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Liturgia

Um leitor pergunta como aprender a acompanhar a Missa Tridentina

Pergunta respondida pelo confrade Cláudio:

Olá, Cláudio Loureiro! No dia 20/10 fui à Missa Tridentina e pretendo voltar em breve, pois não costumo passar os finais de semana em Recife. Gostaria de saber como posso acompanhá-la melhor em latim, percebi que há um caderno distribuído em menor quantidade e queria saber se podes me passar o arquivo para que eu mesmo imprima para tê-lo comigo na próxima vez. 🙂

Bem, a melhor forma de aprender a acompanhar a Missa Tridentina é, sem dúvidas, com a prática da assistência. Existem circulando na internet alguns áudios das orações ordinárias da Missa, mas eu não indico porque americano falando latim é horrível. Para aprender a pronúncia das orações a melhor forma é a assistência mesmo. Não é difícil acompanhar, pois a “coluna” da Missa Tridentina é de sequência quase igual à Missa Nova (entrada, ato penitencial, glória, coleta, etc.). O que existe é a dificuldade atrelada à vergonha, principalmente no início, da pessoa que está principiando a rezar o latim. Vá, reze e não tenha vergonha de errar. Todos que hoje sabem de cor as orações (inclusive eu) erraram quando estavam aprendendo. Para você ter uma ideia, na primeira Missa que eu servi como acólito eu ainda não sabia as orações aos pés do altar totalmente de cor. Outra técnica também (e desta eu usei para decorar as orações aos pés do altar) era copiar várias vezes as orações a próprio punho com o propósito de decorá-las. A segunda é mais rápida.

Quanto ao ordinário da Missa que você pede que eu forneça segue aqui. Nesse link tem a opção de download.

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Papa celebrou versus Deum

O Papa Francisco celebrou uma Missa versus Deum diante do altar em que está o túmulo de João Paulo II, confiram as fotos (postadas na internet pelo Mons. Guido Marini):

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Política

Católico que vota em "comunista" está excomungado?

Já faz algum tempo que na “internet católica” brasileira de ethos conservador (no sentido lato, envolvendo tanto neoconservadores quanto tradicionalistas e parte dos carismáticos) se divulga a informação de que um católico que vota num comunista (ou num partido comunista) se excomunga automaticamente. Na prática o conceito é até ampliado, pois em geral se coloca na categoria de “comunista” toda e qualquer forma de socialismo ou social-democracia. Tudo isso não passa de um erro, um erro que torna inviável a criação de um espaço de heteroestima dentro da Igreja, e que vou procurar dissipar nas considerações abaixo (tendo por base um debate travado com o confrade Rui no Orkut).

Bem… sempre que essa questão surge um dos primeiros questionamentos que se faz a quem a defende é sobre onde essa pena se encontra no Código de Direito Canônico (CDC), já que tal diploma legal é o referencial básico para se dizer o que é ou não punido pela Igreja. É sempre bom lembrar que pecado, por mais grave que seja para o conjunto do Corpo Místico de Cristo, não é sinônimo de excomunhão. Ao longo da história coisas completamente irrelevantes, como “incomodar os judeus do gueto de Roma”, foram punidas com a excomunhão, e ações graves, como ser dono de escravos, não o foram, de modo que quem questiona sobre a existência ou não de tal pena no código não está dizendo que o voto num marxista não contenha em si mesmo algo de errado. De qualquer forma, frente à letra clara do CDC, que não prevê a pena de excomunhão para o ato referido, a única saída dos seus defensores é dizer que ela está prevista numa legislação extravagante que continuaria válida até hoje.

Essa norma seria um decreto do Santo Ofício datado de 1949. Mas vamos devagar.

O que se deu foi que o site da Associação Cultural Montfort publicou o texto do decreto sem uma parte que é importantíssima e esse texto, incompleto, serviu de base para o Pe. Paulo Ricardo e Olavo de Carvalho divulgarem a noção de que o simples voto num partido comunista (ou assemelhado) implica numa pena automática de excomunhão.

O texto correto é este:

Decreto do S. Ofício, 28 jun. (1º jul.) 1949

Decreto contra o comunismo

Perguntas.:
1. É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
2. É permitido publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e ação dos comunistas ou escrever neles?
3. Fiéis cristãos que conscientemente e livremente fizeram o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?
4. Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?

