sl 2 sl3 sl4Dicas

Formação

Um tanto quanto óbvio, mas nunca é demais rememorar: orem, estudem, conversem, reflitam sobre assuntos pertinentes à Igreja e à liturgia gregoriana(o canto, o latim, a modéstia no templo, o véu, etc). É importante que todos estejam ali porque amam a liturgia tridentina, não porque a Missa é em latim ou porque é a Missa antiga.

Oração

A causa da forma extraordinária é sobrenatural. REZEM. “A oração tudo pode” dizia Santa Paula Frassinetti e muitos outros santos afirmaram isto com estas ou outras palavras. “Tudo que pedirdes com fé em oração recebereis” diz o Senhor ( Mt 21, 22) Rezem para que vocês consigam esta graça. Aqui em São Luís, fizemos uma Cruzada de Rosários: eu com algumas pessoas rezamos por 1 mês o Rosário diariamente na intenção da Missa na forma extraordinária. Resultado: antes mesmo do fim da Cruzada, recebemos a autorização do Arcebispo.

Sem polêmicas

Vocês querem a liturgia gregoriana? Então o façam sem discussões desnecessárias; que tudo seja feito na base da conversa e do respeito. Não precisa denegrir ninguém, falar mal de ninguém ou de erros que por ventura existam na celebração da forma ordinária. Deve-se promover a forma extraordinária sem precisar apontar erros ou equívocos na celebração da forma ordinária.

A Liturgia

Certifiquem-se ANTES das Missas começarem que TUDO relativo ao culto já esteja preparado:

1) O padre já conhece bem as rubricas?
2) Missal? Sacras?
3) Há pessoas dispostas a formar um coral?
4) Os acólitos conhecem o rito? É fundamental que os acólitos estejam bem ensaiados. Falo como acólito: as rubricas não são fáceis e ensaios regulares (ao menos uma vez por semana) ajudam muito nisso.
5) Vocês têm os paramentos? Os paramentos necessários são casula (casulas góticas não estão proibidas), alva, manípulo, cíngulo e estola. Caso haja Missas cantadas frequentes, ter uma pluvial de cada cor do tempo litúrgico é importante também.
6) Castiçais (6 é o número ideal), toalhas de altar? (vale ressaltar que no usus antiquor o altar deve ter 3 toalhas).
7) Alfaias? (véu do cálice, véu do tabernáculo, manustérgio, patena da Comunhão, sanguíneo, etc).

Vivência

É importante que haja nos membros do grupo uma sincera e católica vivência eclesial, em nível paroquial/diocesano. Isso dá uma boa visibilidade ao grupo e mostra que vocês não são apenas “alienados saudosistas”, mas católicos de direito e de fato. A prova viva disso é que muitas pessoas vem para as Missas daqui de São Luís por convite de amigos seus da catequese, da música, legião de Maria, Apostolado da Oração, e outros grupos e movimentos.

A procura pelo padre

Falem com os padres respeitosamente. Peçam com naturalidade, e acima de tudo, mostrem que vocês possuem um grupo coeso e dedicado ao que vocês querem. Nunca falem “mal” de um padre para o outro ou mesmo para o povo. Não se deve nunca estimular ou criar animosidade entre as pessoas, sejam padres ou mesmo leigos.

Caso não conheçam padres que saibam celebrar o rito em sua forma extraordinária, peçam que o bispo indique alguém ou, em último caso, vejam algum sacerdote que se identifique com o rito gregoriano e que, mesmo não sabendo tudo ainda, disponha-se a aprender a celebrar nesta forma.

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Jason Evert fala a jovens sobre modéstia e romance.

