Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉

Não tenho nenhuma dificuldade em acreditar em milagres, até mesmo porque a existência da matéria já é, por si só, um grande milagre. Leibniz praticamente provou isto, quando formulou a pergunta: “Por que é que existe 𝑎𝑙𝑔𝑜 em vez de existir tão somente o 𝑛𝑎𝑑𝑎?” Leibniz estava coberto de razão, pois é muito mais plausível acreditar que a matéria começou a existir a partir de determinado momento do que crer que a matéria 𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑖𝑢. Ademais, a existência das moléculas pressupõe a existência do nos (νοῦς) universal, que, segundo Anaxágoras de Clazômenas, é uma espécie de pricípio cósmico inteligente, eterno e ilimitado, capaz de ordenar os elementos materiais que compõem o universo. Eis por que, como intuiu Manuel Bandeira, a vida é um milagre.
O problema é que as pessoas têm dificuldade em acreditar nisto porque creem, ingenuamente, que os milagres só ocorriam há bilhões de anos, na madrugada dos Tempos. Como se o fato miraculoso dependesse da linha temporal para acontecer…
Certa vez, perguntaram a C. S. Lewis como era possível uma virgem dar à luz uma criança, ao que Lewis respondeu, sem pestanejar: “Do mesmo modo de Deus arrancou do nada todas as estrelas”. Entendedores entenderão.
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Imagem: Representação gráfica da Teoria do 𝑩𝒊𝒈 𝑩𝒂𝒏𝒈, a mais aceita até hoje pela comunidade científica. O primeiro a formular essa teoria cosmológica foi o 𝗣𝗮𝗱𝗿𝗲 belga Georges Lemaître.
– Bernardo Souto
O mito da atualização litúrgica
Um ótimo comentário de Diogo Rafael sobre a última grosseria do Papa Francisco (a divulgação do vídeo não implica na adesão às ideias do autor sobre outras questões):
O critério da medida
Se a Missa “tridentina” não fosse compatível com as novas teologia e pastoral conciliares, então aqueles que dizem ser o CVII uma “nova religião” estariam certos.
É a Missa Tradicional que mede o Catolicismo das novidades conciliares, e não o contrário. Como poderia ser diferente?!
Como dizem os cariocas, a nova teologia e o novo missal pegaram o bonde da Tradição andando e quiseram sentar na janela.
Mas a autoridade da Missa Tradicional é infinitamente superior à do CVII.
– Joathas Bello
A batalha de Lepanto
Tradução e adaptação de um texto do Dr. Peter Kwasniewski:
Se saírdes de vosso país para fazer a guerra contra os inimigos que vos atacam, fareis soar, com estrépido, as trombetas, e o Senhor vosso Deus se lembrará de vós, para vos livrar das mãos dos vossos inimigos. (Números X, 9)
Na tradição judaica, a trombeta, ou o shofar, era tocada para anunciar a lua nova, o novo mês e o novo ano; anunciar a vinda do Senhor (lembremos de como a Festa das Trombetas é celebrada antes do Dia da Expiação); reunir o povo para o Senhor (os judeus até acreditavam que esse seria o mecanismo que convocaria os mortos para virem ao Julgamento Final); e para soar o alarme e começar o ataque (lembremos das histórias sobre os muros de Jericó e as outras batalhas do Antigo Testamento onde a Arca da Aliança foi levada para a batalha).
O livro do Apocalipse nos dá uma palavra sobre a trombeta. Em dois versículos particulares, São João identifica a trombeta com as palavras de um anjo: “Cai em êxtase, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta” (Apocalipse I, 10); “Depois disto tive uma visão: Uma porta estava aberta no céu, e a voz, aquela primeira voz que eu tinha ouvido, como de trombeta, falava comigo, dizendo: ‘Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que devem acontecer depois destas'”.
O Apóstolo João, que certamente celebrou a Festa das Trombetas (Rosh Hashanah), entendia que essa festa não podia ser simplesmente abolida, antes deveria encontrar um significado no Evangelho, segundo o princípio: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim para os abolir, mas sim para os cumprir” (Mateus V, 17). As festas deveriam continuar de alguma maneira no tempo da graça. Mas o que corresponderia a essa festa no Novo Testamento, a na Igreja atual?