Não sou a favor da pena de morte para o Brasil de hoje, mas a validade dela como possibilidade abstrata é algo que não pode ser negado por um católico. Daí o mal estar gerado pela recente modificação que o Papa Francisco fez no catecismo de João Paulo II; modificação que tem valor zero. Assim, nesse ambiente de argumentos “nutela” que se instalou no seio da Igreja, nada melhor do que reler a obra de um douto sacerdote que defende a pena capital em concreto, mas que, no meio da argumentação, circunstancial por natureza, apresenta os princípios perenes em torno do tema:
Autor: Thiago
Brasileiro nos costumes, trabalhista na economia, lusotropicalista na religião 😉
O profetismo da Humane Vitae
Quando, em 1968, o Papa Paulo VI publicou a corajosa encíclica Humanae Vitae, a reação ao documento foi inaudita: teólogos, jornalistas, padres, religiosas, bispos e até conferências episcopais inteiras protestaram e, do púlpito das igrejas, incentivaram os fiéis à dissensão.
Mas o que estaria por trás de toda essa guerra contra a encíclica do Papa Paulo VI?
O caráter profético dela é a causa de toda essa má recepção. Por caráter profético, entende-se o fato do documento relembrar o que Deus espera de nós e mostrar como estamos nos desviando do caminho traçado pelo Senhor. Então, num mundo antropocêntrico, a Humanae Vitae se tornou a “pedra de tropeço” de todos aqueles que dissentiam e dissentem da proposta de vida do Evangelho.
Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.
– Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d’Assac em Três Estudos Políticos, 1956.
O que é temer a Deus?
Tradução e adaptação de artigo publicado no New Liturgical Movement.
Para mim, e acho que para a maior parte dos tradicionalistas, é uma obviedade a proximidade espiritual entre a Divina Liturgia no rito bizantino e a Missa Romana tradicional, assim como também o é a distância que o Novus Ordo mantém da herança comum das duas formas litúrgicas citadas.
Contudo, às vezes encontramos católicos bizantinos que são levados pelas similaridades superficiais entre o rito bizantino e o Novus Ordo (por exemplo, a de que eles são celebrados geralmente em língua vernácula e em tom audível) e pelas diferenças marcantes entre a liturgia bizantina e o rito romano tradicional (por exemplo, a de que temos um silêncio muito maior no último e de que, aparentemente, as pessoas têm um papel mais “ativo” no primeiro), e acabam defendendo a ideia de que a Divina Liturgia é mais próxima espiritualmente do rito paulino e que, se tiverem de optar, o usus recensior será escolhido sobre o usus antiquior. Por outro lado, os protagonistas e apologistas da “reforma litúrgica romana” muitas vezes fingem ser admiradores da tradição oriental e gostam de apontar as muitas características aparentemente “orientais” da liturgia paulina.
Se é verdade, ao contrário do que acham essas pessoas, que a liturgia bizantina e a liturgia latina tradicional têm muito mais em comum entre si que com o Novus Ordo, temos que apontar isso com precisão. Assim, proponho a análise dos seguintes princípios:
- O princípio da Tradição;
- O princípio do mistério;
- O princípio da linguagem elevada;
- O princípio da integridade ritual ou estabilidade;
- O princípio da densidade;
- O princípio da preparação adequada e repetida;
- O princípio da veracidade;
- O princípio da hierarquia;
- O princípio do paralelismo;
- O princípio da separação.
Uma reflexão sobre a mansidão e a paciência como virtudes.
O Direito de Matar
Texto de Vilma Gryzinski (Veja, 9 de maio de 2018):
“Meu gladiador baixou o escudo e criou asas”. Dificilmente alguém terá feito um epitáfio mais comovente, ainda mais sendo um pai de apenas 21 anos que acabou de perder seu filhinho. A história do pequeno Alfie, que morreu antes de completar 2 anos, é espantosa. Vitimado por uma doença cerebral nunca exatamente diagnosticada, ele foi condenado à morte pela mão implacável do Estado. Os médicos mandaram desligar os aparelhos. A Justiça negou os recursos dos pais para levá-lo ao hospital do Vaticano oferecido pelo Papa Francisco. Ir para casa, passar as últimas horas com a família? Nem pensar.