O Te Deum na véspera do ano novo

Tradução e adaptação de um texto originalmente publicado no New Liturgical Movement:

É um costume secular nas igrejas católicas o canto do Te Deum, o hino de ação de graças por excelência, no dia 31 de dezembro, para agradecer pelas bênçãos recebidas ao longo do ano que passou. Em Roma, o Papa e os cardeais residentes tradicionalmente atendem à cerimônia do Te Deum na igreja do Sagrado Nome de Jesus, conhecida como “il Gesù”, a igreja mãe dos jesuítas. No anos recentes, contudo, essa cerimônia tem sido celebrada em São Pedro, junto às primeiras Vésperas da Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e de uma bênção eucarística. Continuar lendo

A mensagem da rainha, a pandemia e a nossa forma de governo

Acabei de ver o seguinte vídeo, que é a mensagem de Natal da rainha Elizabeth II do Reino Unido:

Além da bela reflexão cristã, perfeitamente inserida numa sociedade com diversidade de religiões, como é a de seu país nos dias de hoje, essa mensagem reforçou em mim algo que notei no vídeo que a soberana gravou no começo da quarentena do COVID-19 em seu país: Continuar lendo

Cristianização das festas pagãs

Essa sequência no Twitter nos mostra que a chamada cristianização das festas pagãs foi algo bem mais complexo do que se pensa:

Without getting into the ins and outs of the ‘Is Christmas pagan?’ debate, it’s worth dealing with some faulty assumptions people often make about the ‘Christianisation’ of pre-Christian traditions (buckle up for the thread…)

First of all, language people use in this area can be quite emotive, e.g. talk of Christians ‘usurping’ or ‘sanitising’ a pre-existing pagan festival. There’s a tendency to ascribe a collective agency that never existed to ‘the Church’ or ‘Christians’ when it comes to Midwinter

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Perguntinhas do ateu

Texto do confrade Rui publicado originalmente no Facebook:

– Se Deus é onisciente, e sabe o que eu farei amanhã infalivelmente, como eu posso ser livre?

O livre arbítrio é um modo de ação que nos distingue de outros entes causais, todavia não se aplica na relação entre a criatura (o homem) e Deus, pelo menos, não da parte da criatura. Em outras palavras, somos livres, em comparação com a pedra que cai por necessidade, ou ao animal que age por instinto, mas não somos livres em relação a Deus e Sua causalidade.

– Se Deus é bom, por que permite o mal no mundo?

Deus permite o mal no mundo, porque alguns bens decorrem justamente da existência do mal. O que seria da coragem dos mártires se não fosse a maldade de seus perseguidores? E, como Ele é soberano, Ele pode escolher este bem (a coragem dos mártires diante de seu martírio) a este bem (a morte tranquila dos mesmos em sua cama). O fato de Deus ser bom não implica que Ele não possa impor limites ao bem de que deseja dotar o mundo, ou escolher entre um bem e outro.

– Se Deus é onipotente, por que Ele não pode fazer uma pedra que Ele mesmo não possa levantar?

Deus é infinito e imutável por necessidade. A sua onipotência não diz respeito, portanto, à Sua natureza, mas ao mundo, e respeitando as leis do ser, que se fundam n’Ele mesmo, pois é o Ser por essência. Logo, o que Deus pode é em relação a nós, seres contingentes, que temos o ser por participação, e não em relação a Ele. Deus é infinito e infinitamente feliz sendo o que é, e, no infinito, não há lugar para mudança.

Leituras selecionadas (11/2020)

Nota

Ordinariates Conclude 10th Anniversary Amid Pandemic Year With New Divine Offices

Os Ordinariatos Anglicanos, criados pelo Papa Bento XVI dez anos atrás, estão comemorando a data com o lançamento de sua versão final do Grande Ofício, que será, usando a nomenclatura oficial, uma terceira forma do rito romano. Essa liturgia tem dois subtipos, um que agrega a maneira como a tradição se desenvolveu nos EUA e outro que agrega o que se fixou no Reino Unido e Austrália.

Forthcoming U.K. Daily Office Will ‘Resonate’ for Seekers of Jesus Christ

Uma entrevista com uma dos membros da comissão que trabalhou na preparação do Ofício dos Ordinariatos Anglicanos.

Why I had to leave The Guardian

Jornalista festejada na esquerda britânica conta como foi “cancelada” após tocar nos vespeiro em que se tornou a “questão trans” – mais uma prova de que a esquerda caviar alimenta o Leviatã que a engolirá no fim das contas.

Viktor Orbán: “The Soros network is the greatest threat faced by the states of the European Union”

Texto que informa sobre a mais nova disputa entre o metacapitalista George Soros e os governos da Polônia e da Hungria. Destaco o seguinte trecho da resposta do primeiro-ministro Victor Orbán a um artigo do financista revolucionário:

The differences between us are obvious. Soros wants an open society, while we want a safe society. According to him, democracy can only be liberal, while we think it can be Christian. According to him, freedom can only serve self-realization, while we believe that freedom can also be used to follow the teachings of Christ, to serve one’s country, and to protect our families. The basis of Christian freedom is the freedom to decide. This is now in jeopardy.

Jordan Peterson Vs. Crybaby Stalinists

O que representa para nossa cultura a revolta dos empregados da editora canadense de Jordan Peterson contra o lançamento de seu novo livro.

Os novos santos compensam a Missa nova?

Tradução de artigo de Peter Kwasniewski, no qual ele discute a relação das novas canonizações, em especial aquelas que se adequam ao que o sensus fidelium sempre identificou como próprio dos santos, com a deforma litúrgica de Paulo VI e a cultura moderna.

The Promise That Tested My Parents Until the End

Um dos melhores textos que li neste ano! Todo casal católico deveria lê-lo.

The Secret Forces That Operate In History

Texto de Roberto de Mattei no qual ele, inicialmente, aborda a ação de forças secretas na história e de como isso foi tratado por historiadores católicos e por autoridades eclesiais; depois, desenvolve a diferença disso de certas teorias conspiratórias em torno do coronavírus, que esquecem a lógica e fluem da imaginação solta que nasce nas quarentenas forçadas.

O status das ordens menores e do subdiaconato

ordens eclesiásticas

Tradução de um texto do Prof. Peter Kwasniewski:

Há uma questão crescente nos nossos dias: qual exatamente é o status das ordens menores (porteiro, leitor exorcista e acólito) no rito romano? Podemos acrescentar a essa lista a ordem maior do subdiaconato. A despeito de sua imensa antiguidade, o que deveria ter lhes dado amplo suporte na “reforma litúrgica” (elas são mais antigas que o tempo do Advento), as ordens menores foram abolidas na forma pela qual existiam antes (ou, pelo menos, assim pareceu a quase todos que viviam na época) por Paulo VI na sua Carta Apostólica Ministeria Quaedam de 1973. Mesmo assim, tanto as ordens menores quanto o subdiaconato nunca deixaram de ser conferidos num lugar ou noutro do orbe católico; e a frequência aumentou ainda mais graças à Ecclesia Dei de João Paulo II e ao Summorum Pontificum de Bento XV, no intuito de atender ás jovens vocações que fluem dos institutos religiosos tradicionalistas. Certamente temos uma situação estranha aqui.

Até onde entendo, há uma visão neoconservadora sobre o tema e uma “radtrad”. Continuar lendo