Concordar e animar nada custa.
Contradizer e aconselhar, isto sim.
Amantes nunca dissentem um do outro.
Mas esposos, que não se saibam contrariar e advertir, é que não se sabem amar.
É o que vai do amor lícito ao ilícito, do amor puro ao impuro, do mundano amor ao amor santo.
Um, todo carne, todo culpa, nasce do apetite, nele se ceva, e com ele acaba.
Por isso é só blandícias, lisonja, só e só mentira todo ele.
O outro deriva do coração, e no espírito se acendra; pelo que vive de sinceridade, zelo e devoção, e todo ele é fé e confiança, todo estima e desvelo, todo escrúpulo e verdade.
Esta condição do amor casto, do amor fiel, do amor consagrado: o amor dos pais, o amor dos bem-casados, o amor da pátria, o amor de Deus.
– Rui Barbosa (Permanência março-abril de 1975)
O primeiro efeito do divórcio é eliminar a prole… É uma conseqüência imanente ao dinamismo psicológico criado pela mentalidade divorcista. A criança, por sua natureza, pede uma casa com futuro garantido. Se à solidez dos lares definitivos se substitui a mobilidade temporária das tendas, tudo o que é estável e duradouro passa a ser um móvel deslocado, um traste inútil, uma travanca a empecer a liberdade dos movimentos. Que marido quer ser pai se amanhã a esposa que lhe devia ser companheira insubstituível na educação dos filhos, pode desertar a casa em busca de novas aventuras do coração? Que esposa, sobretudo, se decidirá a submeter os ombros aos deveres da maternidade, se amanhã pai de seus filhos a pode desamparar, sem apoio e sem recursos, com quatro ou cinco bebezinhos nos braços frágeis, lembranças ingratas de um amor falido, obstáculos penosos a tentativas de uma nova reconstrução de vida? Não: num lar em que o divórcio pode romper não há lugar para a criança.
