Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉
Censura de fogo “amigo”
Infelizmente não me surpreendi com exclusão do canal do Conde, que teve tantos vídeos publicados aqui, pelo YouTube. Já era uma coisa esperada, dado o sistema automatizado do Google; tive uma quase experiência disso, anos atrás, quando este site estava no Blogger, ao ser “denunciado” em massa por uma corja de pessoas filiados a uma “seita de ateus”: a ATEA. Pensava, já há algum tempo, que ele passaria por isso e talvez seu trabalho se perdesse.
Mas me surpreendi com o fato das denúncias provavelmente terem vido da “nova direita”, insuportavelmente reacionária, olavética e “judaico-cristã”. Eu era de direita quando quase ninguém mais o era, e achava que seria um paraíso uma reviravolta no quadro cultural-político, mas parece que subestimei a burrice e o espírito de rebanho das pessoas.
Vejam aqui o relato do Conde (que já está com um novo canal no Glória TV):
Obviamente, a censura politicamente correta de viés esquerdopata não morreu e prepara novas investidas, como podemos ouvir nesse podcast:
A Coleta: uma Oração
Tradução e adaptação de um texto do Pe. Paul Carr, publicado no informativo americano da Fraternidade de São Pedro de outubro de 2014, que trata da Coleta, uma das partes do Próprio da Missa no rito gregoriano:
É um infortúnio o fato de que a oração nem sempre é entendida ou apreciada o bastante por seu papel e valor na vida católica. Uma falácia comum é restringi-la a uma medida de emergência: em face de uma dificuldade ou perigo, se todas as outras possibilidades se esgotaram, aí falamos com Deus como último recurso. Uma outra limita a oração a não mais que dizer a Deus o que queremos que Ele faça por nós ou nos dê, tratando-O como um benfeitor celestial. Ainda há outro erro que confunde a oração com a recitação de orações, como se o valor da prece consistisse no número de palavras usadas ou no número de vezes em que ela foi recitada. Embora nenhuma dessas ideias seja completamente falsa, elas representam um quadro tão incompleto da verdadeira natureza da oração que podem limitar gravemente o bem que a prece pode fazer por nós, e o bem que podemos fazer através dela.
O entendimento da verdadeira natureza da oração é ainda mais importante quando consideramos nossa presença no Santo Sacrifício da Missa: se devemos evitar uma diminuição do sentido da oração nas nossas vidas pessoais, muito mais devemos quando assistimos ao culto solene que a Igreja, como Corpo Místico de Cristo, oferece ao Céu em união com seu divino Fundador e Cabeça. Se aplicarmos essas noções limitadas de oração à nossa participação durante a Santa Missa, veremos nascer nas almas uma postura do tipo “o que eu ganho aqui” ou uma ligação exagerada aos textos, à recitação das respostas, como se a participação fosse limitada a esse nível.
Aprenda a estudar meditando
Nesta aula, Padre Paulo Ricardo faz comentários a uma obra pedagógica preciosa: o “Opúsculo sobre o modo de aprender e meditar”, escrito há mais de um milênio por Hugo de São Vítor.
Com esse grande teólogo medieval, aprenderemos um método de estudo utilizado pelos santos e enraizado na Tradição da Igreja.
Vídeo da conferência do Cardeal Burke em Bratislava, capital da Eslováquia, sobre a crise interna da Igreja no que tange à integridade do matrimônio e da família (o discurso está em inglês):
O bruxo do Brasil
Um das piores coisas que aconteceram depois da implantação do ENEM, para mim, foi o lugar secundário que a literatura passou a ter no ensino médio. As universidades agora não podem valorizar escritores locais e nem os alunos se veem realmente incentivados a ler as obras de alcance nacional (lembro que no meu terceiro ano li 12 livros…), pois se contentam com resumos ou textos que fazem a análise do autor X ou Y. Tenho pena de estudantes que chegam ao ensino superior sem conhecerem verdadeiramente “o bruxo do Cosme Velho”, cuja vida foi resumida no texto abaixo (de autoria de Paulo Gustavo, membro da Academia Pernambucana de Letras, e publicado no Jornal do Commercio de Recife em 13 de abril do corrente ano):
Este ano completam-se 110 anos da morte de Machado de Assis, e ainda assim haverá muito o que dizer sobre ele. Isso pelo simples motivo de que sua obra tem uma amplitude humana inescapável. Transcende à órbita literária: é um dos pontos altos do que até agora pôde produzir a cultura brasileira. Dessa cultura foi um dos maiores intérpretes. Como artista, Machado foi, para usar a linguagem de Ezra Pound, uma antena da raça. Não foi apenas o “bruxo do Cosme Velho”, como o apelidaram. Foi o bruxo do Brasil, o grande mago. Mas um mago apolíneo, atrás de um contido mármore que escondia sua gigantesca sensibilidade.