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Formação do gosto

A questão da “arte cristã” e dos problemas que suscita (como o das relações entre arte e moral), teria seu entendimento facilitado se com mais frequência fosse lembrado que o gosto – definido como a aptidão para discernir e apreciar o belo – não se encontra no homem como uma qualidade inata, uniforme e comum a todos, mas antes como uma habilidade pessoal adquirida à custa de uma adequada educação dos sentidos e da razão, e, portanto, variável de acordo com os predicados de cada indivíduo e, sobretudo, de acordo com os princípios gerais que presidiram à formação do seu espírito. O gosto será assim como que a reação que as coisas sensíveis provocam em um determinado ser humano imbuído de certa filosofia de vida, isto é, de certa concepção doutrinária do universo. Desses dois fatores que compõem o gosto, o primeiro, o psicológico, com sua indispensável base fisiológica e orgânica, gradua-lhe a intensidade ou a delicadeza das experiências; o segundo, porém, o doutrinário, é que lhe fornece os critérios de julgamento, sem os quais não poderia sequer existir. O gosto depende, por conseguinte, em última instância , da orientação filosófica de quem o exerce, é uma questão de juízo mais do que de sensibilidade, pode ser adquirido ou modificado mediante adequada educação mental. E como essa educação pode ser incorreta e mal orientada, resulta que o gosto pode ser mal formado ou deformado. A linguagem comum o reconhece: bom gosto, mau gosto, gosto apurado ou corrompido…

Pode-se dizer, imitando os mestres da espiritualidade, que a formação do gosto, para um católico, processa-se mediante três fases: purificação, iluminação, perfeição.

A purificação constitui a fase quase inteiramente negativa da educação do gosto; consiste principalmente no trabalho de incutir no espírito do aprendiz o desapreço das coisas grosseiras, vulgares, feias, por desproporcionadas nas suas partes componentes ou na relação com as demais coisas entre as quais se situa.

A segunda fase da educação do gosto, a iluminação, processa-se como a vinda e o progressivo aumento de uma viva claridade em um ambiente primitivamente escuro ou penumbroso; por efeito dessa luz – que nada mais é que uma metódica instrução humana seguramente amparada na relação divina – torna-se distinto, na visão do universo, o que antes era confuso; ordenado o que parecia caótico; organizado e dirigido para um fim nítido, o que antes dir-se-ia desconexo, acidental, precário; enfim, torna-se visível o que antes não se via e nem sequer se suspeitava que existia… Quer isto dizer que se desvela, aos poucos, à inteligência do incipiente artista a ordem profunda do Universo, maravilhosamente determinada por Deus. Ele, então, compreende que cada coisa, de acordo com a sua natureza mesma, tem um valor que se afere pela posição que ocupa na hierarquia geral das criaturas; e assim percebe que as coisas vivas superam as inertes; que o homem, dotado de vida imortal, vale mais que o resto da criação material, cuja existência é efêmera; e que Deus, eterno, criador e regedor de tudo, para Quem tudo foi criado, julgador e remunerador do homem, vale infinitamente mais do que tudo o que criou, inclusive o próprio homem, o qual só n´Ele tem sua recompensa e vida perfeita… Assim iluminado, o artista discerne graus diferentes de beleza, que correspondem aos graus diversos da ordem da criação, e vê que a formosura de uma coisa é tanto mais intensa, completa e perfeita, – que tanto mais lhe satisfaz o gosto – quanto mais ela se integra na harmonia geral do universo e quanto mais fielmente corresponde à finalidade última para que foi criada: servir, no seu plano próprio, à glorificação de Deus…

A última fase da educação do gosto, a perfeição, não é senão a consolidação em hábito das idéias, tendências e práticas adquiridas nas duas fases anteriores, em particular na iluminativa, e exercidas infalivelmente, com presteza e nímia facilidade.

Essas três fases são logicamente sucessivas, na ordem indicada. Nada impede, porém, que, em casos concretos, se apresentem em outra sequência. E é claro que, como elemento formativo e normativo do gosto, a iluminativa é a mais importante. Porque ao homem não agrada somente o que satisfaz os seus sentidos, mas também o que contenta a sua consciência. Por isto já Santo Tomás de Aquino definia a beleza como sendo o que, visto, apraz, – esclarecendo-se que por visto se há de entender: o que é apreendido e apreciado pelo espírito.

Mesquita Pimentel, Revista de Cultura Vozes, setembro-outubro de 1947

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Por que esse dia é diferente dos outros?

Texto do confrade Karlos Guedes:

tiaO dia amanheceu nublado. Parecia que as trevas da noite não queriam se romper com o raiar do sol…

Mas por quê? Por que hoje foi diferente? Hoje, como todos os dias, a Terra está presa ao Sol; as coisas são atraídas para baixo; as estrelas não caíram da abóbada celeste; pessoas se magoam, se alegram, nascem, morrem…

Sim, a morte! Infelizmente para os que ficam. Feliz para quem se vai, pois é assim que se chega à vida eterna.

