No Evangelho de hoje, Jesus nos revela mais um grande mistério da vida cristã: o Reino de Deus, diz, não está neste ou naquele lugar, mas dentro de nós. Deus está sempre conosco, lembrará Santo Agostinho; somos nós, porém, que não estamos com Deus: “Eis que Tu estavas dentro e eu fora”, diz em suas Confissões, “estavas comigo, e não eu contigo”. A leitura desta 5.ª-feira nos convida, pois, a fazer esta experiência de Agostinho: procurar o Senhor não nas coisas que, embora não existam senão n’Ele, levam-nos contudo para longe d’Ele.
O Evangelho de hoje nos apresenta a famoso episódio da cura dos dez leprosos. Nosso Senhor lhes restituíra a saúde, mas apenas um deles, justamente um samaritano, estranho à comunidade judaica, voltou para prostrar-Se aos Seus pés e dar glória a Deus. Nós, ao contrário, que tivemos a graça de nascer num berço católico, temos muitas vezes a atitude dos outros nove doentes e nos esquecemos de agradecer ao Senhor pelas tantas mercês que Ele diariamente nos faz.
Unidade na diversidade
Tenho muitas divergência com o Frei Aloísio Fragoso, um franciscano aqui de Recife ligado à Teologia da Libertação, mas o seguinte texto dele (Jornal do Commercio, 27 de junho de 2010) é primoroso:
Há pessoas que parecem ter nascido para serem amadas e outras admiradas. E, no entanto, no jogo corrente da vida, umas e outras são igualmente necessárias e desempenham um papel insubstituível na coletividade. É o caso de São Pedro e São Paulo, cuja memória festejamos nos próximos dias.
Não fossem a índole destemida e a visão universal de Paulo, sua inteligência e coragem, o cristianismo teria estancado no nascedouro ou teria ficado circunscrito nos estreitos limites da Judeia, Galileia e Samaria. Pedro e os demais apóstolos não eram talhados para levar o nome de Jesus até Roma, Atenas, Tessalônica e outros grandes centros urbanos da época. Por isso, os séculos futuros deram a Paulo o título de “o maior de todos os apóstolos”.
Apesar disso, São Paulo nunca entrou no gosto popular, suas estampas não se acham penduradas nas paredes das casas, suas imagens não se encontram nos oratórios familiares, raríssimas vezes uma comunidade popular o escolhe como seu patrono ou orago.
Ilações sobre a morte
Texto do confrade Karlos Guedes:
A morte é, de certa, forma, uma criação do homem. Aquela decisão tremenda tomada por Adão, ao ser apresentado a ele, por Eva, o fruto da árvore foi, de fato, o maior dos atos humanos.
Imagino o silêncio e a expectativa de toda a criação naquele momento! Os anjos de um lado; os demônios do outro… cada um esperando a decisão humana mais importante…
Enfim, tomou Adão sua decisão: quis ser igual a Deus! E caiu do alto grau de dignidade que tinha. Imagino que a retirada da graça foi o que eles mais sentiram, pois se sentiram nus (cf. Gn III,10). Contudo, para nós, que já somos concebidos no pecado (cf. Sl L,7), creio não ser a falta da graça o mais ululante dos castigos, mas a morte.
A morte chama-nos à reflexão, tanto religiosa como filosoficamente.
Refutação das afirmações do cientista Carlos Alberto Almeida, que diz que os países latino-americanos são atrasados porque são “católicos” e os países protestantes “avançados” porque investiram em educação pública.