Resp. (confirmada pelo Sumo Pontífice 30/06):
Quanto a 1.: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.
Quanto a 2. Não, pois são proibidos pelo próprio direito (cf. CIC, cân. 1399).
Quanto a 3.: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àquele que não tem a disposição requerida.
Quanto a 4.: Sim.

Vejam, a expressão “como apóstatas da fé católica” na pergunta 4 faz toda a diferença. Esta expressão, que falta no texto da Montfort, é que delimita as razões da excomunhão. Em outras palavras, não é esta excomunhão específica para o comunismo, é a que havia no Código de Direito Canônico de 1917 para os apóstatas, cismáticos e hereges. Portanto, o indivíduo deveria cumprir a condição efetiva de se tornar apóstata: perder a fé.

E, como, em todo sistema falso, há alguma verdade, porque o erro não se sustenta senão na verdade, alguém pode sentir-se atraído pelo comunismo, sem negar suas bases cristãs, embora de forma culposa, ou ainda aderir ao partido comunista para melhor reivindicar os direitos dos operários, o que não faria do comunismo marxista (cuja aceitação integral equivale à apostasia) um fim em si mesmo.

Tanto é assim que, na “Teologia Moral” de Teodoro da Torre del Greco, a simples inscrição nesse tipo de agremiação política é avaliada do seguinte modo:

A simples inscrição no Partido comunista (especialmente pelo fato de melhor reivindicar os direitos dos operários) não constitui, por si, nenhuma apostasia, nem acarreta a excomunhão reservada “speciali modo”. Com isto não se afirma, não seja a inscrição ao comunismo proibida pela Igreja; ao contrário, os católicos estão obrigados não só a não colaborarem em nenhum campo com o comunismo, mas a combatê-lo; além disso, não é lícito publicar, difundir e ler os jornais e folhas volantes que propugnam a doutrina e a prática do comunismo, nem assinar tais publicações (cfr. Decr. do Santo Ofício, 1º de julho de 1949; ASS., XLI, 1949, pág. 334).

Ou seja, não implicava em excomunhão, mas também não era algo desejável.

E mesmo que o decreto valesse nos termos que alguns dizem, ainda assim não daria para fazer o automatismo que eles querem nessa questão, pois no nosso país os partidos (ou boa parte de quem se liga a eles) não levam a ideologia a sério (PT e PSB, por exemplo, aderem a um conceito vago de socialismo, que, concretamente, vira qualquer coisa), de modo que os títulos de “comunista” ou “socialista” são em boa parte dos casos slogans vazios.

No que se refere ao tema do post, a leitura deste texto é essencial.

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Minorias no paraíso?

minorias

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Arte Política

Ideologia e literatua

Comentário da consócia Janete Campos:

Vou dar um exemplo recente que aconteceu comigo na USP: Meu professor solicitou um trabalho que apresentasse o modo como o professor e a educação são apresentados na literatura. Deveríamos escolher uma entre as obras que ele selecionou para trabalharmos com o tema, e eu escolhi O Ateneu, de Raul Pompeia. O objetivo, segundo o professor, seria analisarmos a obra, sem carregarmos nosso texto com questões ideológicas. Fiquei feliz com a ideia, já que boa parte de nossos críticos, ao avaliar uma obra, não partem dela para depois estabelecer uma teoria e sim o contrário: são “especialistas” em uma teoria e fazem de tudo para encaixar aquela obra na ideologia da qual são seguidores.

Bem, claro que para fazer um bom trabalho, fui atrás de pessoas que já haviam escrito sobre O Ateneu, e encontrei um texto desse meu professor. Eis um dos trechos da análise, quando fala sobre o escritor e aluno Raul Pompeia e as críticas que ele recebeu após publicar uma charge que ridicularizava o jornal conservador Diário de Campinas:

“A charge é uma paródia da via crucis, em que a figura de Cristo é substituída pela de um asno, que simbolizava a estupidez do jornal campineiro. A atitude e o entusiasmo do aluno provocaram desconforto entre os docentes, em geral escravocratas, retrógrados e católicos provincianos. Um deles, o professor Leite Moraes, era inclusive muito ligado ao Diário.”