E hoje, nosso Senhor chamou para seu refrigério a minha Titi… Soube quando acabara de acordar e estava me arrumando para dar aula.

Ela que, com certeza, é uma das pessoas que mais me ama.

Ela que ajudou na minha criação.

Ela que, o mais importante, me ajudou na minha formação religiosa!

Sou católico por causa de muitas pessoas, mas certamente ela é uma das mais culpadas! Quantas vezes não me levou à Missa mesmo cansada dos afazeres domésticos, só porque eu pedi para “que essa vontade que ele tem de ir à igreja não esvaneça”.

A ela eu chamava de terceira mãe. Sim mãe não da carne, mas da fé!

Sofreu pela doença; mas que seria curada antes do Natal! Outro fator a levou.

Que seus sofrimentos tenham lhe servido de satisfação pelas penas dos pecados, Titi. Que esteja no paraíso, como o senhor diácono rezou: “Que os Anjos te levem e os mártires acorram ao teu encontro e te conduzam  à cidade santa. Que o coro dos Anjos te preste homenagem”.

São José, patrono da boa morte, rogai por ela e agradecemos a ti por tê-la feito passar a páscoa durante o sono.

Tão repentina a morte que não a visitei ontem, como pretendia; tampouco chamei um padre para aplicar-lhe os últimos Sacramentos. Deus me perdoe a displicência!

Interceda por nós aqui na Terra, Titi, principalmente por sua irmã, minha avó, para que tenhamos fé e não desvaneçamos agora.

Para nós que ficamos nos resta o consolo da Santa Religião que nos dá a esperança da ressurreição: “Aqueles, contristados pela certeza da morte, sintam-se consolados com a promessa da futura imortalidade. Para os vossos fiéis, Senhor, a vida é transformada, não tirada; e, destruída a morada desta habitação terrestre, está preparada uma habitação eterna nos céus” (cf. Prefácio dos Defuntos).

Resquiescat in pace.

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Espiritualidade Liturgia

Taças de ouro cheias de perfume: são as orações dos Santos!

Texto do confrade Karlos:

todos os santosTodos os Santos de Deus, rogai por nós.

A Santa Igreja determinou que seus filhos celebrassem os Santos. Mas que Santos celebramos hoje? O grandioso exército dos santos anônimos, que não foram canonizados e muitas vezes desconhecemos.

Claro que existem aquelas pessoas em nossas vidas que temos certeza que gozam da visão de Deus, nosso Senhor, e, mesmo assim, não foram canonizados.

Ser Santo, neste sentido que a Igreja nos propõe, é gozar da visão de Deus. De fato há vários irmãos nossos que apenas Deus conhece a devoção (cf. Canon da Missa, oração Memento [dos vivos]) e o número, cuja vida agora é estar na presença da preclara majestade de Deus.

A Santa Igreja, pois, não vê como suficiente a honra feita aos canonizados, mas vê como necessária e útil a nós. A Esposa de Cristo impõe-nos que essa honra se dê a esses Santos pela Missa, pois quando exaltando seus méritos, exaltamos os dons divinos (cf. Prefácio dos Santos e Patronos).

Essa festa é-nos necessária porque nossa homenagem lhes serve de honra e, por outro lado, eles se dignam a interceder por nós a nosso Senhor (cf. Oração Suscipe, Sancta Trinitas – Ordo Missæ).

Essa festa ainda é-nos útil porque nos Santos temos o exemplo de conduta, a união na Comunhão dos Santos, a esperança de um dia, como eles, mesmo nos faltando aquela virtude em grau heroico, nos juntarmos a louvar o Senhor, como são Gabriel que «assiste diante de Deus» (Lc I,19) e recebermos a coroa da glória (cf. Prefácio dos Santos e Patronos).

Assim, tendo tão numerosos patronos, passemos com parcimônia pelas agruras do século.

Por fim, admiti, ó Santos de Deus, que nossos louvores se juntem aos vossos a fim de que o Senhor Se digne atender-nos. Amém.