Durante todo o texto o professor exalta a figura de Pompeia desqualificando seus opositores ideológicos. Não apenas neste, mas em análises de outros professores, o catolicismo sempre vem como um qualificativo negativo. Também o termo “medieval” com frequência é utilizado com sentido negativo ou mesmo pejorativo, quando, por exemplo, alguém reclama de uma atitude de alguém que age sem pensar, com violência insana e diz que a atitude é “medieval”.

Nesta mesma análise ainda é possível entre tantas outras coisas, verificar a crítica do professor à disciplina enquanto norma de comportamento, quando avalia como é descrito o colégio Ateneu dentro da obra: disciplina “militar” que é um “adestramento”. Durante todo o texto percebe-se uma exaltação de Raul Pompeia e de sua obra, uma exaltação do personagem Sérgio, que para esse professor é um incompreendido e injustiçado (se cabe aqui minha opinião, Sérgio é um menino mimado, cujo primeiro trauma foi cortar seus cachinhos para poder ingressar no colégio…).

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Apologética Bíblia

Geologia criacionista

Desde o século XIX, com as descobertas da geologia e da biologia, o relato da Criação presente no Gênesis tem sido posto em cheque, virando, para uns, uma fábula, e, para outros, um critério indicador da fé verdadeira. Toda essa celeuma, para mim, é completamente sem sentido, já que a mera leitura do Livro Sagrado indica de maneira clara que ali não se pretende relatar uma história com rigor cronológico. De qualquer forma, a Igreja permite a adesão a uma exegese literalista, mas essa, sem dúvida, tem de enfrentar problemas como o exposto nesta ilustração:

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Eclesiologia

A pauta modernista

Texto do Prof. José Luiz Delgado publicado no Jornal do Commercio (Recife, 19 de março de 2013):

pautaCuriosa a atração entre a mídia e certos trânsfugas que já há bom tempo abandonaram a Igreja. Aquela se nutre de escândalos, do extraordinário, do diferente, de frases dissonantes que chamam a atenção, muito mais do que do ordinário, do comum, do sensato, do simplesmente bom. E aqueles se põem a dar declarações tornitruantes sobre uma entidade de que já se afastaram, que repudiaram, e que, portanto, em nada mais os deveria interessar. Por que ainda a discutem e ainda opinam sobre ela?

Nesse afã de ouvir personagens que já refugaram a Igreja (e que, em boa lógica, nem deveriam mais pensar nela), a mídia anda divulgando o rol dos “grandes” projetos que esses trânsfugas, curiosamente preocupados com a “decadência” da Igreja, gostariam de ver o novo pontificado assumir, para se modernizar e deixar de ser “medieval”, para ser “aberto ao diálogo com o mundo moderno”: derrubar tabus como o casamento entre homossexuais, o aborto, a condenação da pílula anticoncepcional, a aceitação do divórcio, o celibato dos sacerdotes.

Quando é que a Igreja reverá sua oposição aos “modernismos” do divórcio, casamento entre homossexuais ou o aborto? Nunca, jamais, em tempo algum. É viver no mundo da Lua imaginar que coisas desse tipo possam algum dia ocorrer. Quem imaginar que pode ser católico alimentando tais fantasias, e portanto somente na esperança de que essas mudanças aconteçam, declare-se logo não-católico. A Igreja não é dona da doutrina, cuja formulação não depende do voto da maioria nem dos clérigos nem do “povo de Deus”: é apenas depositária, guarda e transmissora do tesouro, e a esse respeito tão somente repete o que aprendeu do Senhor: que a vida humana é sagrada, ninguém pode dispor sobre ela, e que Deus fez o homem e a mulher e viu que isso (o homem e a mulher) era bom. A Igreja tem um Credo e é fiel a ele, e quem (no exercício da primordial liberdade, que deve sempre ser respeitada) não concordar com esse Credo, simplesmente não pertence à Igreja. Tem todo direito de pensar o que quiser, mas não pode prtender que seu livre pensamento seja católico.

O celibato dos padres é questão totalmente diversa. Sendo norma apenas positiva da Igreja, apenas disciplinar, pode, sim, ser modificado sem qualquer agressão ao dogma. Que a Igreja, porém, vá rever essa posição, nalgum futuro mais ou menos próximo, é altamente discutível. Não parece provável. Muitos séculos podem passar sem aquela opção ser modificada. Talvez até o mundo acabe primeiro…

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Defesa da vida

A mulher que calou as abortistas